World Space Week 2026: a ‘Revolução dos Foguetes’ explicada – SpaceMoney
Fonte: spacemoney.com.br | Data: 08/10/2026 00:40:37
A Semana Mundial do Espaço de 2026 começou em 4 de outubro e segue até o dia 10 com o tema “Revolução dos Foguetes”. A edição deste ano deve concentrar mais de 50 mil eventos em mais de 100 países e é apresentada como a maior celebração global dedicada ao setor espacial.
O foco da campanha é a transformação pela qual passa o acesso à órbita terrestre. Foguetes reutilizáveis, novos veículos de lançamento e uma indústria comercial em expansão mudaram a lógica de uma atividade que, por décadas, dependeu de foguetes projetados para voar apenas uma vez.
Por que a semana começa em 4 de outubro
A escolha das datas remete a dois marcos do século 20. Em 4 de outubro de 1957, a União Soviética lançou o Sputnik 1, o primeiro satélite artificial a orbitar a Terra. Dez anos depois, em 10 de outubro de 1967, o Tratado do Espaço Exterior entrou em vigor com princípios para a exploração pacífica do espaço. Assinado por Estados Unidos, Reino Unido e União Soviética, o texto estabeleceu que nenhum país poderia reivindicar o espaço como território.
A Assembleia Geral das Nações Unidas instituiu a Semana Mundial do Espaço como observância anual em 1999. Desde então, escolas, agências espaciais, museus e clubes de astronomia organizam atividades que vão de noites de observação do céu a aulas de ciências, exposições e palestras com astronautas e cientistas.
A “Revolução dos Foguetes” em curso
Dennis Stone, presidente da Associação da Semana Mundial do Espaço, afirmou que o tema reconhece o efeito do aumento do acesso ao espaço e da queda nos preços de lançamento, fatores que estimularam o ecossistema espacial e novas aplicações. Segundo ele, a escolha também busca despertar o interesse de estudantes por ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
O avanço aparece em veículos como o Starship, da SpaceX. Em 28 de setembro de 2026, a nave chegou à órbita pela primeira vez em um voo de teste realizado a partir de Starbase, no Texas, e colocou 26 satélites Starlink V3 em órbita. A missão foi encerrada mais cedo por causa de um problema em um motor, mas cumpriu os objetivos principais de alcançar a órbita e liberar a carga.
Ao mesmo tempo, foguetes menores e novas arquiteturas de lançamento ampliaram as opções para organizações que querem colocar cargas no espaço. O resultado é uma indústria com mais participantes e uma variedade maior de missões, de satélites de comunicação e observação da Terra a naves científicas e voos tripulados.
Quem já chegou ao espaço
O primeiro humano a deixar a atmosfera foi o soviético Yuri Gagarin. Em 12 de abril de 1961, a bordo da Vostok 1, ele completou uma volta ao redor da Terra em um voo de 108 minutos, a cerca de 27.400 km/h, e ejetou-se da cápsula antes de pousar de paraquedas. O feito demonstrou que o corpo humano suportava lançamento, ausência de peso e reentrada.
Não existe uma fronteira única do espaço. A maioria dos organismos internacionais usa a linha de Kármán, a 100 km de altitude, enquanto as forças armadas dos Estados Unidos, a NASA e a agência federal de aviação do país consideram viajante espacial quem voa acima de 80 km.
Por esse critério, ao menos 746 pessoas de 52 países já estiveram no espaço, entre astronautas profissionais e turistas pagantes. Os Estados Unidos somam 369 viajantes; a União Soviética e a Rússia, 138 no total; e a China, terceiro país a lançar pessoas com foguetes próprios, 29.
A presença feminina segue minoritária: das 746 pessoas, 112 são mulheres, cerca de 15%, ou uma em cada sete. A soviética Valentina Tereshkova se tornou a primeira mulher no espaço em junho de 1963, e os Estados Unidos só repetiram o feito 20 anos depois, com Sally Ride, em junho de 1983. Mais da metade das mulheres que voaram desde 2020 subiu como passageiras pagantes ou convidadas do foguete suborbital da Blue Origin.
