PT mira Senado em 2026 com 10 nomes e ex-ministros
Fonte: spacemoney.com.br | Data: 04/10/2026 16:55:49
O Partido dos Trabalhadores entra na disputa ao Senado nas eleições de 2026 com dez nomes escolhidos para enfrentar os candidatos da oposição, combinando ex-ministros dos governos Lula e Dilma Rousseff, senadores que tentam renovar o mandato e lideranças femininas com força regional. O levantamento das principais apostas petistas foi feito pela Gazeta do Povo, às vésperas da votação deste domingo (4).
A lista reúne quadros com passagem por ministérios, mandatos no Congresso e bases eleitorais construídas em estados como Bahia, Paraná, Pernambuco, Maranhão, Amapá, Acre, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Um dos pontos mais delicados é a tentativa de reeleição de Jaques Wagner, na Bahia, alvo de investigações ligadas ao Banco Master.
Bahia concentra a aposta de maior desgaste
Ex-governador baiano por dois mandatos, Jaques Wagner comandou o Ministério do Trabalho e Emprego e a Casa Civil nos governos de Lula e Dilma Rousseff e chegou ao Senado em 2018, firmando-se como uma das principais lideranças petistas no Congresso. Neste ano, deixou o posto de líder do governo Lula no Senado após virar alvo da operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master e as relações políticas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O senador também foi investigado por causa de suas ligações com Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Wagner ocupava um dos principais postos do governo baiano na época em que o empresário participou do processo de privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), estatal que controlava a rede de mercados Cesta do Povo.
Rui Costa, que governou a Bahia por dois mandatos, entre 2015 e 2022, depois de passar pela Câmara dos Deputados, chefiou a Casa Civil de Lula de 2023 a 2025. Um dos nomes mais fortes do petismo baiano e aliado próximo do presidente, ele disputa o Senado em chapa conjunta com Jaques Wagner.
Gleisi Hoffmann e Humberto Costa: ex-ministros na corrida
No Paraná, o PT aposta em Gleisi Hoffmann, deputada federal e uma das principais dirigentes nacionais da sigla. Ela presidiu o partido de 2017 a 2025, comandou a Casa Civil no governo Dilma Rousseff e, em 2025, passou a chefiar o Ministério das Relações Institucionais. Deixou o governo neste ano para concorrer ao Senado, depois de ser indicada por Lula, e teve o nome oficializado ao lado do ex-deputado federal Dr. Rosinha.
Em Pernambuco, Humberto Costa representa a ala com mais tempo de estrada no Legislativo. Começou a carreira como vereador do Recife, foi deputado estadual e federal, chegou ao Senado em 2011 e foi ministro da Saúde no primeiro governo Lula. Reeleito em 2018, cumpre o segundo mandato e tenta uma nova eleição em 2026.
As mulheres na lista do PT
Figura histórica do petismo fluminense, Benedita da Silva é assistente social, ex-senadora, deputada federal por vários mandatos e foi governadora do Rio em 2002. Também comandou o Ministério da Assistência e Promoção Social no primeiro governo Lula, com atuação voltada a pautas sociais, aos direitos das mulheres e à igualdade racial. Em 2026, tenta novamente uma vaga ao Senado pelo Rio.
Em Minas Gerais, Marília Campos é apontada como a principal liderança petista do estado. Ex-prefeita de Contagem por dois mandatos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, está no partido desde os anos 1980 e também já foi deputada estadual. Chegou a ser cotada para a disputa ao governo mineiro, mas preferiu manter a candidatura ao Senado.
No Maranhão, Eliziane Gama iniciou a carreira como deputada estadual, foi deputada federal por três mandatos e chegou ao Senado em 2018 pelo PPS, legenda depois rebatizada como Cidadania. Passou ainda pelo PSD antes de se filiar ao PT. No Congresso, ganhou projeção em comissões e CPIs e lidera a bancada feminina da Casa.
Reeleição e trajetórias regionais
No Espírito Santo, Fabiano Contarato busca um novo mandato. Delegado de polícia e professor universitário, elegeu-se em 2018 pela Rede Sustentabilidade e se tornou o primeiro senador declaradamente gay do país, antes de se filiar ao PT. Ganhou projeção nacional com a atuação em segurança pública, direitos humanos e defesa de minorias e presidiu a CPI do Crime Organizado, encerrada em 2026 sem aprovação do relatório final.
No Amapá, Randolfe Rodrigues concorre novamente ao Senado. Foi deputado estadual e deputado federal antes de chegar à Casa em 2010, com passagens por PSOL e Rede antes de se filiar ao PT. Virou um dos principais nomes da articulação política do governo Lula no Senado, chegando a comandar a liderança governista.
No Acre, Jorge Viana fecha a lista. Engenheiro florestal e empresário, foi prefeito de Rio Branco e governador do estado por dois mandatos antes de chegar ao Senado em 2011. O petista também comandou a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e construiu a carreira política em torno do desenvolvimento regional e da agenda ambiental.
O conjunto das candidaturas mostra a aposta do partido em nomes com trânsito no governo federal e quadros com penetração em redutos eleitorais tradicionais. A sigla mede forças nas urnas deste domingo (4) contra os candidatos da oposição.