Adeus, gaze? Novo curativo líquido promete proteger feridas e acelerar a cicatrização
Fonte: diariodopara.com.br | Data: 07/10/2026 09:09:06
Curativos tradicionais podem causar dor, desconforto e até atrapalhar a cicatrização de feridas. A retirada de gazes e ataduras, por exemplo, pode arrancar parte do tecido novo que está se formando. Em regiões como cotovelos e joelhos, o atrito também pode limitar os movimentos.
Para reduzir esses problemas, pesquisadores da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp desenvolveram um curativo líquido que forma uma película protetora transparente sobre a ferida em até 45 segundos.
Curativo líquido criado por pesquisadores dispensa gaze e acompanha a cicatrização
A tecnologia é aplicada diretamente sobre a região lesionada e dispensa o uso de gaze, esparadrapo ou outros materiais. Segundo os pesquisadores, os testes realizados até agora indicam que o produto pode reduzir em até 50% o tempo de cicatrização.
Película protege a ferida
A pesquisa foi coordenada pelo professor Rubens Maciel Filho, com participação dos pesquisadores André Luiz Jardini Munhoz, Ana Flávia Pattaro e Maria Ingrid Rocha Barbosa Schiavon.
O curativo utiliza um polímero conhecido pela biocompatibilidade com o organismo humano. O desafio era transformar esse material em líquido sem utilizar solventes tóxicos.
A equipe desenvolveu um sistema com solventes de origem renovável e não tóxicos. Depois de aplicado sobre a ferida, o líquido seca rapidamente e forma uma estrutura tridimensional que funciona como uma barreira contra agentes externos e serve de suporte para a regeneração das células.
Outro diferencial é que o material não precisa ser retirado manualmente. Conforme a ferida cicatriza, o próprio organismo metaboliza o polímero.
Mais liberdade para o paciente
Por formar uma película flexível, o curativo pode ser usado em áreas de articulação, como joelhos e cotovelos, sem comprometer a mobilidade.
A proteção também é resistente à água. Com isso, o paciente pode tomar banho sem precisar cobrir a região lesionada. Como a película é transparente, a evolução da cicatrização pode ser acompanhada sem a necessidade de retirar o curativo.
A tecnologia também pode reduzir o risco de contaminação durante as trocas de curativos e diminuir a geração de resíduos biológicos.
Tecnologia também pode ser usada em animais
Os pesquisadores identificaram ainda potencial para o uso do curativo no tratamento de ferimentos em animais.
A tecnologia pode ser uma alternativa aos métodos tradicionais, que muitas vezes são retirados pelos próprios animais ou prejudicados quando eles lambem a região lesionada.
Segundo Rubens Maciel Filho, testes de escalonamento já foram realizados e a tecnologia apresenta potencial para produção em larga escala.
Tecnologia ainda depende de aprovação da Anvisa
O curativo já passou por ensaios pré-clínicos in vivo realizados em parceria com a Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ). De acordo com os pesquisadores, os testes apontaram uma redução de aproximadamente metade no tempo de cicatrização em comparação com curativos tradicionais.
A tecnologia foi licenciada exclusivamente para a Dermbio Biotech, spin-off acadêmica da Unicamp criada a partir das pesquisas desenvolvidas na universidade.
Atualmente, a empresa trabalha nas etapas regulatórias exigidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e na estruturação comercial do produto. Portanto, o curativo ainda não está disponível para uso comercial.
Além do tratamento de feridas, a tecnologia poderá futuramente ser utilizada em dermocosméticos, no recobrimento de implantes e próteses e na liberação controlada de medicamentos, como antibióticos e anti-inflamatórios.