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Emae prepara nova fase de modernização na centenária hidrelétrica Henry Borden

Fonte: broadcast.com.br | Data: 09/10/2026 07:30:26

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Luciana Collet

Cubatão – A Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) está em fase adiantada de elaboração de um projeto para modernização das oito unidades geradoras externas da usina hidrelétrica Henry Borden. A iniciativa se segue à atualização das seis unidades geradoras subterrâneas da usina, concluída em março e que consumiu R$ 338 milhões desde 2019.

A empresa não divulga estimativas sobre os investimentos previstos na nova fase de modernização, mas, segundo o diretor de Operações da Emae, Fernando Luis Fernandes, os trabalhos podem começar no ano que vem. “Já estamos conversando com alguns fornecedores, mas ainda não temos nada solto no mercado. A tendência é, no futuro breve, começar já com essa questão da modernização da externa”, afirmou.

A atualização tecnológica dessas unidades geradoras ocorrerá um século depois do início da operação da primeira turbina, que completa 100 anos no dia 10 de outubro. A Henry Borden, localizada no sopé da Serra do Mar, em Cubatão (SP), começou a ser construída no início de década de 1920, em meio a uma crise no abastecimento de eletricidade na cidade de São Paulo, que passava por um período de crescente industrialização. A obra consistiu no aproveitamento dos cerca de 720 metros de desnível da Serra do Mar para produzir energia elétrica.

Entre 1926 e 1950 foram instaladas oito unidades geradoras, somando uma potência de 469 MW, na chamada “seção externa” da usina. Posteriormente, ainda ao longo da década de 1950, foram instalados outros seis grupos geradores, em uma “seção subterrânea”, escavada em rocha no interior da Serra do Mar, com adicionais 420 MW de capacidade. Somando 889 MW de potência, a usina chegou a ser considerada a maior hidrelétrica da América do Sul, sendo superada, nos anos 1970, por diversas hidrelétricas construídas durante o regime militar em rios de grande vazão.

As centrais geradoras da seção externa ainda têm componentes da época da implantação, que, por questões de obsolescência da tecnologia, precisam ser trocados, admitiu Fernandes.

A despeito de terem sido implantadas antes das unidades geradoras subterrâneas, sua atualização ficou para uma segunda etapa. De acordo com o executivo, isso ocorreu devido às características diferentes das duas seções. “A tecnologia é bem distinta: a subterrânea tem eixo vertical e a externa tem eixo horizontal. Além disso, em questões de manutenção, estávamos muito tranquilos na operacionalidade delas, então preferimos começar pela usina subterrânea, que são 6 unidades, e depois trabalhar na usina externa, que tem 8 unidades”, explicou.

Fernandes salientou que a atualização tecnológica não deve interferir nos indicadores da usina, que registrou em junho disponibilidade de 92%, na média móvel em 60 meses, acima da obrigação regulatória de 89,87%.

Atendimento na ponta

Atualmente, a usina opera por disponibilidade, em regime de cotas. Com isso, gera conforme comando do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). De acordo com técnicos da Emae, a usina tem passado a maior parte do tempo com carga mínima, da ordem de 34 MW, para garantir alguma vazão.

No fim da tarde, quando o consumo de eletricidade aumenta no País e a geração fotovoltaica cai, a hidrelétrica é demandada a gerar mais, em volumes variáveis, que podem chegar à carga máxima. Conforme a noite avança, entre 20 e 22 horas, a produção de eletricidade da usina volta a cair.

Neste sentido, a atualização tecnológica pode dar mais confiabilidade à usina, permitindo também a operação remota, explicaram os técnicos.

Usinas reversíveis

Além da modernização da usina centenária, a Emae tem realizado estudos para instalação de usinas hidrelétricas reversíveis (UHR), e a região de Henry Borden vem sendo citada como localidade com condições favoráveis para a tecnologia.

Fernandes admitiu que existem análises técnicas e ambientais em andamento na região, mas as classificou como “incipientes”. “E isso não implica em nada com a operação atual de Henry Borden, são dois empreendimentos totalmente distintos”, acrescentou.

As usinas reversíveis permitem o armazenamento de energia por meio do bombeamento de água entre dois reservatórios. Nos momentos em que há excedente de energia no sistema, como em períodos de elevada geração solar e eólica, a eletricidade é utilizada para bombear água de um reservatório inferior para um instalado em local mais elevado. Quando o consumo aumenta, como no horário de ponta, a água é liberada para movimentar as turbinas e gerar energia.

Atualmente ainda não existem UHR no Brasil, mas a alternativa vem sendo crescentemente avaliada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), diante da necessidade de potência para atender o horário de ponta, e o Ministério de Minas e Energia já sinalizou a possibilidade de inserir a tecnologia em futuros leilões.