Quem é Renata Mietto, atriz brasileira detida pelo ICE em aeroporto de Los Angeles há mais de um mês
Fonte: oglobo.globo.com | Data: 04/10/2026 09:06:53
A atriz brasileira Renata Alves Mietto, de 26 anos, foi detida por agentes do ICE no Aeroporto de Los Angeles, nos Estados Unidos, em 27 de agosto, quando se preparava para viajar com a família ao Havaí para comemorar o aniversário da mãe.
Márcia Rilda Alves dos Reis conta que a filha passou normalmente pelos procedimentos de segurança e pelo raio-X e chegou à área de embarque, onde foi abordada por agentes à paisana e presa.
— Nós achávamos que, nessa questão de pegar voo, eles só estavam pegando quem tivesse algum tipo de crime. Mas a gente não sabia que eles estavam prendendo qualquer pessoa. Quando você passa na segurança, eles têm essa ligação direta com o ICE, essa impressão que a gente tem — contou Márcia.
Quem é Renata Alves Mietto?
Renata Alves Mietto, de 26 anos, é uma atriz brasileira que vive nos Estados Unidos há uma década. Ela chegou ao país aos 16 anos, concluiu o ensino médio, estudou Artes Cênicas na Utah Valley University e, há pouco mais de três anos, mora em Los Angeles, onde desenvolveu sua carreira artística.
Entre os trabalhos dos quais participou está a produção “The Cool Kids”. O objetivo profissional, segundo a mãe, Márcia Rilda Alves dos Reis, é trabalhar como atriz de cinema.
Além da carreira artística, Renata abriu uma empresa de limpeza que, de acordo com a mãe, atualmente emprega mais de 20 pessoas.
Há pouco mais de três anos, mudou-se para Los Angeles. Foi na cidade californiana que passou a desenvolver a carreira como atriz, conciliando o trabalho artístico com a administração da empresa de limpeza.
Por que a atriz foi detida pelo ICE
Em 27 de agosto, Renata foi detida por agentes do ICE no Aeroporto de Los Angeles quando se preparava para viajar com a família ao Havaí para comemorar o aniversário da mãe.
Márcia afirma que a filha passou normalmente pelos procedimentos de segurança e pelo raio-X e chegou à área de embarque. Nesse momento, teria sido abordada por agentes à paisana e presa.
Segundo a mãe, Renata perdeu seu status migratório nos Estados Unidos há cerca de dois anos depois de seguir uma orientação jurídica que teria sido equivocada. A família sustenta que ela permaneceu no país seguindo orientação de um advogado.
Na audiência realizada em 18 de setembro, a defesa pediu que Renata pudesse responder ao processo em liberdade. O pedido foi negado sob a justificativa de que ela representaria um risco.
Márcia afirma que a filha nunca cometeu crime e que a detenção está relacionada à situação migratória. A decisão judicial citada, porém, não estabelece que essa seja a única razão formal da prisão, e o status migratório anterior de Renata não foi detalhado.
Mais de um mês sob custódia
Após a prisão no aeroporto, Renata foi levada para um centro de detenção em Los Angeles e passou mais de 20 dias em Adelanto, na Califórnia. Em 19 de setembro, um dia depois da audiência, foi transferida para El Paso, no Texas.
Márcia afirma que o deslocamento envolveu muitas horas sob restrição física. Segundo ela, Renata passou horas em uma van algemada nos pés, na cintura e nas mãos, sem poder urinar ou beber água.
A mãe também diz que a filha passou frio durante o trajeto e tentou usar um suéter que estava na bagagem. Márcia afirma ainda que a bolsa de mão desapareceu, junto com documentos, cartão de crédito e joias, enquanto a mala continuava sem ser localizada.
Depois desse período, Renata teria desenvolvido inchaço nas pernas e nos pés e dor de garganta. Márcia relaciona os sintomas ao tempo prolongado que a filha teria passado sentada em um banco pequeno e em ambiente frio. Não houve, nas informações apresentadas, avaliação médica independente sobre esses sintomas.
A família tenta obter autorização para visitar Renata no centro de detenção do Texas e ainda buscava uma alternativa jurídica para tirá-la da custódia.
Agentes do ICE são enviados para patrulhas em aeroportos dos EUA
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Agentes no embarque do Aeroporto Internacional Hartsfield-Jackson de Atlanta — Foto: John Falchetto / AFP
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Agentes no Aeroporto de LaGuardia, em Nova Iorque — Foto: TIMOTHY A. CLARY / AF
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Agentes no Aeroporto de LaGuardia, em Nova Iorque — Foto: TIMOTHY A.CLARY / AFP
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Passageiros aguardam no Aeroporto Internacional de Newark, em Nova Jersey — Foto: kena betancur / AFP
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Passageiros aguardam no Aeroporto Internacional de Newark, em Nova Jersey — Foto: kena betancur / AFP
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Agentes do ICE aturão em aeroportos dos EUA a partir de segunda-feira, com o objetivo de aliviar o congestionamento crescente nas inspeções de segurança, segundo autoridades. — Foto: John Falchetto / AFP
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Agente no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova Iorque — Foto: CHARLY TRIBALLEAU / AFP
Trump anunciou no domingo envio do ICE aos principais aeroportos
Márcia afirma que a filha não quer deixar os Estados Unidos. Ainda assim, Renata estaria seguindo orientação jurídica para solicitar uma saída voluntária do país, medida considerada pela mãe a solução mais viável, embora não corresponda ao desejo da filha.
— Para mim, como mãe, é um desespero tão grande ver a minha filha passar por isso. Porque ela não cometeu nenhum crime. Ela não tem motivo algum para estar presa só pelo fato de estar sem status. Isso não significa que eles podem fazer essa covardia, e não é só com ela, mas com tantas outras pessoas ali dentro. Ali tem mães, pessoas que estão presas sem motivo. Eles estão pegando todo mundo e fazendo essa covardia. Eu quero tirar minha filha dali, urgente — conta Márcia aos prantos.
Segundo Márcia, Renata queria ao menos voltar para casa para pegar seus pertences e cuidar de seu coelho, que está com ela há seis anos. A mãe diz que a filha está emocionalmente devastada diante do que considera uma situação injusta.
Advogada alerta para detenções em aeroportos
Gisele Ambrósio, advogada de imigração e também advogada do Consulado de Los Angeles, afirma que as detenções em aeroportos aumentaram bastante desde junho e passaram a atingir também pessoas que viajam em voos domésticos.
Ela cita diferentes situações migratórias entre os detidos pelo ICE, incluindo pessoas sem status migratório regular, com pedidos de asilo, extensão de visto ou green card em análise, com ordem definitiva de deportação e até indivíduos com autorização de trabalho enquanto aguardam o fim do processo.
— Existe uma gama variada de pessoas que estão sendo presas pelo ICE. Por exemplo, pessoas fora de status, com asilo pendente, com pedidos de extensão de visto, pedidos até de green card pendentes, pessoas com ordem de deportação final e até com permissão de trabalho, mas sem aprovação final do caso — relata Gisele.
A advogada também afirma que a procura por novos pedidos de green card, cidadania e vistos de residência caiu durante o período de endurecimento das políticas migratórias americanas. Um dado do governo americano citado no caso aponta redução de 45% nas solicitações de imigração recebidas pelo USCIS no segundo trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025.
Gisele recomenda que imigrantes com processos pendentes consultem seus advogados antes de viajar. Ela também orienta manter os contatos do advogado acessíveis, deixar cópias dos documentos com pessoas de confiança e planejar previamente o que fazer em caso de detenção, especialmente quando houver filhos ou patrimônio nos Estados Unidos.