Galípolo atribui aos dois servidores do BC a demora na fiscalização do Master
Fonte: revistaoeste.com | Data: 08/10/2026 14:09:31
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, depôs à Polícia Federal em 6 de outubro de 2026, afirmando que tentou obter documentos sobre o Banco Master com dois servidores, mas enfrentou resistência e atrasos. Ele alegou que formou uma equipe de auditoria devido à falta de respostas e que houve discussões tensas para acelerar um relatório sobre possíveis crimes financeiros.
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira, 6, à Polícia Federal (PF) que insistiu com Belline Santana, então chefe de supervisão bancária, e Paulo Sérgio Neves Souza, adjunto do setor, para obter documentos sobre as operações financeiras do Banco Master, mas não conseguiu acesso ao material.
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Segundo seu depoimento, revelado por O Estado de S. Paulo, houve uma “demora injustificada”. Os dois servidores deixavam de apresentar os registros solicitados e sustentavam que as transações realizadas pela instituição de Daniel Vorcaro estavam regulares.
Galípolo declarou que pretendia examinar os fluxos financeiros das carteiras de crédito consignado vendidas pelo Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). Conforme seu relato, diante da falta de respostas e do atraso na fiscalização, determinou a formação de uma equipe de auditoria composta de outros integrantes do BC, sem a participação de Belline nem Paulo Sérgio.
O dirigente afirmou que chegou a cobrar providências em reuniões “em clima de tensão” e “com palavrões”. As discussões, segundo ele, tinham como objetivo acelerar a elaboração de um relatório com indícios de possíveis crimes financeiros, destinado ao Ministério Público Federal (MPF). Apesar das cobranças, o documento não era entregue.
Galípolo afirmou que foi o diretor de fiscalização Ailton de Aquino, superior hierárquico dos dois servidores, quem inicialmente identificou as inconsistências nas carteiras de crédito do Master.
O depoimento foi prestado na condição de testemunha, no inquérito que investiga a suspeita de que Vorcaro tenha cooptado os dois servidores para favorecer os interesses do Master dentro do BC.
A convocação de Galípolo ocorreu depois que Paulo Sérgio afirmou à PF que o presidente do BC havia retardado o envio de um relatório ao MPF com indícios de crimes financeiros.
Galípolo contestou a acusação e diz que a situação foi inversa. Atribuiu ao próprio servidor a resistência à produção dos documentos. Conforme seu relato, Paulo Sérgio considerava suficientes as explicações fornecidas pelo Master para justificar as operações questionadas.
A investigação da PF identificou possíveis vínculos financeiros entre os funcionários e pessoas próximas a Vorcaro. Entre os negócios examinados estão a contratação de Belline para serviços de consultoria por uma pessoa ligada ao banqueiro e a negociação de um imóvel rural de Paulo Sérgio com uma empresa vinculada ao cunhado do controlador do Master.
Presidente do BC diz que foi contra aquisição do Master pelo BRB
Os investigadores também encontraram conversas em aparelhos celulares que, segundo a apuração, revelam que os servidores orientavam Vorcaro sobre como responder aos questionamentos do BC. A suspeita é que ambos tenham prestado uma espécie de assessoria informal ao banqueiro, apesar de exercerem funções de fiscalização na instituição responsável por supervisionar suas atividades.
As defesas de Belline e Paulo Sérgio negam que eles tenham favorecido o Master ou recebido vantagens indevidas. A conduta dos dois também é examinada pela Controladoria-Geral da União (CGU), em processo administrativo-disciplinar que pode resultar na expulsão dos servidores dos quadros do BC.
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Galípolo também afirmou à PF que se posicionou internamente contra a aquisição do Master pelo BRB. Segundo o presidente do BC, sua avaliação era que a operação poderia provocar perdas financeiras expressivas para o banco público do Distrito Federal.
A negociação acabou vetada pela autoridade monetária. Em 18 de novembro de 2025, o BC decretou a liquidação do Master, na mesma data em que a PF deflagrou a Operação Compliance Zero, responsável pela primeira prisão de Vorcaro.