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Banco Master: treze políticos eleitos em 2026 aparecem em registros ligados a Daniel Vorcaro

Fonte: gp1.com.br | Data: 07/10/2026 09:44:22

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Treze políticos eleitos em 2026 aparecem em documentos, registros financeiros, viagens, encontros e articulações relacionadas ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os casos têm naturezas diferentes e a presença dos nomes nos registros não significa, por si só, que tenham cometido irregularidades.

Foto: Rovena Rosa/Agência BrasilBanco Master

Banco Master

1. Jaques Wagner

Senador reeleito pela Bahia, Jaques Wagner (PT-BA) teve 74 ligações identificadas pela Polícia Federal com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Os contatos ocorreram entre novembro de 2023 e maio de 2025 e duraram cerca de cinco horas e meia.

A PF também encontrou registros de aeronaves utilizadas pelo senador, tratativas sobre um apartamento de aproximadamente R$ 2,45 milhões em Salvador e transferências para uma empresa ligada à família dele.

Wagner também aparece em discussões de interesse do grupo Master sobre crédito consignado, Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a negociação com o Banco de Brasília (BRB) e créditos de carbono. O senador nega irregularidades.

2. Rui Costa

Senador eleito pela Bahia, Rui Costa (PT-BA) aparece no caso por decisões relacionadas ao Credcesta durante sua gestão como governador da Bahia.

Em 2018, Augusto Ferreira Lima adquiriu a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), durante o governo de Rui, e transformou o cartão da Cesta do Povo em uma operação de crédito consignado. Em 2022, Rui assinou decreto que restringiu a portabilidade dos empréstimos do Credcesta para outras instituições.

O nome do senador eleito também consta em uma lista de possíveis presentes elaborada por Augusto Lima, sem comprovação de que tenha recebido algum deles. Rui nega favorecimento ao Master.

3. Jerônimo Rodrigues

Governador reeleito da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) aparece em registros relacionados ao Credcesta e em uma lista de possíveis presentes elaborada por Augusto Ferreira Lima.

O programa continuou funcionando durante sua gestão como governador da Bahia, iniciada em 2023, e está ligado à trajetória empresarial de Lima, que posteriormente se tornou sócio de Vorcaro no Banco Master.

A PF não aponta Jerônimo como investigado na Operação Compliance Zero. O governo baiano informou que o Credcesta está sob administração privada desde 2018.

4. Hugo Motta

Deputado federal reeleito pela Paraíba, Hugo Motta (Republicanos-PB) aparece em mensagens encontradas pela PF no celular de Daniel Vorcaro relacionadas a negócios e relações pessoais.

A investigação aponta mensagens que indicariam a participação do deputado na intermediação de um empréstimo de pelo menos R$ 22 milhões do Banco Master para uma empresa controlada por sua cunhada, Bianca Medeiros.

Motta também aparece em conversas com Vorcaro sobre negócios imobiliários e confirmou ter viajado a Portugal às custas do banqueiro. O deputado nega irregularidades e afirma que não intermediou o empréstimo.

5. Antonio Rueda

Deputado federal eleito pelo Rio de Janeiro, Antonio Rueda (União Brasil-RJ) aparece em registros financeiros ligados ao Banco Master. Segundo dados enviados às autoridades, dois escritórios ligados ao político receberam R$ 6,4 milhões do banco.

Rueda afirma que os pagamentos foram por serviços jurídicos efetivamente prestados.

O deputado também aparece nas articulações para a tentativa de venda do Master ao BRB e em registros de uma aeronave disponibilizada por Vorcaro para uma viagem internacional dele e de familiares.

Uma proposta de delação atribuída a Vorcaro, que não foi homologada, também citou Rueda. Ele nega as acusações.

6. Dr. Luizinho

Deputado federal reeleito pelo Rio de Janeiro, Dr. Luizinho (PP-RJ) aparece em registros de encontros sociais com Daniel Vorcaro e outros políticos.

O deputado foi citado como participante de eventos em Nova York e Lisboa, incluindo uma degustação de uísques e charutos.

