Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Gatos de energia Amazonas: desafio da Âmbar

Fonte: redentc.com.br | Data: 06/10/2026 05:38:20

🔗 Ler matéria original

Crédito: <a href=”https://investnews.com.br/negocios/ambar-irmaos-batista-vs-gatos-energia/” rel=”nofollow noopener noreferrer” target=”_blank”>investnews.com.br</a>

O estado do Amazonas amarga um dos piores índices de furtos de energia no Brasil: para cada 10 megawatts-hora (MWh) que casas e pequenos comércios consomem legalmente, outros 12 se perdem entre gatos e fraudes. Desde março de 2026, quem opera a Amazonas Energia é a Âmbar, braço da holding J&F, dos irmãos Wesley e Joesley Batista. A companhia assumiu a concessão em meio a um cenário de prejuízos bilionários e resistência cultural às fiscalizações.

Perdas não técnicas superam consumo regular

No setor elétrico, o jargão para os gatos de luz é “perdas não técnicas”. Perda técnica é a parte da energia que naturalmente se dissipa nos cabos e transformadores enquanto vai de um lugar para outro. Já na perda não técnica, a energia até chega à casa do cliente, mas a distribuidora não registra isso e, por isso, não gera uma conta de luz. Entram nessa categoria ligações clandestinas, adulteração de medidores, fraudes e problemas de medição e faturamento.

No Amazonas, as perdas não técnicas chegam a 122% do mercado de baixa tensão. No Rio, ficam em 60%. Trata-se de um problema histórico para a região: a Eletrobras (hoje Axia Energia), estatal que controlou a Amazonas Energia até a privatização, já enfrentava índices semelhantes. Em 2018, as perdas chegaram a 124%. Entre 2010 e 2015, o Tribunal de Contas da União (TCU) calculou que a Eletrobras perdeu R$ 3,58 bilhões do próprio caixa com os desvios.

Vídeo: YouTube | Fonte: investnews.com.br

Prejuízo bilionário e socorro da CCC

No Amazonas, o segundo colocado na lista de prejuízos, o valor foi de R$ 753,6 milhões. Desde 2016, essa conta já não ficava apenas com a distribuidora: uma mudança na lei permitiu que um fundo do setor elétrico cobrisse parte das perdas da Amazonas Energia. Trata-se do CCC, um fundo que subsidia o fornecimento de energia para regiões isoladas do país, onde produzir eletricidade custa mais caro. O dinheiro ali vem da conta de luz de todos os consumidores brasileiros.

A regra previa que essa ajuda diminuiria gradualmente até 2025 – algo que não aconteceu. A ajuda, no entanto, não foi suficiente para a Oliveira Energia, que assumiu em 2019 a concessão da distribuidora do estado. Atolada em dívidas e sem conseguir resolver o problema dos gatos, a companhia teve de se desfazer da concessão às pressas, por um valor simbólico de R$ 1.

Fiscalização enfrenta resistência nas ruas

Uma das apostas da Oliveira Energia para combater os gatos foi instalar medidores em postes, fora das casas, para dificultar as fraudes. Segundo Orsine Oliveira, dono da empresa, o projeto encontrou forte resistência da população. “Onde a gente ia para colocar um aparelho de medição, tinha uma confusão na rua”, disse Oliveira ao InvestNews.

Na avaliação do empresário, os gatos se tornaram um problema cultural no Amazonas e atravessam diferentes faixas de renda. Ele conta que, em uma fiscalização em um condomínio com 110 casas de alto padrão, a empresa encontrou desvios em 33 delas. O problema dos gatos se somava a uma situação financeira em deterioração.

Dívida bilionária e venda simbólica

Em 2023, a Amazonas Energia já acumulava uma dívida líquida de R$ 9,6 bilhões. Naquele ano, a Aneel concluiu que a empresa não tinha condições financeiras de manter o serviço. Em 2024, o Ministério de Minas e Energia reforçou o diagnóstico: estimou que a Amazonas Energia teria um rombo de R$ 2,8 bilhões em 2026 sem novos subsídios.

Em 2024, a Âmbar acertou a compra da Amazonas Energia por um valor simbólico de R$ 1, mas condicionou a operação a novas regras para tentar recuperar a distribuidora – incluindo mais recursos da CCC e mais tempo para reduzir as perdas. A fonte não detalhou quais serão as novas regras ou prazos.

Desafio cultural e financeiro

O histórico de resistência às medições e a capilaridade das fraudes indicam que a Âmbar terá de lidar não apenas com a infraestrutura, mas com a aceitação social das medidas de combate. A experiência da Oliveira Energia mostrou que a simples instalação de equipamentos pode gerar conflitos locais. Além disso, a dependência de subsídios da CCC coloca pressão sobre o caixa da distribuidora e sobre a conta de luz de todos os brasileiros.

A fonte não detalhou quais estratégias a Âmbar pretende adotar para reduzir as perdas não técnicas. Também não foram divulgados números atualizados sobre o prejuízo anual com gatos no Amazonas após a troca de controle. O que se sabe é que o problema persiste há décadas e exige soluções estruturais.

Fonte