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Falta de gás da Arxen pode custar US$ 210 mi à Alunorte, da Hydro

Fonte: megawhat.uol.com.br | Data: 06/10/2026 07:54:02

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A Norsk Hydro ampliou a estimativa de impacto financeiro dos problemas no fornecimento de gás à refinaria Alunorte, no Pará, após a Celba, da operação brasileira da antiga New Fortress Energy (NFE), hoje Arxen, deixar de entregar os volumes previstos em contrato. A companhia prevê agora um efeito adicional entre US$ 90 milhões e US$ 110 milhões no quarto trimestre.

Somado aos US$ 75 milhões a US$ 100 milhões estimados para o terceiro trimestre, o impacto potencial nos dois períodos fica entre US$ 165 milhões e US$ 210 milhões.

A Alunorte continua sem receber o gás previsto no contrato com a Celba e comprando o combustível no mercado a preços spot, importando diretamente por meio do terminal de regaseificação de GNL pertencente à Arxen. Segundo a Hydro, o impacto estimado para o quarto trimestre decorre da diferença entre o custo dessas compras e os preços contratados.

A companhia informou que segue trabalhando em uma solução de longo prazo para o suprimento de gás em condições competitivas. Não foram divulgados fornecedores, volumes ou condições das negociações.

A Hydro afirmou que não espera novas interrupções no fornecimento de gás em decorrência da situação atual. Em agosto, problemas na disponibilidade de gás fornecido pela Celba levaram a Alunorte a reduzir temporariamente sua produção de alumina para 50% da capacidade.

Na ocasião, a NFE informou que buscava contratar combustível para atender à refinaria em condições compatíveis com sua situação financeira.

A Alunorte passou a comprar GNL diretamente, obteve autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para atuar como autoimportadora e fechou um acordo temporário com a Celba para acesso ao terminal de GNL de Barcarena.

A Hydro estimou uma perda entre 100 mil e 120 mil toneladas de alumina no terceiro trimestre, além do impacto financeiro entre US$ 75 milhões e US$ 100 milhões decorrente da redução da produção e da compra de gás a preços superiores aos previstos no contrato. A estimativa financeira pode variar conforme os preços do combustível, os desdobramentos contratuais e a solução adotada para o suprimento de longo prazo.

Disputa contratual

Os problemas entre Alunorte e Celba antecedem a redução de produção registrada em agosto. No primeiro trimestre de 2025, a Alunorte iniciou uma arbitragem na Câmara de Comércio Internacional (ICC) contra a fornecedora de gás, com pedido de R$ 375,7 milhões por supostos prejuízos relacionados a atrasos no suprimento.

A então New Fortress Energy contestou as alegações e informou que se defenderia no processo.

As empresas também discutem desde 2025 termos do contrato de fornecimento de gás assinado em dezembro de 2021. Em julho deste ano, antes da interrupção anunciada em agosto, a Alunorte pediu à Justiça de São Paulo uma liminar relacionada ao cumprimento do contrato e à aplicação de multas em caso de futuras falhas de entrega, mas o pedido foi negado.

O contrato prevê fornecimento de gás por 15 anos a partir da infraestrutura de GNL instalada em Barcarena.

Arxen pede flexibilização de térmica

Ao mesmo tempo, a Arxen pediu à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorização para zerar, inicialmente por cinco anos, a inflexibilidade contratual da termelétrica Novo Tempo Barcarena, também instalada no hub de gás da empresa no Pará.

A usina tem obrigação de gerar 580,83 MW médios entre julho e dezembro de cada ano. Pela proposta apresentada pela empresa, essa obrigação seria retirada, enquanto a térmica continuaria disponível para despacho pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

O pedido mais recente foi apresentado em setembro como complemento a uma proposta protocolada em abril. A área técnica da Aneel encaminhou o pleito ao ONS e à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) para avaliação dos efeitos sobre a operação do sistema, os contratos e a contabilização do mercado.

A Novo Tempo Barcarena tem 629,367 MW de potência instalada e garantia física de 605 MW médios. No fim de setembro, a Aneel ampliou de 552 MW para 610 MW a autorização de operação comercial da usina.