Investigações da Polícia Federal revelam conexões entre políticos eleitos e Banco Master
Fonte: saobentoemfoco.com.br | Data: 06/10/2026 22:44:01
Treze políticos eleitos nas eleições de 2026 figuram em documentos, registros de viagens, articulações e transações financeiras vinculadas ao Banco Master ou ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O levantamento abrange situações distintas, que vão desde citações diretas em relatórios da Polícia Federal (PF) até o registro de encontros e contatos mantidos entre parlamentares e o núcleo do banco.
Conexões diretas e o papel de Jaques Wagner
O senador reeleito Jaques Wagner (PT-BA) é um dos nomes mais citados nas investigações. A PF identificou 74 ligações entre o parlamentar e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, totalizando cerca de cinco horas e meia de conversas entre novembro de 2023 e maio de 2025. A relação remonta ao período em que Wagner chefiava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, quando a Ebal foi arrematada por Lima, dando origem ao Credcesta.
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Os investigadores apontam convergências entre a atuação do senador e os interesses do grupo Master, especialmente na ampliação do crédito consignado e em mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A PF também analisa registros de aeronaves utilizadas pelo senador e tratativas sobre um imóvel de R$ 2,45 milhões em Salvador. A defesa de Wagner contesta as conclusões da investigação e afirma que todos os esclarecimentos necessários foram prestados.
Gestão pública e o modelo do Credcesta
O senador eleito Rui Costa (PT-BA) e o governador reeleito Jerônimo Rodrigues (PT-BA) aparecem no contexto da operação devido às decisões administrativas ligadas ao Credcesta. A privatização da Ebal, ocorrida em 2018 durante a gestão de Rui Costa, permitiu que o cartão se tornasse uma operação de crédito consignado exclusiva para servidores estaduais. Posteriormente, um decreto de 2022 restringiu a portabilidade dos empréstimos, consolidando a exclusividade do Master.
Rui Costa nega qualquer favorecimento ao banco, argumentando que a estrutura atual da instituição não existia no momento da venda da estatal. Por sua vez, o governo baiano informou que o programa está sob administração privada desde 2018 e que o contrato permanece sob análise. O nome de ambos os políticos também foi encontrado em listas de possíveis presentes elaboradas por Augusto Lima, embora não haja comprovação de recebimento de vantagens.
Intermediações e serviços jurídicos sob suspeita
O deputado federal reeleito Hugo Motta (Republicanos-PB) é investigado por mensagens que sugerem a intermediação de um empréstimo de R$ 22 milhões do Banco Master para uma empresa controlada por sua cunhada, Bianca Medeiros. A operação, realizada em março de 2024, utilizou cotas de uma empresa com capital social de R$ 100 mil como garantia. Motta nega irregularidades e afirma que não intermediou o contrato.
Já o deputado federal eleito Antonio Rueda (União Brasil-RJ) teve seu nome vinculado a repasses de R$ 6,4 milhões do Master para escritórios de advocacia ligados a ele. Rueda sustenta que os valores referem-se a serviços jurídicos prestados e nega as acusações contidas em uma proposta de delação de Vorcaro, que não foi homologada. O parlamentar também é citado por sua atuação como interlocutor político em negociações para a venda do banco ao BRB.
Para mais detalhes sobre o andamento das apurações, consulte o portal Gazeta do Povo.