Maioria dos deputados do DF que aprovaram compra do Master é reeleita
Fonte: tvbrasil.ebc.com.br | Data: 06/10/2026 22:56:40
No Distrito Federal, um dado chama atenção após as eleições do último domingo: 80% da bancada da Câmara Legislativa que aprovou a compra do extinto Banco Master pelo Banco de Brasília conseguiu se reeleger, assim como seis dos sete contrários à proposta.
A sessão da Câmara Legislativa do Distrito Federal que autorizou a compra do Master pelo Banco de Brasília, o BRB, ocorreu em agosto de 2025. Na época, 22 deputados distritais participaram da votação. Dos 15 favoráveis à compra, 11 foram reeleitos e um garantiu vaga na Câmara Federal. Também foi alta a reeleição entre os sete distritais que votaram contra a compra do Master pelo BRB. Seis deles renovaram os mandatos.
“Quando a gente elege um deputado, um vereador, um parlamentar, a gente elege ele para legislar e para fiscalizar. Elege ele, portanto, para ser um escudo moral, ético, daquilo que é bom para a população e daquilo que é ruim para a população”, destaca Carlos Fareh, especialista em Gestão Pública.
Na avaliação do cientista político Ariel Calmon, escândalos de corrupção podem influenciar a decisão do eleitor, mas outros fatores também pesam na hora do voto. “O eleitor se sente impactado. Ele só não considera isso como uma variável crucial para definir o seu voto. Ele busca outros elementos, porque esse já não é mais um fator de distinção. O eleitor focou mais naquela realização do candidato na sua base local, junto às suas comunidades, e menos em como ele discutia grandes questões, como essa do BRB”, afirma.
A negociação autorizada pela maioria dos distritais foi barrada pelo Banco Central cerca de um mês depois da aprovação. Mesmo assim, o BRB já havia realizado mais de R$ 16 bilhões de reais em operações com o Master. O banco público de Brasília ainda tenta recuperar os recursos.
O resultado do primeiro turno das eleições mostrou que esse escândalo teve pouco impacto sobre a escolha dos eleitores em todo o Brasil. Parte dos políticos com relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ou citados no caso Master se manteve nos cargos ou continua na disputa do segundo turno.
“A mensagem que a gente tem que deixar para a população… nós precisamos ser mais fiscalizadores, nós precisamos estar mais atentos àquilo que é feito, àquilo que é promovido, àquilo que é proposto, mas também deixar um alerta. O fato desses parlamentares terem sido reeleitos não absolve ninguém da responsabilidade que eles têm. O fato deles terem sido reeleitos, a carteira deles ter sido assinada por mais quatro anos de trabalho não os isenta da responsabilidade em casos como esse”, lembra Carlos Fareh
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