Baterias crescem no varejo e vendas batem recorde no Brasil
Fonte: spacemoney.com.br | Data: 06/10/2026 09:22:02
O mercado brasileiro de sistemas de baterias para armazenar energia elétrica, conhecidos no setor como BESS, vive um boom de vendas puxado por instalações de menor porte em comércios, indústrias, condomínios e residências, segundo reportagem de Luciano Costa no Brazil Journal. Enquanto o leilão federal para grandes projetos segue previsto para dezembro sob incertezas, o segmento encontrou no varejo a via para crescer em ritmo recorde.
Conforme levantamento da consultoria Greener citado na reportagem, as vendas e contratações de BESS somaram 730 MWh em 2025, mais do que a soma dos cinco anos anteriores. Nos seis primeiros meses de 2026, foram outros 504 MWh, caminho de um novo recorde histórico. Muitos desses projetos vêm acompanhados de painéis solares em telhados.
O CEO da Greener, Marcio Takata, afirmou ao Brazil Journal que o leilão é relevante, mas que o BESS distribuído deve se firmar como um dos principais vetores de flexibilidade da rede elétrica. A trajetória lembra a da geração solar, que decolou com grandes usinas contratadas pelo governo e depois com telhados e miniusinas. Segundo a Aneel, a geração solar distribuída já soma mais de 53 GW no País, contra 23,6 GW das usinas centralizadas. O armazenamento acumulado no Brasil chega a 1,9 GWh, com companhias como WEG e Grupo Moura apostando no segmento.
O leilão de dezembro deve contratar pelo menos 2 GW para operar quatro horas por dia, o equivalente a 8 GWh, segundo sinalizações de Brasília, ainda que parte do mercado espere volumes maiores. O Ministério de Minas e Energia também programou certames anuais até 2029 para reserva de capacidade, nos quais as baterias disputarão espaço com termelétricas e hidrelétricas reversíveis. Para André Millions, diretor da Thymos Capital, baterias e hidrelétricas reversíveis são hoje os temas mais quentes do setor. A reserva é considerada importante para a rede absorver a oscilação da geração eólica e solar, mas o certame está sob risco por causa do impasse sobre quem paga a conta dos projetos, conforme fontes do setor ouvidas pelo Brazil Journal. A regra atual divide o rateio entre todas as empresas de geração, o que ameaça levar o tema à Justiça, e o setor pressiona o governo a aprovar um projeto do deputado Arnaldo Jardim que transfere o custo aos consumidores.