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Cães da raça Border Collie são o novo funcionário do campo

Fonte: oglobo.globo.com | Data: 06/10/2026 04:53:06

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Pecuaristas usam animal treinado para pastoreio de gado e de ovelhas

Dependendo do treinamento, um único cão consegue manejar até 300 cabeças de gado bovino
Dependendo do treinamento, um único cão consegue manejar até 300 cabeças de gado bovino — Foto: Arquivo pessoal/Lenon Goi

Pecuaristas brasileiros têm empregado cada vez mais uma “classe de trabalhadores” extremamente eficientes e que tem ajudado a reduzir custos e aumentado o bem-estar de rebanhos. Eles são os cães de pastoreio, especialmente da raça Border Collie, que teve crescimento acelerado nos últimos anos em propriedades de criação de bovinos e ovinos.

De acordo com Heder Mello, presidente da Associação Brasil Border Collie (ABBC), entidade que faz o registro dos cães usados para trabalho com rebanhos, o avanço da raça é notável ao longo dos anos.

— Em 2016, registramos só 400 cães. Em 2026, devemos alcançar 10 mil animais de trabalho registrados — afirma.

Economia de tempo

No entanto, somando os cachorros que ainda não estão registrados, Mello estima que existam cerca de 40 mil animais atuando em propriedades brasileiras.

Pecuaristas apontam melhoria do bem-estar animal com uso do cão — Foto: Luís André/Secom-RS
Pecuaristas apontam melhoria do bem-estar animal com uso do cão — Foto: Luís André/Secom-RS

Apesar do número elevado, a quantidade ainda é pequena para um país que tem mais de 5 milhões de fazenda de criação de gado bovino, avalia o dirigente.

Na prática do dia a dia, a capacidade de trabalho da raça impressiona. Dependendo do treinamento e da estrutura da fazenda, um único Border Collie treinado consegue conduzir e manejar com facilidade lotes de 200 a 300 cabeças de gado bovino por vez em campo aberto, cobrindo áreas extensas que exigiriam vários peões a cavalo.

A presença do cão facilita a rotina e a gestão financeira das propriedades pois otimiza a mão de obra. Segundo Mello, um único funcionário acompanhado por cães treinados consegue realizar tarefas de recolhimento de gado que antes exigiam até três pessoas.

— Aquele trabalho que antes levava das 7h30 até às 17h, pode ser encerrado na hora do almoço — diz Mello.

Além da economia de tempo no campo, o animal garante agilidade nos manejos de curral durante vacinações ou protocolos de inseminação. Essa atuação reduz o estresse do rebanho, diminuindo acidentes e lesões.

— O Border Collie não é uma ferramenta de trabalho, é uma tecnologia que está no corpo de um cachorro — defende o presidente da ABBC.

O custo para integrar os caninos à propriedade varia conforme a maturidade e o nível de adestramento do animal. A aquisição de um filhote proveniente de linhagem de trabalho exige um investimento inicial entre R$ 3 mil e R$ 6 mil, valor que no patamar mais alto costuma incluir a capacitação para o adestramento. Já a compra de um cão adulto treinado, com idade entre 2,5 e 4 anos, parte de R$ 15 mil.

Menos estressados

Em Ibirubá (RS), o produtor Rodrigo Belebon, investe desde 2010 na criação de ovinos. Atualmente, tem um rebanho de 50 matrizes, para criação de cordeiros e produção de animais para outras propriedades. Em 2019, começou a usar o cão Border Collie para o manejo das ovelhas. O objetivo da adoção do cão de pastoreio era realizar um manejo do rebanho com bem-estar animal.

— Os ovinos se estressam menos com os cães do que com humanos, e assim também perdem menos peso. Além disso, na nossa região há uma falta de mão de obra capacitada para esse trabalho, que o cachorro consegue suprir em parte — comenta Belebon, que hoje tem três cães da raça para ajudar nos trabalhos: Maragato, Maragata e Bugra.

Os resultados agradaram tanto que Belebon se tornou um “embaixador” da raça. Após uma capacitação, passou a ser treinador de cães de pastoreio, e ministra oficinas do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) sobre o uso do Border Collie, a fim de incentivar a criação do animal por pecuaristas.

Um dos criadores de gado bovino que passou a adotar o Border Collie no manejo dos animais após realizar um curso do Senar é Lenon Roberto Kuchak Goi, de Ijuí (RS) que tem propriedade focada em recria das raças bovinas Angus e Brangus. Há cerca de um ano, ele introduziu um “novo funcionário” para fazer o manejo de animais: o cão “Beam”, que tem cerca de dois anos.

Embora Beam tenha chegado à propriedade com noções básicas de pastoreio em ovinos, o período de adaptação com os bovinos foi rápido. Segundo Lenon, a presença do cão transformou a lida diária:

— Não me vejo mais criando gado sem o cachorro.

Para o criador, as vantagens do Border Collie vão desde a otimização de custos até a melhoria no bem-estar animal. Por trabalhar de forma técnica e sem agressividade, o cão reduz drasticamente o estresse do rebanho, o que previne perdas de peso causadas pelo nervosismo do gado.

Além da tranquilidade, Lenon destaca a autonomia que ganhou no trabalho.

— Temos sempre umas 60 cabeças na propriedade. E consigo fazer o manejo apenas com o cachorro, não há necessidade de outras pessoas para ajudar — diz.

Segundo Lenon, a economia com mão de obra e o baixo custo de manutenção do animal compensam o investimento. Entusiasmado, Lenon já está adquirindo um novo filhote para garantir a continuidade da parceria no campo.

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