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Políticos citados no caso Master se elegem apesar do desgaste

Fonte: portalgurupi.com.br | Data: 06/10/2026 02:42:44

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SÃO PAULO — Mesmo sob forte escrutínio público por causa da crise do Banco Master e da relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, nomes centrais da política brasileira conseguiram sair vitoriosos nas urnas neste domingo (4). A lista acompanhada pela Folha de S.Paulo reuniu 16 candidatos ao Executivo e ao Legislativo citados, em maior ou menor grau, nas investigações e repercussões do caso.

Entre os eleitos, estão parlamentares e lideranças com diferentes níveis de exposição no episódio, que vem sendo tratado como um dos maiores escândalos de corrupção recentes do país. As disputas incluíram vagas na Câmara dos Deputados, no Senado e governos estaduais, além da corrida presidencial em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avançou ao segundo turno.

Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio terminou o primeiro turno com 47% dos votos, dois pontos à frente de Lula, confirmando a polarização que já aparecia nas pesquisas. A campanha, porém, foi afetada em maio, quando o site The Intercept Brasil revelou sua relação com Vorcaro.

Segundo a reportagem, Flávio enviou uma mensagem em 16 de novembro do ano passado ao ex-banqueiro dizendo: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente”. No mesmo período, ele pediu o equivalente a R$ 134 milhões para financiar o filme sobre a vida de Jair Bolsonaro, “Dark Horse”. Desse total, R$ 61 milhões teriam sido pagos.

Flávio é investigado em inquérito no Supremo Tribunal Federal a pedido da Polícia Federal. Ele nega irregularidades e também rejeita o uso de dinheiro público na produção, sustentando que o acordo com o banqueiro era estritamente privado.

Parlamentares citados nas apurações também avançam

O deputado federal Mario Frias (PL-SP), que deve ser reeleito com mais de 90 mil votos, também aparece no caso ligado à cinebiografia. Ex-secretário especial da Cultura no governo Bolsonaro, ele é produtor-executivo de “Dark Horse” e foi alvo de operação da PF, sob suspeita de desvio de recursos públicos para a produção do filme.

Segundo o material citado, Frias é autor de R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas ao Instituto Conhecer Brasil, dirigido por Karina Gama, também produtora do filme. Áudios e conversas mostram ainda que o deputado manteve contato com Vorcaro e agradeceu o apoio ao projeto. Ele diz não ter “nenhuma preocupação com isso” e afirma: “Apenas produzi um filme”.

Outro nome com eleição encaminhada é o de Hugo Motta (Republicanos-PB), atual presidente da Câmara, que deve ser reeleito com mais de 120 mil votos. De acordo com mensagens extraídas pela PF, o parlamentar mantinha relação próxima com Vorcaro, com trocas de elogios, pedidos de camarote em festa e lembranças de viagens.

Em uma conversa de 23 de maio do ano passado, Vorcaro disse que estaria em Belo Horizonte no fim de semana seguinte e escreveu que queria “mesmo estar era em Mônaco com você”. Os diálogos também tratam da liberação de um empréstimo de pelo menos R$ 22 milhões para uma empresa da cunhada do deputado e de uma sugestão de “formato em sociedade” na compra de um terreno na Paraíba que estava em nome dela.

Procurado, Hugo Motta afirmou que, como parlamentar em seu quarto mandato, sempre manteve diálogo com empresários e representantes da sociedade. Ele disse não haver “nenhum ilícito” nos diálogos divulgados e rejeitou a tentativa de associar as conversas a favorecimento ou interesse espúrio.

Também na Câmara, o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, deve ser eleito pelo Rio de Janeiro apesar das denúncias. Ele e a irmã teriam atuado como advogados do Banco Master entre 2023 e 2024, e Vorcaro chegou a oferecer uma carona de helicóptero a ele durante o Grande Prêmio de Fórmula 1 em Interlagos, em 2024.

Rueda admitiu ter prestado serviços de advocacia para o banco. Em nota atribuída ao escritório Rueda & Rueda, a defesa disse que o trabalho foi legítimo, regular e compatível com o exercício da advocacia, feito em caráter estritamente técnico e dentro dos padrões legais e éticos.

No Senado e no governo da Bahia, desgaste também não impediu vitórias

No Senado, Jaques Wagner (PT-BA) foi reeleito. Ele, que era líder do governo Lula na Casa, foi alvo de busca e apreensão dentro das investigações do caso Master. A PF apura suspeitas de que o senador tenha recebido pagamentos ligados ao banco por meio da empresa da esposa do enteado, além de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões.

Wagner também confirmou ter indicado Ricardo Lewandowski como consultor do Master após o ex-ministro do STF deixar a corte. Pressionado pelas apurações, acabou deixando a liderança do governo no Senado. Sua defesa negou que ele tenha se beneficiado de vantagens econômicas e afirmou que o parlamentar não é dono do imóvel citado.

Na disputa pelo governo da Bahia, ACM Neto (União-BA) perdeu para Jerônimo Rodrigues (PT-BA) por 55% a 43%. Ex-prefeito de Salvador e vice-presidente do União Brasil, ele recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da Reag, gestora de recursos apontada como suspeita de envolvimento com o crime organizado, entre março de 2023 e maio de 2024, segundo informações do Coaf.

Vorcaro afirmou, em proposta de delação premiada, que ACM Neto teria recebido 10% dos valores investidos por institutos de previdência estaduais no Master. Rueda, segundo o mesmo relato, teria recebido o mesmo percentual. À Folha, ACM Neto confirmou os contratos, mas disse que os serviços prestados não tiveram irregularidade e não se relacionam às investigações sobre o banco e a Reag.

O desempenho nas urnas mostrou que, apesar do impacto político e da exposição pública, parte dos citados no caso Master conseguiu transformar a pressão em vitória eleitoral. Continue acompanhando a cobertura deste assunto no Portal Gurupí.