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Comércio teme novos apagões e cobra resposta rápida da Enel – Times Brasil | CNBC

Fonte: timesbrasil.com.br | Data: 06/10/2026 20:47:33

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A possibilidade de novos apagões e de demora no restabelecimento da energia preocupa o comércio de São Paulo, principalmente diante da chegada do fim do ano e do risco de novos eventos climáticos, avaliou Aldo Nuñes Macri, presidente do Sindilojas-SP, em entrevista nesta terça-feira (6) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo Macri, os mais de R$ 2 bilhões em perdas estimados para comércio e serviços durante os cinco primeiros dias da interrupção iniciada em 10 de dezembro de 2025 podem não representar todo o impacto provocado pela falta de energia.

“Isso, na realidade, é uma estimativa. A Fecomercio vê pelo faturamento. A gente tem vários pontos que dão uma noção do que pode trazer o prejuízo, mas, na realidade, talvez tenha sido até maior”, ponderou.

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O presidente do Sindilojas-SP ressaltou que a entidade não direciona a discussão contra uma empresa específica, mas cobra qualidade e capacidade de reação diante de novas interrupções.

“A gente não tem nada contra as empresas, contra a Enel. Nós precisamos de um serviço de qualidade e que não aconteça novamente”, destacou.

Prejuízo vai além do faturamento

Para Macri, calcular o impacto de um apagão é particularmente difícil porque as perdas não se limitam às vendas que deixam de ocorrer. Mercadorias, equipamentos e outros custos decorrentes da paralisação também pesam sobre os estabelecimentos.

“É sempre maior do que normalmente nós estimamos”, observou ao comentar a dificuldade de chegar a um valor exato.

O impacto também varia conforme a atividade. Segundo Macri, os segmentos de bares e restaurantes sofreram consequências maiores porque dependem diretamente de energia para conservar produtos e manter suas operações.

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No caso do comércio de vestuário, representado pelo sindicato, a perda direta foi menor em comparação com outros setores, mas houve redução de faturamento e necessidade de orientação jurídica aos lojistas.

Falta de previsão agrava impacto

Além da duração das interrupções, Macri apontou a falta de previsibilidade sobre o retorno da energia como um dos principais problemas enfrentados pelos comerciantes.

“O problema maior é a rapidez, porque o cliente vem lá de fora, do interior, vem de outros estados. ‘São Paulo está sem luz’, pronto, ele vai adiar para mais uma semana, para mais um mês. Então, tudo isso encarece a nossa venda”, explicou.

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O dirigente lembrou situações em que comerciantes precisaram esperar dias pelo atendimento da concessionária e relatou casos em que empresas chegaram a contratar eletricistas por conta própria para restabelecer ligações, assumindo riscos diante da necessidade de voltar a funcionar.

Pequenos têm dificuldade para buscar ressarcimento

O Sindilojas-SP colocou seu departamento jurídico à disposição dos associados após o apagão, mas Macri reconheceu que pequenos e médios empresários encontram dificuldades para documentar os prejuízos e buscar ressarcimento.

“Tudo tem que ser documentado. E muitos comerciantes pequenos e médios não têm essa facilidade de se preparar para uma ação, para fazer a devida cobrança”, ressaltou.

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Segundo ele, parte desses empresários acaba adiando a iniciativa e, com o passar do tempo, deixa de buscar a compensação pelas perdas.

Macri também criticou a demora para que eventuais ressarcimentos cheguem ao comerciante. “Nós precisamos: hoje ficou fechado, mas amanhã tem que abrir, nós temos que faturar”, reforçou.

Julgamento da Enel é suspenso

Durante a tarde, o julgamento da Aneel sobre a eventual recomendação de caducidade da concessão da Enel SP foi suspenso por um pedido de vista. Até o momento, dois votos foram apresentados pela recomendação de caducidade, mas a deliberação não foi concluída. A agência ainda não anunciou uma nova data para a retomada da análise.

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Para Macri, o adiamento aumenta a incerteza justamente quando o comércio se preocupa com a capacidade de resposta a novos eventos.

“Isso vai retardando o problema. Eu não sei se a Enel hoje está em condições de, se tiver um novo apagão, ter uma recuperação rápida”, alertou.

O presidente do Sindilojas-SP voltou a dizer que a principal preocupação não é definir qual empresa ficará responsável pela concessão, mas assegurar que a atual concessionária ou uma eventual substituta tenha estrutura para enfrentar novas ocorrências.

“A nossa preocupação não é contra a Enel. Nós queremos, na realidade, que a empresa, seja ela ou outra, esteja preparada para o que vem aí na frente, para a gente não ter um novo apagão”, enfatizou.

Para Macri, uma solução é especialmente importante para pequenos e médios comerciantes, que dispõem de menos recursos para suportar vários dias de portas fechadas. “Dois, três dias fechados são perda de faturamento. Tudo isso acarreta talvez até uma falência futura”, concluiu.

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