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Investigada no caso Banco Master pede retirada de tornozeleira | 40graus

Fonte: 40graus.com.br | Data: 08/10/2026 13:59:19

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A defesa de Ana Cláudia Queiroz de Paiva, investigada em um processo que envolve o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (8), a retirada da tornozeleira eletrônica utilizada por ela desde março. Os advogados alegam que a medida compromete sua busca por emprego e provoca constrangimentos durante processos seletivos.

Segundo a petição, Ana Cláudia está sem renda desde fevereiro de 2026 e já se candidatou a mais de 100 vagas na área de administração financeira. Apesar de ter participado de entrevistas em setembro, ela enfrenta restrições de deslocamento e afirma sofrer preconceito devido à exposição do equipamento.

O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator da investigação que também envolve Daniel Vorcaro e Fabiano Campos Zettel.

Defesa quer substituir tornozeleira por comparecimento mensal à Justiça

Os advogados solicitaram que o monitoramento eletrônico seja substituído pela obrigação de comparecimento mensal à Justiça, em Belo Horizonte, onde Ana Cláudia reside.

A defesa também pretende obter autorização para que a investigada possa circular pelo território nacional ou, alternativamente, por Minas Gerais.

Atualmente, as restrições de deslocamento permitem que ela procure apenas empregos presenciais em Belo Horizonte ou oportunidades de trabalho remoto.

Segundo os advogados, a medida impede a participação em processos seletivos em municípios próximos, como Nova Lima, Contagem e Betim.

A petição propõe manter outras determinações judiciais, incluindo a proibição de deixar o Brasil, a retenção do passaporte e a vedação de contato com testemunhas e demais investigados.

Investigada afirma que apenas executava pagamentos autorizados

Outro argumento apresentado ao Supremo diz respeito às funções exercidas por Ana Cláudia na Super Empreendimentos e Participações S.A., empresa mencionada na investigação.

A defesa contesta a interpretação de que ela teria participação societária na companhia. Segundo os advogados, Ana Cláudia ocupava o cargo de diretora administrativa e desempenhava atividades relacionadas à organização de contas a pagar.

Sua responsabilidade, conforme a petição, consistia em preparar a relação mensal de despesas, encaminhar os pagamentos para autorização e executar as operações depois de aprovadas.

Os defensores sustentam que Ana Cláudia não possuía autonomia para decidir sobre transferências financeiras.

A própria investigação, segundo a defesa, teria identificado uma divisão de responsabilidades na qual Daniel Vorcaro determinava os pagamentos, Fabiano Zettel autorizava as operações e Ana Cláudia realizava a execução.

Os advogados argumentam que essa estrutura demonstraria uma posição subordinada da investigada, sem influência sobre as decisões financeiras.

A petição também afirma que ela não possui poder econômico ou influência institucional que justifiquem a continuidade do monitoramento eletrônico.

Advogados alegam colaboração com a Polícia Federal

Para justificar a retirada da tornozeleira, a defesa apresentou informações sobre o comportamento de Ana Cláudia desde a imposição das medidas cautelares, há aproximadamente sete meses.

Segundo os advogados, ela estava em São Paulo quando ocorreram as buscas relacionadas à investigação, mas retornou imediatamente a Belo Horizonte para se apresentar à Polícia Federal.

Na ocasião, entregou seu passaporte e cumpriu a determinação de instalação do equipamento de monitoramento.

A defesa afirma ainda que Ana Cláudia compareceu às autoridades sempre que foi intimada e forneceu esclarecimentos por escrito.

Também teriam sido entregues as senhas dos aparelhos eletrônicos apreendidos, além da disponibilização de dados digitais e da digitalização de documentos encontrados em sua residência.

Os advogados ressaltam que a Polícia Federal não solicitou a prisão da investigada, mas a aplicação de medidas cautelares, como restrições de deslocamento, proibição de contato e monitoramento eletrônico.

Tornozeleira causa constrangimento em entrevistas, diz defesa

Além das limitações profissionais, a petição relata consequências pessoais atribuídas ao uso da tornozeleira.

De acordo com os advogados, o equipamento fica visível durante entrevistas de emprego e em situações cotidianas, expondo Ana Cláudia a julgamentos antecipados relacionados à investigação.

A defesa argumenta que essa exposição prejudica suas possibilidades de recolocação no mercado de trabalho, especialmente porque ela continua submetida a uma investigação e não foi condenada.

Os advogados também afirmam que a investigada deixou de praticar atividades físicas, como musculação, pilates e corrida, depois da instalação do dispositivo.

Segundo a petição, o equipamento provoca constrangimento e limita determinados movimentos durante os exercícios.

Com base nesses argumentos, a defesa solicita que o STF reavalie a necessidade de manutenção da tornozeleira e das restrições territoriais.

O pedido está sob análise do ministro André Mendonça. A solicitação não significa que as medidas tenham sido revogadas, e a decisão sobre a permanência ou substituição das restrições caberá ao Supremo.