Seu nome também foi encontrado em um manuscrito apreendido pela PF na casa de Ciro Nogueira. A anotação reúne nomes e números, mas não esclarece o significado dos valores nem comprova pagamentos.

7. Claudio Cajado

Deputado federal reeleito pela Bahia, Claudio Cajado (PP-BA) aparece nas articulações do Congresso relacionadas ao Banco Central durante o período em que a autoridade analisava a compra do Master pelo BRB.

Em setembro de 2025, o deputado apresentou requerimento de urgência para acelerar um projeto que permitia ao Congresso destituir o presidente e diretores do Banco Central.

A proposta ganhou força pouco antes de o Banco Central barrar a operação entre BRB e Master. Cajado nega relação entre a iniciativa e o caso.

8. Isnaldo Bulhões

Deputado federal reeleito por Alagoas, Isnaldo Bulhões (MDB-AL) aparece em registros de uma viagem realizada em agosto de 2025 no mesmo avião utilizado por Daniel Vorcaro.

O registro de um hangar no Aeroporto de Brasília aponta a presença de Vorcaro, Ciro Nogueira, Bulhões, Rodrigo Gambale, Fábio Faria e Bruno Bianco na aeronave, que seguiu para São Paulo.

O nome de Bulhões também aparece no manuscrito apreendido na casa de Ciro Nogueira. O documento não esclarece o significado dos números registrados.

9. Marcos Pereira

Deputado federal reeleito por São Paulo, Marcos Pereira (Republicanos-SP) foi citado como participante de um encontro realizado em Londres, em abril de 2024, patrocinado pelo Banco Master e financiado por Daniel Vorcaro.

O evento reuniu políticos e empresários para uma degustação de uísques e charutos.

Pereira nega ter participado do encontro. Segundo o deputado, ele apenas teria passado em frente ao local.

10. Rodrigo Gambale

Deputado federal reeleito por São Paulo, Rodrigo Gambale (Podemos-SP) aparece no registro de uma viagem realizada em agosto de 2025 no mesmo avião utilizado por Daniel Vorcaro.

O deputado viajou de Brasília para São Paulo na aeronave que também tinha Ciro Nogueira, Isnaldo Bulhões, Fábio Faria e Bruno Bianco.

Gambale afirma que não conhecia Vorcaro e que não sabia que o banqueiro estava no mesmo voo.

11. Thiago Manzoni

Deputado federal eleito pelo Distrito Federal, Thiago Manzoni (PL-DF) aparece no caso pela atuação relacionada à tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB.

Quando era deputado distrital, Manzoni participou da votação que autorizou a operação. O Banco Central posteriormente rejeitou a aquisição.

Depois disso, o parlamentar passou a cobrar explicações sobre a situação financeira do BRB e apresentou requerimento para convocar dirigentes do banco e o secretário de Economia do Distrito Federal.

12. JHC

Governador eleito de Alagoas, João Henrique Caldas, o JHC (PSDB-AL) aparece no caso por investimentos do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) no Banco Master durante sua gestão como prefeito.

O instituto aplicou R$ 97 milhões em Letras Financeiras do Master entre dezembro de 2023 e maio de 2024.

A PF investiga possíveis irregularidades nas aplicações e analisa as condições em que os investimentos foram realizados.

JHC afirma que não participou da decisão e atribui a aplicação dos recursos à estrutura técnica do Iprev.

13. Arthur Lira

Senador eleito por Alagoas, Arthur Lira (PP-AL) aparece em um manuscrito apreendido pela PF na casa de Ciro Nogueira.

A anotação reúne nomes de políticos acompanhados de números. Entre eles está “Arthur”, apontado pelos investigadores como possível referência ao ex-presidente da Câmara.

A PF avaliou a possibilidade de os números representarem valores financeiros, mas o documento não esclarece a origem das anotações nem comprova pagamentos.

Lira também é citado em registros sobre as relações políticas mantidas por Vorcaro em Brasília. O senador nega qualquer irregularidade.

Com colaboração da repórter Thayla Castro