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Mercopar 2026 projeta salto em internacionalização industrial e encadeamento produtivo em Caxias do Sul

Fonte: brasilinovador.com.br | Data: 08/10/2026 19:15:25

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A 35ª edição da Mercopar, considerada a maior feira de inovação industrial da América Latina, será realizada entre os dias 20 e 23 de outubro de 2026 no Centro de Feiras e Eventos Festa da Uva, em Caxias do Sul (RS). O encontro corporativo, promovido conjuntamente pelo Sebrae RS e pelo Sistema FIERGS, tem como eixos centrais a inovação fabril, automação, tecnologia aplicada e geração direta de negócios entre companhias de diferentes portes. Com espaço comercial totalmente esgotado, o evento congrega centenas de marcas expositoras nacionais e estrangeiras, além de compradores corporativos voltados a suprimentos e desenvolvimento de novos mercados.

Com inscrições gratuitas abertas ao público profissional, a feira atua como catalisadora para ampliar a competitividade do parque manufatureiro brasileiro. O evento consolida a conexão entre fornecedores de insumos, bens de capital e prestadores de serviços tecnológicos com grandes corporações de setores de alta complexidade técnica, como mobilidade e transporte aéreo comercial.

Vocação metalmecânica e reposicionamento estratégico

A longevidade da Mercopar reflete a evolução direta das demandas da indústria de transformação nacional. Realizada no coração do segundo maior polo metalmecânico do Brasil, a feira passou por uma transformação estrutural iniciada em 2019, momento em que o Sebrae RS e a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS) estabeleceram gestão compartilhada da iniciativa. A parceria redirecionou o escopo histórico do encontro: antes centrado predominantemente na exibição estática de máquinas operatrizes, o evento passou a priorizar a inovação tecnológica transversal, produtividade operacional, transição energética e abertura de mercados de exportação.

De acordo com informações divulgadas pelo Sebrae RS, por meio de Bárbara Heller, analista de Competitividade Setorial e gestora da iniciativa, a integração interinstitucional viabilizou manter a relevância técnica da feira diante das mudanças tecnológicas globais. Segundo a entidade, a vocação de aproximar corporações foi preservada, mas redirecionada para responder à digitalização e às exigências contemporâneas de eficiência industrial. Essa reformulação contínua fundamenta a expansão da feira em sua 35ª edição consecutiva.

O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul e Região (Simecs), Paulo Scopel, ressaltou em pronunciamento institucional alinhado ao Sistema FIERGS que a cooperação técnica entre entidades de fomento e representação setorial fortalece o ambiente produtivo regional. O dirigente destacou que a união de competências fomenta o ecossistema inovador, amplia o fechamento de contratos fabris e solidifica o evento como uma das principais referências em desenvolvimento industrial e capacidade produtiva do Rio Grande do Sul perante o mercado latino-americano.

Indicadores comparativos e expansão de mercado

Em termos operacionais e comerciais, a feira atinge lotação plena em 2026, registrando mais de 500 expositores oriundos de diversas unidades federativas brasileiras e de delegações internacionais, incluindo representações de Portugal. O desempenho segue a trajetória de expansão verificada na edição de 2025, quando a Mercopar concentrou 528 expositores — entre os quais 60 startups de base tecnológica —, com delegações de 12 estados do país e empresas da China, registrando público superior a 44 mil visitantes credenciados.

A tabela a seguir resume as métricas comparativas consolidadas pela organização entre os ciclos operacionais de 2025 e 2026:

Indicador Operacional Edição 2025 (Realizada) Edição 2026 (Projetada)
Expositores Totais 528 marcas Mais de 500 marcas (espaço esgotado)
Startups Participantes 60 negócios Presença transversal em inovação
Delegações Internacionais Representações de 12 estados e China Brasil e Portugal, foco em compradores globais
Rodadas de Negócios 8.799 reuniões corporativas Ênfase em cadeias automotiva e aeroespacial
Público Visitante Mais de 44.000 profissionais Ampliação de compradores qualificados

Segundo o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, a Mercopar atua como instrumento central para a democratização da inovação no meio produtivo. Em avaliação divulgada pela entidade, o dirigente pontuou que empresas industriais encontram limitações de agilidade quando operam o desenvolvimento de novas tecnologias de forma isolada. A feira atua, portanto, como polo integrador entre fabricantes, base de suprimentos, clientes corporativos, universidades e centros de pesquisa aplicada.

Sob a ótica dos pequenos negócios, o presidente do Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae RS, Luiz Carlos Bohn, detalhou que a estrutura montada no pavilhão da Serra Gaúcha permite acesso equitativo a inovações de fronteira. Para o executivo, a dinâmica das Rodadas de Negócios permanece como o principal instrumento de equalização comercial, permitindo que fornecedores de pequeno e médio porte apresentem seus portfólios diretamente aos departamentos de compras de conglomerados industriais.

