IA e seguros: dilema regulatório no mercado
Fonte: istoedinheiro.com.br | Data: 06/10/2026 21:13:34
O avanço rápido e a sofisticação da inteligência artificial geraram um impasse regulatório e comercial no mercado de seguros. Durante painel da NetDiligence Digital Risk Summit, realizado nesta terça-feira (6 de outubro) em Filadélfia, nos Estados Unidos, executivos e especialistas do setor divergiram sobre como enquadrar as ameaças decorrentes do uso da tecnologia — em um momento em que cibercriminosos já utilizam IA para otimizar ataques.
A principal controvérsia gira em torno da apólice adequada para cobrir esses sinistros. Enquanto uma parte do mercado defende a inclusão no seguro cibernético tradicional, outros apontam que a tecnologia ultrapassa o âmbito tecnológico, ingressando na esfera de governança corporativa e responsabilidade de executivos.
Especialistas apontam fragmentação de riscos
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Governança e D&O: Para Gail Arkin, vice-presidente sênior da Berkley Cyber Risk Solutions, os riscos extrapolam a área eletrônica. Questões como violação de direitos autorais, uso indevido de dados não autorizados e discriminação algorítmica recaem sobre as políticas e decisões dos conselhos de administração. “É mais do que uma questão cibernética, trata-se de uma questão de responsabilidade civil de diretores e executivos”, defendeu Arkin, comparando a situação ao fenômeno da “IA silenciosa”, presente de forma invisível em diversas apólices vigentes.
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Classificação por categorias: Tim Nazzaro, gerente global de produtos digitais da Hartford Steam Boiler, dividiu as exposições em três frentes: segurança e privacidade (cobertas por seguros cibernéticos); práticas trabalhistas (para casos em que algoritmos cometem discriminação em contratações); e novos riscos regulatórios ainda sem enquadramento claro. Nazzaro alertou sobre o risco de ampliação indiscriminada de coberturas sem a devida análise de subscrição.
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Análise individualizada: Danielle Roth, chefe de sinistros cibernéticos para a América do Norte na Axa XL, argumentou contra tratar a IA como um conceito monolítico. A executiva recomendou retorno à análise básica de contrato — identificando segurado, tipo de sinistro e exclusões — e ressaltou que, em muitos casos de violação, pode ser impossível determinar se a IA foi efetivamente empregada no ataque.
“Há tantas coisas que podem dar errado e que vão além da área eletrônica que, basicamente, cheguei à conclusão de que se trata de uma questão de responsabilidade civil de diretores e executivos.”
— Gail Arkin, diretora jurídica da Berkley Cyber Risk Solutions.
Uso de IA por hackers acelera ataques extorsivos
Paralelamente às discussões sobre apólices, o mercado enfrenta um salto na eficiência dos ataques cibernéticos. De acordo com Michael Brunetti, vice-presidente de resposta a incidentes da MOXFIVE, o cibercrime migrou com força para ambientes de nuvem e aplicações Software as a Service (SaaS), com grupos como o ShinyHunters na liderança.
O uso da inteligência artificial por invasores alterou a dinâmica das extorsões: a tecnologia permite varrer dados roubados em busca de informações confidenciais, elaborar mensagens de ameaça personalizadas e mapear perfis de executivos em minutos ou horas — tarefas que antes exigiam semanas de trabalho manual.
Apesar da sofisticação computacional, a porta de entrada para a maioria das invasões continua sendo simples. Segundo Roth, da Axa XL, o setor de advocacia superou o de saúde como o principal alvo recente de criminosos, e a maioria dos incidentes ainda decorre de engenharia social e phishing, reforçando o fator humano como a principal vulnerabilidade e linha de defesa das organizações.
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