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Polícia confirma morte de engenheira Vitória e liga caso ao tráfico no Romão

Fonte: tribunaonline.com.br | Data: 08/10/2026 19:29:23

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Polícia confirma morte de engenheira Vitória e liga caso ao tráfico no Romão

Delegada diz que não há dúvidas sobre o crime; corpo pode estar enterrado no Morro do Romão, alvo de operação que prendeu 11 suspeitos do TCP


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Vítima desaparecida: Vitória Espindola de Souza, de 28 anos. O desaparecimento foi registrado no dia 15 de outubro de 2025


|  Foto:
Divulgação/PCES

A Polícia Civil afirma que não tem dúvidas de que a engenheira Vitória Espíndola foi assassinada e que o corpo dela está enterrado em algum ponto do Morro do Romão, em Vitória. As investigações sobre o desaparecimento da jovem, ocorrido em 2025, deram origem a uma operação contra integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), realizada nesta quarta-feira (7), que terminou com ao menos 11 pessoas presas.

Segundo a delegada Gabriela Enne, do gabinete do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), o desaparecimento de Vitória deu origem a um inquérito policial e, durante as investigações, diversos elementos apontaram que o caso se tratava de um homicídio.

“Não temos dúvida de que ela foi morta”, afirmou a delegada durante a coletiva. Segundo Gabriela, a polícia acredita que Vitória esteja enterrada no Morro do Romão, mas a extensão da área e as características do terreno dificultam a localização do corpo.

Desde o desaparecimento, a Polícia Civil já realizou diversas operações e diligências na região em busca da engenheira. De acordo com a delegada, novas buscas devem continuar sendo realizadas.

Suposta dívida teria motivado morte

Segundo Gabriela Enne, Vitória veio do Mato Grosso do Sul para o Espírito Santo após uma decepção amorosa e acabou se envolvendo com um traficante. Ela passou a morar no Morro do Romão e, posteriormente, tentou deixar o tráfico.

A investigação aponta que, durante esse período, integrantes da organização criminosa teriam colocado drogas em nome da jovem, fazendo com que ela acumulasse uma suposta dívida.

De acordo com a delegada, o desentendimento relacionado a essa dívida teria sido o motivo para a ordem de execução.

“Esse desentendimento foi o estopim para ele mandar matar”, explicou Gabriela.

A delegada também esclareceu que o homem que levou Vitória para o Morro do Romão não seria o responsável pela morte. Segundo ela, os dois tiveram um relacionamento, mas terminaram antes do assassinato, e Vitória permaneceu na região.

Um dos líderes da organização é apontado como mandante do crime. Ele está foragido no Rio de Janeiro. Um dos supostos executores também continua sendo procurado pela polícia.

Investigação revelou domínio do TCP no Romão

Enquanto apurava o desaparecimento de Vitória, a Polícia Civil identificou uma estrutura criminosa que, segundo as investigações, exercia forte controle sobre moradores do Morro do Romão.

Segundo Gabriela, integrantes do grupo impunham regras aos moradores e ameaçavam pessoas que não seguissem as determinações da organização.

“É uma organização criminosa do TCP, muito agressiva com a forma de tratar os moradores, impondo medo e ameaças quando contrariados”, afirmou.

A delegada explicou ainda que os criminosos teriam criado mecanismos para controlar a comunidade e dificultar a entrada das forças de segurança.

As investigações apontaram a existência de olheiros posicionados em pontos estratégicos e a utilização de rádios comunicadores e grupos de WhatsApp para monitorar a movimentação policial.

Também foram encontrados equipamentos destinados à instalação de câmeras de videomonitoramento. Segundo a polícia, os dispositivos seriam instalados em pontos estratégicos do morro para acompanhar a movimentação da polícia e dos moradores.

Operação prende 11 pessoas

As informações obtidas durante a investigação levaram à Operação Hidra, deflagrada na manhã desta quarta-feira (7) nas regiões do Morro do Romão e do Forte São João, em Vitória.

Ao menos 11 pessoas foram presas durante a ação. Foram expedidos 20 mandados de busca e apreensão e 15 mandados de prisão contra integrantes do TCP.

Segundo a Polícia Civil, a investigação específica sobre a organização criminosa durou aproximadamente cinco meses e contou com trabalho de inteligência e de campo, com apoio do 1º Batalhão da Polícia Militar e da Polícia Penal.

Para Gabriela, o objetivo da operação não era apenas cumprir os mandados, mas também enfraquecer a estrutura criminosa que atua na região.

“A gente vem desidratando essa organização criminosa e tentando cessar essa atividade criminosa que vem sendo imposta ali no Morro do Romão”, afirmou.

Dois dos presos foram identificados como lideranças do tráfico na região. Eles são conhecidos pelos apelidos de “Messi” e “Tio Patinhas”.

Caderno tinha divisão do dinheiro do tráfico

Durante a operação, os policiais apreenderam um caderno com anotações relacionadas ao tráfico de drogas. Segundo a investigação, o material registra pagamentos e a divisão dos valores obtidos com a comercialização de entorpecentes.

Também foram encontrados adesivos relacionados a uma provável festa clandestina. Segundo a Polícia Civil, eventos eram promovidos pela organização como forma de arrecadar dinheiro para financiar as atividades criminosas.

A investigação também apontou a ostentação de armas de fogo, ameaças de morte e a utilização de explosivos contra moradores como forma de impor regras e exercer domínio territorial.

Suspeito tentou fugir por alçapão

Segundo apurações da repórter Suzy Faria, da TV Tribuna/Band, durante o trabalho de buscas da polícia em uma residência, um dos suspeitos tentou fugir por uma espécie de alçapão no teto da casa, que dava acesso a uma laje. Um vídeo divulgado pela Polícia Civil mostra o buraco por onde o indivíduo tentou escapar. Ele foi preso em flagrante.

Polícia ainda busca corpo da engenheira

Apesar das prisões e dos materiais apreendidos, a localização do corpo de Vitória continua sendo um dos principais objetivos da investigação.

A delegada Gabriela Enne afirmou que as informações obtidas durante a Operação Hidra poderão contribuir para a investigação do homicídio.

Segundo ela, a Polícia Civil continuará realizando operações na região para reunir elementos que possam levar ao paradeiro da engenheira e esclarecer todos os detalhes do crime.

“Vamos continuar fazendo”, afirmou a delegada ao falar sobre as buscas pelo corpo.

A operação contou com o apoio da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), do Departamento Especializado de Narcóticos (DENARC), do Departamento Especializado de Investigações Criminais (DEIC), do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (NOTaer), além de outras unidades da Superintendência de Polícia Especializada (SPE), da Polícia Penal do Espírito Santo (PPES) e da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES).

Cerca de 140 policiais participaram da ação

O helicóptero do Notaer auxiliou as equipes em solo durante a entrada na comunidade. De acordo com os policiais, a aeronave monitorou lajes e pontos elevados e repassou informações sobre a movimentação no terreno, reduzindo a vantagem dos criminosos que poderiam observar a chegada das equipes de cima.

A Operação Hidra é coordenada pelo chefe do Departamento Especializado de Homicídio e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegado Luiz Gustavo Ximenes.

O nome da operação faz referência à Hidra de Lerna, criatura da mitologia grega representada como um monstro de várias cabeças, simbolizando a estrutura e a ramificação do grupo criminoso investigado.

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