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Agenda Global: O magnetismo dos EUA

Fonte: oglobo.globo.com | Data: 01/10/2026 04:48:22

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Os investimentos brasileiros em solo americano alcançaram um estoque de US$ 22,1 bilhões em 2024, uma alta de 52,3% em relação a 2014. Só entre 2020 e 2024, empresas brasileiras anunciaram mais de US$ 3,3 bilhões em novas operações nos EUA. Os dados corroboram análise da Apex-Brasil e da Amcham que posicionam os EUA como o principal destino de investimentos greenfield brasileiro no exterior. Entre 2013 e 2023, foram 142 projetos de implantação produtiva nos EUA.

— A entrada da WEG nos EUA foi motivada pela relevância estratégica de um dos maiores e mais sofisticados mercados industriais do mundo — relata Anderson Fernandes, vice-presidente da Divisão Internacional da fabricante de motores, geradores, transformadores e acionamentos elétricos, que ingressou no mercado americano na década de 1980 e iniciou a fabricação local em 1999. — A presença nos aproximou dos clientes, reduziu prazos e riscos logísticos, fortaleceu o suporte técnico e ampliou nossa competitividade.

Bebidas encabeçam lista

Para a Taurus, radicar–se, em 1981, no maior mercado mundial de armas — responsável por 75% da receita da empresa nesse setor — possibilita acompanhar bem de perto a evolução das preferências dos consumidores, as tendências do mercado e os movimentos de seus concorrentes, contribuindo para o desenvolvimento e a adaptação de produtos destinados ao mercado americano e a outros mercados internacionais, diz o CEO Global, Salesio Nuhs.

Os setores visados pelos brasileiros nos EUA foram alimentos e bebidas (22,8%), plásticos (12,4%), produtos de consumo (9,8%), software e serviços de TI (9,6%) e metais (9,3%).

O estudo revela que, de 2020 a 2025, 70 empresas brasileiras anunciaram projetos nos EUA, com destaque para JBS (US$ 807 milhões), Serena Energia (US$ 420 milhões), Companhia Siderúrgica Nacional (US$ 350 milhões), Bauducco Foods (US$ 200 milhões) e Embraer (US$ 192 milhões).

O consultor Waverson Mergulhão, sócio-líder das áreas de M&A, reestruturação e reorganização de empresas da Deloitte, ressalta que, além do tamanho do mercado, a internacionalização pode ajudar empresas brasileiras a superar barreiras tarifárias, regulatórias e sanitárias. Além disso, seu sistema financeiro robusto facilita o financiamento de investimentos em condições mais competitivas.

— Ao operar em outros países, as companhias reduzem a dependência do mercado nacional e ficam menos expostas a oscilações econômicas, políticas e financeiras do Brasil — assinala.

A professora Livia Barakat, do Núcleo de Estratégia e Negócios Internacionais da Fundação Dom Cabral, adverte que, se os EUA aparecem como principal destino quando as empresas brasileiras são questionadas sobre seus planos futuros de internacionalização, é um mercado de grande complexidade operacional, com barreiras de entrada relevantes e alto nível de competitividade, que impõe desafios importantes às companhias brasileiras.

— Mais ainda com a política tarifária do governo Trump, que tende a levar as transnacionais brasileiras já instaladas nos EUA a intensificar suas operações locais para reduzir a exposição às barreiras tarifárias — sustenta ela. — Na prática, essa movimentação reforça o objetivo da política comercial americana: estimular que companhias estrangeiras se instalem e produzam dentro dos EUA, em vez de apenas exportarem para o país.