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Setor busca transformar inovação em estratégia permanente de gestão

Fonte: portalbenews.com.br | Data: 06/10/2026 20:44:25

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Especialistas defendem mudança de cultura, qualificação profissional e maior atenção à segurança cibernética no setor

A transformação tecnológica do setor portuário brasileiro passa por uma mudança que vai além da compra de equipamentos e da implantação de novos sistemas. O desafio envolve incorporar a inovação à estratégia das organizações, ampliar a formação de profissionais qualificados e elevar temas como segurança cibernética ao nível das decisões das diretorias das empresas.

A avaliação foi apresentada por especialistas e representantes dos setores público, privado e acadêmico durante o primeiro dia de programação do Fórum Brasil Export, nesta terça-feira (6), em Brasília. Os painelistas discutiram os caminhos voltados para ampliar inovação no sistema portuário nacional.

Para o diretor de Políticas Setoriais, Planejamento e Inovação do Ministério de Portos e Aeroportos, Tetsu Koike, um dos principais desafios é justamente transformar a maneira como o setor compreende o conceito de inovação. Segundo ele, a proposta é criar um ambiente no qual as iniciativas deixem de depender exclusivamente da disposição de cada gestor.

“A gente quer transformar um sistema completamente heterogêneo, em que cada um faz um pouquinho aqui, um pouquinho acolá, dependendo da vontade do gestor, para um grande sistema de inovação dedicado ao nosso setor”, afirmou.

Koike destacou que esse processo também exige uma mudança de mentalidade em relação aos resultados dos projetos. Na avaliação do diretor, iniciativas que não alcançam inicialmente os resultados esperados também podem gerar conhecimento para as organizações. “Inovação é investimento de longo prazo e é aprender com seus erros. O que não foi um acerto foi um aprendizado, foi aquisição e geração de conhecimento”, disse.

A digitalização crescente das operações também amplia a preocupação com a proteção dos sistemas utilizados pelas empresas. Nilson Oliveira, Chief Operating Officer da Apura Cyber Intelligence, destacou que a segurança cibernética precisa deixar de ser tratada exclusivamente como responsabilidade das equipes de Tecnologia da Informação.

“A gente precisa raciocinar dentro das nossas empresas onde está essa gestão de risco relacionada à segurança cibernética. Se ela ainda é um assunto relegado a uma equipe específica de TI ou a uma empresa terceirizada, isso precisa entrar na agenda dos executivos, da diretoria e da presidência”, afirmou.

Outro ponto considerado estratégico para a consolidação desse ambiente é a aproximação entre inovação, empresas e formação profissional. O sócio-diretor da Technomar Engenharia, Fabiano Rampazzo, destacou que projetos tecnológicos também funcionam como mecanismo para absorção de profissionais altamente qualificados.

Segundo Rampazzo, pelo menos 40% dos profissionais das empresas que integram o consórcio citado por ele possuem mestrado ou doutorado. Para o executivo, investimentos tecnológicos permitem aproveitar o conhecimento produzido com apoio de universidades e programas de formação. “O investimento em tecnologia gera resultado para as empresas, sem sombra de dúvida, mas também gera capacitação e um potencial de novos negócios e de absorção de toda essa mão de obra”, afirmou.

O vice-presidente do AI Brasil e fundador do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) da Universidade Federal de Goiás, Anderson Soares, também defendeu maior aproximação entre educação e inovação. Ele destacou experiências brasileiras que conectam estudantes a projetos financiados pelo setor privado e permitem compartilhar conhecimento entre universidades e empresas.

Para Soares, o Brasil já dispõe de ecossistemas capazes de servir de referência para esse processo. “Tem muita coisa boa no Brasil também. O Porto Digital e o ecossistema de Florianópolis são experiências bastante bacanas”, afirmou.

A integração dessas frentes, segundo os especialistas, é uma das condições para que a modernização deixe de ocorrer por iniciativas isoladas e passe a integrar de forma permanente a gestão e o planejamento do setor portuário.