Integração técnica de cadeias produtivas globais

O principal vetor econômico da 35ª edição da feira concentra-se no aprofundamento das cadeias de valor com alto nível de exigência de conformidade e homologação técnica. Dentre as atividades estruturadas para o evento, ganha relevo a rodada de compras do setor automotivo, com confirmação de participação de grupos multinacionais como Renault Geely, BYD, BMW, Ford e Hyundai. Simultaneamente, a cadeia de alto valor agregado da indústria aeroespacial estará representada por meio de sessões dedicadas de prospecção da Embraer.

A participação dessas montadoras e fabricantes de aeronaves visa mapear prestadores de serviços e fornecedores de componentes mecânicos, elétricos e compósitos que atendam aos padrões internacionais de qualidade, redução de pegada ambiental e confiabilidade de entrega. Paralelamente, fornecedores consolidados de maquinário, bens de capital e metrologia confirmaram presença na área de exposição, abrangendo nomes como:

  • Usinagem e corte de precisão: ROMI, TRUMPF, HAAS, EUROSTEC e CERATIZIT;
  • Siderurgia e materiais básicos: Gerdau;
  • Acionamentos, eletrônica e automação: Delta Electronics, Sumitomo Drive Technologies e FICEP;
  • Fluidos industriais e ar comprimido: Blaser Swisslube e Atlas Copco;
  • Metrologia e controle dimensional: ZOLLER e Mitutoyo;
  • Tecnologia da informação para manufatura: SKA;
  • Equipamentos fabris complementares: Haitian, Glorystar e Glorymaq.

Essa concentração de fornecedores de maquinário e automação industrial permite que as empresas em processo de modernização tenham acesso a equipamentos que integram conceitos de indústria inteligente, robótica avançada, inteligência artificial aplicada ao chão de fábrica, manufatura aditiva e eficiência em sistemas de movimentação e armazenagem.

Descentralização fabril e inclusão de pequenas empresas

A descentralização geográfica e a diversificação setorial marcam a edição de 2026 mediante iniciativas voltadas a micro e pequenas empresas (MPEs). Por intermédio do Programa Move+, conduzido pelo Sebrae, 34 empresas de menor porte foram selecionadas a partir de critérios de maturidade e competitividade técnica para integrar a feira com estandes próprios e acesso direto às dinâmicas de mercado.

As empresas beneficiadas representam os estados da Bahia, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. O contingente abrange múltiplos nichos do ecossistema fabril:

  • Metalmecânico e metalurgia de transformação;
  • Eficiência energética e novas matrizes;
  • Tecnologia da informação aplicada e automação fabril;
  • Serviços industriais especializados e manutenção técnica;
  • Cadeia de borracha, polímeros e componentes eletroeletrônicos;
  • Insumos para o pós-venda e montagem do segmento automotivo.

A gestora Bárbara Heller pontua que a dinâmica operacional da Mercopar ultrapassa a visitação tradicional aos estandes corporativos. A programação contempla visitas técnicas a instalações fabris modelares na Serra Gaúcha, tours temáticos guiados no pavilhão com curadoria focada em gargalos operacionais específicos, além de conferências e apresentação de casos práticos de transformação digital aplicados à manufatura.

A estratégia de internacionalização ganha reforço por meio de iniciativas institucionais como o programa Juntos pela Indústria, que integra entidades representativas para unificar serviços de suporte e aproximar companhias brasileiras de missões compradoras do exterior. O Sebrae RS assinala que a meta fundamental das agendas corporativas programadas para 2026 consiste em maximizar a conversão de reuniões em contratos de fornecimento continuado.

Análise Brasil Inovador

A consolidação de um evento industrial desse porte no segundo semestre de 2026 evidencia um movimento de reorganização estrutural nas cadeias produtivas instaladas na América Latina. A aproximação direta entre conglomerados de manufatura avançada — como fabricantes automotivos e o setor aeroespacial — e empresas de pequeno e médio porte responde a uma urgência estratégica de mercado: a necessidade premente de descentralização de fornecedores globais e mitigação de riscos de descontinuidade em componentes críticos.

Sob a ótica de negócios B2B, a integração viabilizada em Caxias do Sul expõe que a competitividade da indústria nacional já não depende exclusivamente de custos de mão de obra ou subsídios tarifários, mas da capacidade de adequação rápida a normas internacionais de descarbonização, rastreabilidade digital e tolerâncias micrométricas na fabricação de peças. A presença conjunta de montadoras consolidadas e fabricantes emergentes de veículos elétricos e híbridos acelera uma migração compulsória no portfólio de pequenas metalúrgicas, que precisam transitar da estamparia tradicional para a usinagem de alta complexidade e componentes para trens de força eletrificados.

Em médio prazo, o encadeamento produtivo derivado de rodadas qualificadas de negócios tende a reduzir o hiato de produtividade que tradicionalmente separa as grandes montadoras de seus elos terciários de fornecimento. Ao absorver tecnologias de metrologia avançada, sensoriamento e controle preditivo disponíveis no pavilhão, médias e pequenas indústrias elevam o nível de maturidade operacional, qualificando-se não apenas para o atendimento das montadoras instaladas no país, mas para a exportação de subsistemas em mercados integrados da região.