Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Morte de cientista na Rússia acende alerta global para possível novo patógeno

Fonte: brasilemfolhas.com.br | Data: 07/10/2026 14:29:10

🔗 Ler matéria original

Uma funcionária de um instituto de pesquisa de peste na Sibéria morreu na semana passada após desenvolver pneumonia, e o caso acendeu alerta entre especialistas em saúde pública. Autoridades russas negam que a peste tenha sido detectada, mas isolaram até 200 pessoas. A OMS pediu mais informações à Rússia.

Relatos locais sugerem que a funcionária teria quebrado um tubo de ensaio contendo bactérias da peste, o que alimentou especulações sobre como ela teria sido infectada. As autoridades russas contestaram essa versão e informaram à Organização Mundial da Saúde (OMS) que a peste não foi detectada nos testes da funcionária nem nos de seus contatos próximos.

Mesmo assim, cerca de 200 pessoas foram colocadas em quarentena, e hospitais locais foram fechados. Para especialistas, a magnitude da resposta seria incomum para um caso isolado de pneumonia. Na noite de terça-feira, a OMS pediu informações adicionais após relatos da imprensa sobre um segundo caso de pneumonia de causa desconhecida.

Jennifer Nuzzo, diretora do Centro de Pandemias da Escola de Saúde Pública da Universidade Brown, disse que o padrão dos eventos não se encaixa na explicação de um acidente de laboratório com uma bactéria conhecida. Em laboratórios que estudam a Yersinia pestis, a bactéria que causa a peste, há protocolos para lidar com exposição acidental, incluindo o uso de antibióticos, que são eficazes contra a peste naturalmente adquirida. “Você ficaria bem. Normalmente, você não morre”, afirmou Nuzzo.

Alguns especialistas consideram a possibilidade de um patógeno modificado geneticamente estar envolvido. Ashish K. Jha, que coordenou a resposta à covid na Casa Branca durante o governo Joe Biden, escreveu no X em 4 de outubro que “uma liberação acidental de um programa deliberado” era um cenário que ele temia há muito tempo. A Rússia tem um longo histórico de bioengenharia de patógenos, e programas soviéticos foram oficialmente encerrados após a queda da União Soviética, mas a situação atual é incerta.

Jha disse que conversas com amigos na administração Trump indicam preocupação com o caso, mas falta informação. “O que espero é que os russos sejam muito transparentes sobre o que estava acontecendo neste laboratório, mas podemos imaginar que talvez não sejam”, afirmou. “Se for peste, respirem aliviados, porque sabemos o que fazer. A preocupação é que não seja isso, que seja algo diferente, algo para o qual não temos soluções fáceis”, acrescentou Nuzzo.

Nuzzo e Jha concordam que o mundo está em situação pior do que antes da covid, com menos monitoramento e menos fluxo de informação entre países. Jha apontou a falta de um sistema de biodetecção nos Estados Unidos e disse que, se alguém infectado na Sibéria pegasse um avião para Nova York, “não saberíamos”. Ele e uma colega da Casa Branca de Biden, Nikki Romanik, criaram uma empresa para desenvolver um sistema de monitoramento chamado BioRadar, que sequencia tudo no esgoto para detectar qualquer coisa que não pertença ao ambiente. O sistema está sendo testado em Dallas.

Jha também afirmou que capacidades de preparação para futuros surtos foram desmontadas pelo secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy, incluindo o programa de vacinas Project Next Gen e o financiamento para plataformas de vacina de mRNA. “Não estamos tão preparados quanto precisaríamos”, disse. Nuzzo ponderou que o caso pode terminar em “coincidência e reação exagerada”, mas defendeu a atenção: “Quando o alarme de incêndio toca, você não fica bravo por ele ter tocado sem motivo. Você fica feliz que nada aconteceu”.