“A maioria é petista”: médica é denunciada após mensagem sobre altas em hospital
Fonte: diariodopara.com.br | Data: 05/10/2026 19:46:05
Uma médica que ocupava a chefia do setor de ginecologia e obstetrícia do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia, tornou-se alvo de denúncia após supostamente orientar profissionais da unidade a não conceder alta às pacientes durante o fim de semana das eleições.
A justificativa atribuída à médica Marcella Segato de Sousa Melo foi registrada em uma mensagem enviada na sexta-feira (2), dois dias antes do primeiro turno. “Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta para ninguém, a maioria é petista”, teria escrito a profissional em um grupo interno formado por médicos e estudantes que atuavam na maternidade.
Se confirmada, a conduta representa uma tentativa de permitir que preferências partidárias interferissem em decisões médicas — e, mais grave, de usar a permanência de pacientes em um hospital público para dificultar o exercício do direito ao voto. Alta hospitalar não é favor, muito menos instrumento de campanha.
Médica teria feito referência a candidato
Em outras mensagens, a médica também teria feito referências ao número 22, utilizado pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Segundo reportagem do Jornal Opção, ela teria afirmado que os estudantes que votassem no candidato receberiam nota máxima no rodízio obrigatório realizado na unidade.
O caso foi levado ao Ministério Público Federal (MPF) por meio de uma representação. Até o momento, porém, não há informação oficial de que alguma paciente tenha efetivamente permanecido internada por motivação política.
Médica diz que mensagem foi “brincadeira”
Procurada pelo Jornal Opção, Marcella Segato afirmou que a mensagem teria sido uma “brincadeira feita em um grupo privado”. Ela confirmou, segundo a publicação, que estudantes de medicina participavam do grupo no qual as manifestações foram feitas. Jornal Opção
O caráter privado da conversa, contudo, não afastou os questionamentos, especialmente porque a mensagem teria sido dirigida a profissionais e estudantes subordinados à chefia médica e tratava diretamente da concessão de altas hospitalares.
Hospital pede desculpas e abre apuração
O Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara informou que não adota posicionamento político-partidário e que as manifestações feitas no grupo são de responsabilidade pessoal dos participantes.
A unidade ressaltou que decisões sobre internação, permanência hospitalar e alta devem seguir exclusivamente critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança, independentemente das convicções políticas, ideológicas ou religiosas dos pacientes.
Nesta segunda-feira (5), a direção do hospital também apresentou pedido público de desculpas aos pacientes, familiares e profissionais pela repercussão do episódio. A instituição informou que abriu procedimentos internos para esclarecer os fatos e verificar se houve alguma conduta incompatível com as normas profissionais. maisgoias.com.br
A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia afirmou que adotou providências administrativas e reforçou às equipes da rede pública que todos os usuários do Sistema Único de Saúde devem receber atendimento adequado, ético e respeitoso.
Conselho de Medicina acompanha o caso
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que denúncias envolvendo a conduta ética de médicos são apuradas sob sigilo, conforme estabelece o Código de Processo Ético-Profissional.
O conselho já solicitou esclarecimentos ao responsável técnico pela maternidade, mas não divulgou detalhes sobre eventual procedimento contra a médica.