Reconstrução mamária é desafio no SUS
Fonte: tribunadonorte.com.br | Data: 06/10/2026 22:29:30
Redação Tribuna do Norte
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22h27
Cerca de 80% das mulheres submetidas à mastectomia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) não têm acesso à reconstrução mamária, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia. O dado foi destacado no último dia 01 de outubro, durante a abertura do Outubro Rosa 2026, em Natal, que também marcou o lançamento do projeto Reflorescer, iniciativa que busca arrecadar recursos para realizar um mutirão de reconstrução mamária no Rio Grande do Norte.
De acordo com a presidente da SBM-RN, Roberta Jales, o mutirão está previsto para novembro, na Liga Contra o Câncer, e contará com a participação de mastologistas voluntários do Rio Grande do Norte e de outros estados. Ao todo, serão 16 médicos envolvidos na ação, que terá dois dias de procedimentos.
“Nós, mastologistas locais, e outros oito mastologistas também referência em reconstrução que estão vindo de fora. Serão dois dias de reconstrução e a gente conta com a participação da sociedade porque é um projeto realmente que demanda custos”, afirmou Roberta Jales.
A reconstrução mamária é um procedimento realizado para restaurar o formato e o volume da mama após a mastectomia, cirurgia que pode ser necessária no tratamento do câncer de mama.
A técnica pode ser feita com prótese de silicone, expansor ou tecidos da própria paciente, de acordo com as condições clínicas e a avaliação da equipe médica.
A iniciativa do projeto Reflorescer pretende atender mulheres que passaram pelo tratamento do câncer de mama e foram submetidas à mastectomia, mas não tiveram acesso à cirurgia reconstrutiva.
Segundo a médica, a proposta é contribuir para a recuperação da autoestima e da qualidade de vida dessas pacientes.
“A gente quer trazer essas mulheres que são vencedoras do câncer de mama para que elas também tenham autoestima e tenham vida”, disse a mastologista.
As camisetas e os lenços da campanha estão à venda nas lojas Beat.co, AVVA e na Clínica Roberta Jales, além de outros pontos de comercialização que serão divulgados pela organização.
Para viabilizar o mutirão, a Sociedade Brasileira de Mastologia no Rio Grande do Norte promove a venda de camisetas e lenços da campanha. Os recursos arrecadados serão destinados aos custos necessários para a realização dos procedimentos. A ação conta com a participação de médicos voluntários e apoio de instituições e empresas.
Aos 32 anos, Ingrid Saraiva descobriu o câncer de mama e passou por quimioterapia, cirurgia para retirada da mama e radioterapia.
A reconstrução mamária começou logo após a mastectomia, com a colocação de um expansor, e foi concluída posteriormente com próteses de silicone.
Para ela, o procedimento representou mais do que uma etapa do tratamento. “Agora eu consigo colocar um biquíni. Eu consigo me olhar no espelho e me enxergar novamente mulher”, contou.
Segundo ela, outras mulheres que passam pelo mesmo tratamento permanecem em filas por longos períodos ou sequer conseguem ter acesso à cirurgia.
O sócio da SBM-RN, Jader Gonçalves, avalia que o acesso ao procedimento pelo SUS melhorou nos últimos anos, mas ainda não atende toda a demanda. “A demanda é muito grande e nós não temos ainda um número de profissionais que consiga dar cobertura a toda essa necessidade”, defende.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 1.160 novos casos de câncer de mama no Rio Grande do Norte.
Além da reconstrução mamária, a campanha do Outubro Rosa destaca a importância da prevenção. A Sociedade Brasileira de Mastologia defende que mulheres façam mamografia anualmente a partir dos 40 anos.
Conforme o mastologista Jader Gonçalves, o intervalo de dois anos entre os exames pode atrasar a identificação de tumores e reduzir as chances de diagnóstico precoce. “Os estudos mostram e provaram que o exame anual é a maneira mais segura de você manter um controle e um diagnóstico precoce”, afirmou.
De acordo com o especialista, quando o câncer de mama é identificado em tumores com menos de um centímetro, as chances de cura ultrapassam 95%, além de o tratamento ser menos agressivo.
Ele também orienta que as mulheres conheçam o próprio corpo e procurem atendimento médico diante de qualquer alteração nas mamas.