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Galípolo relata à PF demora na fiscalização do Banco Master e cita reuniões tensas

Fonte: acritica.net | Data: 08/10/2026 09:57:16

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Gabriel Galípolo afirmou à Polícia Federal que houve “demora injustificada” na fiscalização do Banco Master e relatou dificuldades para obter documentos detalhados sobre as operações da instituição. O presidente do Banco Central também disse ter se posicionado contra a venda do Master ao Banco Regional de Brasília por avaliar que a operação poderia causar prejuízo ao banco público do Distrito Federal.

Galípolo prestou depoimento na terça-feira (6), como testemunha, no inquérito que apura suspeitas de cooptação de dois servidores do Banco Central, Belline Santana e Paulo Sérgio Neves Souza. Segundo ele, ambos resistiam a entregar relatórios com informações sobre possíveis fraudes financeiras.

O presidente do BC afirmou ainda que realizou reuniões em “clima de tensão” e “com palavrões” para cobrar providências. A intenção, segundo o depoimento, era obter material suficiente para encaminhar ao Ministério Público Federal indícios de irregularidades envolvendo o Master.

Equipe paralela foi criada para avançar na apuração

Galípolo declarou que o diretor de fiscalização Ailton de Aquino foi o primeiro a identificar inconsistências nas carteiras de crédito consignado vendidas pelo Master ao BRB.

Segundo o presidente do BC, ele insistiu para ter acesso aos documentos com os fluxos financeiros dessas carteiras, mas afirmou que Belline e Paulo Sérgio não apresentavam o material e sustentavam que os documentos fornecidos pelo banco eram suficientes.

Diante da demora, Galípolo disse ter formado uma equipe de auditoria com outros integrantes do Banco Central, sem a participação dos dois servidores investigados.

O depoimento foi prestado após Paulo Sérgio afirmar à PF que Galípolo teria segurado o envio de um relatório ao Ministério Público. O presidente do BC contestou essa versão e disse que ocorreu o contrário, atribuindo aos servidores a demora na apresentação do material.

A investigação também apura vínculos entre os servidores e pessoas ligadas a Daniel Vorcaro. Belline foi contratado para uma consultoria por uma pessoa ligada ao banqueiro, enquanto Paulo Sérgio vendeu um terreno ao cunhado de Vorcaro. Conversas extraídas de celular também indicariam orientações ao banqueiro sobre a defesa do Master perante o Banco Central.

O BC posteriormente vetou a venda do Master ao BRB e liquidou a instituição em 18 de novembro de 2025, data em que foi deflagrada a Operação Compliance Zero.