A idade mediana de quem voa é 40 anos, e pessoas na casa dos 30 e dos 40 representam 85% dos viajantes em sua primeira missão. O mais jovem foi Oliver Daemen, aos 18 anos, em 2021. O mais velho, Ed Dwight, tinha 90 anos e oito meses quando voou, em 2024, cerca de dois meses mais velho do que William Shatner havia sido três anos antes.
Os próximos passos da exploração tripulada
Em abril de 2026, a tripulação da Artemis II voou ao redor da Lua e chegou a cerca de 406.771 km da Terra, superando o recorde de distância que pertencia à Apollo 13 desde 1970. O voo, que passou pelo lado oculto da Lua, é descrito pelas Nações Unidas como o mais distante já realizado por seres humanos.
O calendário seguinte prevê a Artemis III em 2027, um ensaio em órbita terrestre para testar a acoplagem com módulos lunares construídos por SpaceX e Blue Origin. A NASA mira 2028 para a Artemis IV, que pretende levar astronautas perto do polo sul lunar, no primeiro pouso tripulado desde 1972.
Fora do programa americano, a Índia planeja o primeiro voo tripulado da missão Gaganyaan em 2027, o que a tornaria o quarto país a lançar pessoas com foguete próprio. A China quer levar astronautas à superfície lunar por volta de 2030.
Eventos, céu e ciência no dia a dia
A programação de 2026 inclui uma exposição temática e um evento do Pokémon GO organizados pela Agência Espacial Europeia em parceria com a The Pokémon Company International. O Centro de Visitantes do Kennedy Space Center, na Flórida, recebe em 9 de outubro uma exposição com a NASA e empresas do setor. A BBC StoryWorks Commercial Productions lança ainda o evento on-line “Space Renaissance”, com a estreia do primeiro filme da série.
Estudantes e clubes de foguetes foram convidados a lançar modelos com equipamentos fornecidos pela United Launch Alliance e pela Estes. A Estes Education desenvolveu, com a Semana Mundial do Espaço, um kit de atividades sobre ciência e engenharia de foguetes que inclui os desafios de projetar veículos reutilizáveis.
Quem preferir olhar para cima tem uma agenda própria: Saturno em oposição em 4 de outubro, a Lua perto de Marte no dia 5, a Lua perto de Júpiter no dia 6, o pico da chuva de meteoros Draconídeos por volta de 8 e 9 de outubro e a Lua nova em 10 de outubro.
O uso cotidiano da tecnologia espacial é outro ponto destacado pela data. Sistemas baseados em satélites sustentam comunicações, navegação, previsão do tempo e observação da Terra, com aplicações crescentes em monitoramento ambiental, resposta a desastres e conectividade.
O que as Nações Unidas fazem no espaço
O Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior foi criado logo após o lançamento do Sputnik, em 1957, e acompanha desde então mais de 77 missões lunares bem-sucedidas. A Assembleia Geral criou em 1959 um comitê para regular a exploração e o uso do espaço em benefício de todos, com foco em paz, segurança e desenvolvimento.
Pelo menos 25 entidades das Nações Unidas usam tecnologias e aplicações espaciais. Em novembro de 2022, a agência nuclear e a organização de alimentação e agricultura do sistema enviaram sementes à Estação Espacial Internacional para testar como condições extremas alteram a genética das plantas e podem ajudar na resiliência climática na Terra. A Organização Mundial da Saúde trabalhou com o escritório espacial da ONU em telemedicina por satélite.
Há também a preocupação com a órbita terrestre: o programa ambiental das Nações Unidas atua para promover a sustentabilidade de longo prazo diante dos 130 milhões de fragmentos de detritos em circulação, entre restos de satélites e naves abandonadas.
Como curiosidade histórica, em 1990 um documentário produzido para as Nações Unidas reuniu 17 astronautas para narrar suas experiências fora da Terra. Um deles disse que sentiu amor por todos os habitantes do planeta ao observar o mundo do lado de fora.