Caso Master chega à eleição na Paraíba: mensagens, R$ 22 milhões e “Hugo: 10” entram no radar do TRE-PB
Fonte: fatospb.com.br | Data: 30/09/2026 15:56:07
Coligação pede acesso a conversas entre Hugo Motta e Daniel Vorcaro e quer ouvir ex-controlador do Banco Master em ações que investigam suposto uso de estrutura e recursos para obtenção de apoio político na Paraíba
O caso Banco Master acaba de desembarcar no coração da disputa eleitoral paraibana. A assessoria jurídica da coligação “Juntos para a Paraíba Dar o Próximo Passo” protocolou no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) um pedido para ter acesso a provas produzidas nas investigações envolvendo o banco e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro.
No centro da ofensiva estão mensagens trocadas entre Vorcaro e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), além de documentos e informações obtidos pela Polícia Federal.
A coligação também quer que Vorcaro seja ouvido diretamente pela Justiça Eleitoral.
O movimento coloca uma pergunta no centro das duas Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJEs) citadas no requerimento: as relações, negócios e conversas revelados na investigação do Banco Master têm alguma conexão com os fatos que estão sendo apurados eleitoralmente na Paraíba?
É essa resposta que a coligação pretende obter no processo.
BOMBA NO TRE-PB
O pedido chega ao tribunal depois da divulgação de mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro.
As conversas reveladas pela imprensa apontam para uma relação próxima entre o empresário e Hugo Motta e incluem tratativas envolvendo uma operação imobiliária em João Pessoa.
Segundo reportagens, uma empresa pertencente à cunhada de Motta recebeu pelo menos R$ 22 milhões em empréstimo do Banco Master para a aquisição de uma área com mais de 400 hectares na capital paraibana.
Nas mensagens, Hugo Motta aparece participando das tratativas e menciona a Vorcaro um possível “formato de sociedade” relacionado ao negócio.
O conteúdo das conversas, isoladamente, não comprova irregularidade. A coligação, porém, quer que as mensagens sejam incorporadas aos processos para que a Justiça Eleitoral possa verificar se existe alguma relação com os fatos sob investigação.
E TEM MAIS: “HUGO: 10”
Outro elemento citado no pedido chama atenção.
Durante uma busca realizada pela Polícia Federal na residência do senador Ciro Nogueira (PP-PI), foi apreendido um manuscrito com o título “Câmara”, acompanhado de nomes e números.
Entre eles, aparece a anotação:
“Hugo: 10”
O próprio relatório da Polícia Federal registrou que os números poderiam representar valores, mas destacou que o significado das anotações ainda precisava ser esclarecido.
É justamente aí que a coligação pretende avançar.
Quem escreveu? O que significa o número 10? A anotação tem relação com algum pagamento, negociação ou outra circunstância? Ou não possui qualquer relação com os fatos eleitorais?
Nenhuma dessas hipóteses está comprovada pelo documento.
Por isso, a coligação pede que o material seja analisado dentro do processo, com contraditório e ampla produção de provas.
As duas AIJEs mencionadas no requerimento discutem fatos relacionados à suposta utilização de recursos e estruturas para obtenção de apoio de prefeitos e lideranças políticas à candidatura de Nabor Wanderley ao Senado.
A tentativa agora é levar para esses processos elementos produzidos em uma investigação de outra natureza.
A tese apresentada pela coligação é que mensagens, documentos, operações financeiras e depoimentos podem revelar — ou afastar — eventual conexão entre os episódios.
Ou seja: a coligação não pede que a Justiça dê a conexão como comprovada. Pede que ela seja investigada.
VORCARO NA MIRA DO TRE-PB
Daniel Vorcaro é apontado como peça-chave para esclarecer o conteúdo das mensagens e das relações mencionadas nas investigações.
A coligação quer que o ex-controlador do Banco Master seja chamado a depor para explicar as conversas com Hugo Motta, as tratativas envolvendo negócios na Paraíba e outros elementos que possam ter relação com os fatos discutidos nas AIJEs.
O objetivo declarado é permitir que os magistrados tenham contato direto com as provas, e não apenas com as informações que chegaram ao público por meio de reportagens.
“NÃO ESTAMOS PEDINDO QUE SE ANTECIPE QUALQUER CONCLUSÃO”
O advogado Erick Pereira, que representa a coligação, afirma que o pedido tem caráter probatório.
“Os elementos que vieram a público precisam ser devidamente esclarecidos no processo. A oitiva de Daniel Vorcaro pode contribuir para esclarecer se existe alguma relação entre os fatos investigados no caso Banco Master e aqueles que já são objeto das duas AIJEs em tramitação no TRE da Paraíba.”
O advogado reforça que a intenção é permitir a apuração dos fatos antes de qualquer conclusão.
“Não estamos pedindo que se antecipe qualquer conclusão. Estamos pedindo acesso às provas e a produção da prova testemunhal para que os fatos sejam esclarecidos.”
A CAIXA-PRETA QUE A COLIGAÇÃO QUER ABRIR
Com as mensagens de Vorcaro, a operação de R$ 22 milhões, o negócio imobiliário em João Pessoa e a anotação “Hugo: 10” citados no requerimento, a investigação sobre o Banco Master ganha agora um novo palco: a Justiça Eleitoral da Paraíba.
O ponto central, contudo, ainda está em aberto.
Existe conexão entre esses elementos e os fatos investigados nas duas AIJEs?
A coligação quer que o TRE-PB tenha acesso às provas e que Vorcaro seja ouvido para responder.
A partir daí, caberá à Justiça
Eleitoral avaliar o que efetivamente tem relação com os processos e o que não tem.
Por enquanto, uma coisa é certa: o caso Banco Master deixou de ser apenas uma investigação financeira e passou a provocar repercussões diretas no cenário político-eleitoral da Paraíba.
Redação com ilustração feita com ajuda da IA ChatGPT