Médica é afastada após orientar que pacientes “petistas” não recebessem alta
Fonte: terramtdigital.com.br | Data: 07/10/2026 12:00:27
Hospital de Goiânia informou que profissional não retornará às atividades; caso também foi levado ao MPF e é apurado pelo conselho de medicina
A médica ginecologista e obstetra Marcella Segato de Sousa Melo foi afastada das atividades no Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia (GO), após a repercussão de mensagens atribuídas a ela em um grupo interno de médicos da unidade.
Segundo o hospital, a profissional foi retirada da escala e não retornará às atividades. A instituição também confirmou que as manifestações ocorreram em um grupo privado utilizado por profissionais médicos.
A polêmica começou após a divulgação de uma mensagem enviada na sexta-feira (2), antes do primeiro turno das eleições. No conteúdo atribuído à médica, profissionais que trabalhariam durante o fim de semana teriam sido orientados a não conceder alta aos pacientes no domingo sob a justificativa de que “a maioria é petista”.
A mensagem teria sido publicada por volta das 16h58 e recebeu reações de outros integrantes do grupo.
O hospital afirmou que manifestações e preferências políticas pessoais não se confundem com as condutas médicas e assistenciais adotadas pela unidade. A instituição informou ainda que o episódio será apurado internamente.
CASO FOI LEVADO AO MPF
O caso também foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) por meio de uma denúncia apresentada pelo advogado Alan Henrique Silva Marques.
Segundo as informações divulgadas sobre o caso, o conteúdo das conversas teria sido repassado ao advogado por um interno de medicina subordinado à profissional, que optou por não se identificar.
Além da mensagem envolvendo a alta de pacientes, outras manifestações políticas atribuídas à médica também foram divulgadas.
Em uma delas, feita no dia anterior, haveria referência ao número 22, associado à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições de 2026. Também foi atribuída à médica uma mensagem prometendo nota máxima no rodízio de medicina a estudantes que votassem no candidato.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que denúncias relacionadas à profissional são apuradas sob sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico.
Até o momento, a divulgação do caso se refere às mensagens atribuídas à profissional e às apurações instauradas. O afastamento foi confirmado pelo hospital.
