Caso Master completa 3 meses sem operações da PF em meio a novos relatos de Vorcaro sobre Lula
Fonte: ndmais.com.br | Data: 09/10/2026 14:13:39
Caso Master completa três meses sem novas operações da Polícia Federal.Foto: Reprodução/ND Mais
Nesta sexta-feira (9), o caso sobre o escândalo do Banco Master completa três meses sem novas operações realizadas pela PF (Polícia Federal).
A última vez que a corporação atuou para cumprir mandados de busca e apreensão por determinação do ministro André Mendonça, responsável pelo caso no STF (Supremo Tribunal Federal), foi em 9 de julho, por meio da décima fase da Operação Compliance Zero. As informações são da CNN Brasil.
A décima fase da investigação iniciou-se em novembro do ano passado e apurava indícios de atuação coordenada em redes sociais, que buscava comprometer a credibilidade da atuação do Banco Central do Brasil.
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Não houve novas operações desde então. Neste meio tempo, no entanto, instaurou-se uma das maiores crises institucionais da Suprema Corte brasileira, envolvendo ministros que tiveram os nomes citados no caso Master.
Entenda como começou a crise no STF
O ministro André Mendonça tornou público em 1º de setembro o relatório da PF que indicava uma suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. No documento, havia trocas de mensagens, pedidos de intervenção em investigações, contrato milionário com escritório de advocacia e encontros presenciais entre o magistrado e o dono do Master.
Ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes deflagraram ‘guerra institucional’ sem precedentes na Suprema Corte.Foto: Luiz Silveira/STF/ND Mais
Em resposta, Alexandre de Moraes incluiu André Mendonça no inquérito das fake news, baseando-se em um relatório elaborado pela PF que indicava que Mendonça havia se apossado da direção de investigações do caso Master e das fraudes do INSS, conduzido as tratativas de delação premiada e direcionado a investigação contra ele de maneira ilegal.
Desde então, iniciou-se uma crise interna no tribunal da Suprema Corte entre colegas de toga que, pouco mais de um mês depois, ainda não foi superada.
Fachin reorganiza relatoria para conter crise gerada pelo caso Master
Buscando apaziguar o conflito entre os magistrados, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, tirou André Mendonça do inquérito das fake news, retirou a relatoria de Moraes do processo e de outros vinculados a ele e transferiu para um procedimento sob sua responsabilidade as menções aos dois trazidas pela PF.
Poucos dias depois, Fachin determinou que Mendonça enviasse a seu gabinete todos os processos relacionados às fraudes no INSS e ao caso do Banco Master, ambos relatados por Mendonça. Esta medida permite que o presidente da Corte possa determinar a troca da relatoria das duas investigações.
Presidente do STF, ministro Edson Fachin.Foto: Rosinei Coutinho/STF
Interlocutores próximos a Fachin afirmam, privadamente, que o ministro deve realizar a troca na relatoria do caso Master a partir de uma análise do material.
Além de não estar descartada a possibilidade de o próprio Fachin assumir a condução do processo, como foi sugerido semanas atrás. Esta é uma hipótese considerada plausível por ministros do tribunal e pessoas próximas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que se manifestaram sob condição de anonimato.
De acordo com quem acompanha as tratativas, esta decisão teria sido discutida e articulada entre os ministros Edson Fachin e André Mendonça. A mudança objetivaria conter a crise entre os colegas de toga e enfraquecer acusações de politização das investigações.
Quase um mês se passou desde então, sem que houvesse uma conclusão sobre o rumo da investigação sobre o caso Master. Esta indefinição sobre a relatoria acaba influenciando diretamente as investigações da Polícia Federal, que estão praticamente paralisadas e completam três meses hoje sem novas operações.
Revista divulga áudio de Vorcaro relatando suposto financiamento milionário para documentário sobre Lula
Na manhã de hoje, a revista Veja divulgou relatos em áudio sobre um suposto pagamento de R$ 30 milhões em dinheiro vivo de Daniel Vorcaro para financiar um documentário sobre o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de viabilizar negócios com fundos de pensão.
O relato de Vorcaro menciona uma negociação que envolveria o credenciamento do Banco Master junto a fundos de pensão ligados a servidores públicos federais.Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil/Reprodução/ND Mais
O documento levado à PGR (Procuradoria-Geral da República) aponta que Vorcaro declarou que os recursos teriam sido negociados por fora, em uma operação que envolveria integrantes ligados ao PT (Partido dos Trabalhadores).
Em nota, a Polícia Federal afirmou que “Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito”.
O PT negou os repasses e classificou as acusações como “uma farsa com objetivos eleitorais”, alegando que a publicação sem apresentação de provas busca tumultuar o processo eleitoral. A legenda também disse que tomará medidas judiciais cabíveis contra calúnias e eventuais irregularidades na divulgação das informações.

Larissa Ferreira Estagiária
Larissa Ferreira é jornalista em formação e integra o Núcleo Nacional do portal ND Mais, atuando na cobertura diária de política, segurança pública, educação e os principais acontecimentos do Brasil e do mundo. Trabalha com comunicação desde 2025 e cursa Jornalismo na Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina). Com interesse especial por futebol, é autora do blog Legado Rodrigueano e já produziu reportagens e documentários universitários sobre Copa do Mundo, apostas esportivas e arbitragem brasileira. Também integrou a equipe de redação do 10º SLIJ (Seminário de Literatura Infantil e Juvenil). Leia mais ▾
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