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Antes de votar, Fux é lembrado de que foi alvo de ataques

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Data: 10/09/2025 08:41:25

Fonte: oglobo.globo.com

O ministro Luiz Fux, que dará seu voto no julgamento da trama golpista nesta quarta-feira, foi lembrado ontem pelos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino das vezes em que também foi alvo dos ataques, das agressões do grupo bolsonarista. Dino citou os eventos de 7 de setembro de 2021, quando Fux, então presidente do stf“>STF, passou a noite em vigília no prédio da Corte, diante da ameaça de invasão por manifestantes convocados pelo então presidente da República, Jair Bolsonaro, para atos na Esplanada dos Ministérios. Os manifestantes, previstos para chegarem dia 7, chegaram antes, venceram as barreiras e foi necessário o batalhão de choque da Polícia Militar para contê-los. A informação era de um plano para a entrada de um caminhão no prédio do STF que poderia causar a implosão da sede.

Fux ainda foi o alvo da frase de Bolsonaro em 7 de setembro de 2021: “Ou o chefe desse Poder enquadra o seu ou esse Poder pode sofrer aquilo que não queremos”

Em entrevista ao GLOBO, em 2022, ao sair da presidência do STF, o ministro Luiz Fux disse que “a História não vai perdoar aqueles que não defendem a democracia”. Acho que ele não pode ter esquecido um passado recente no qual ele foi alvo de agressão e que liderou a resistência quando estava na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF).

A expectativa é que o voto de Fux traga divergências em relação ao voto do relator. O ministro já disse que vai discordar dos preliminares, deve fazer muitas críticas à colaboração premiada, propor que ha junção de dois crimes. A questão é até onde vai essa divergência?

O ministro Alexandre fez um voto em que organizou os acontecimentos de tal forma que ficou claro para qualquer pessoa que não se tratavam de eventos esparsos. Não é uma minuta aqui, uma reunião ali, um discurso lá, tudo fazia parte de um roteiro que tinha um objetivo concreto de impedir a sucessão caso o Jair Bolsonaro perdesse a eleição. E o trabalho para esse objetivo começou em 2021.

Moraes também explicou a diferença entre o crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, que é um ataque a outro Poder, como foi feito com constância em relação ao STF, e a tentativa de golpe de Estado, que consiste nas minutas golpistas, o Punhal Verde e Amarelo, entre outros atos. O ministro mostrou a conexão entre o que estava escrito na agenda do general Augusto Heleno, nos documentos de Alexandre Ramagem e os tópicos abordados na lives. Moraes explicou claramente como ABIN e GSI faziam o assessoramento do presidente Jair Bolsonaro nas suas lives. O ministro pediu a condenação de todos os réus, distinguindo apenas Jair Bolsonaro, que indica como o líder da organização criminosa.

Dino também abordou a diferenciação dos crimes, mas se antecipou a uma discussão que está no Congresso, falando que a anistia é inconstitucional. Ele fez ainda uma modulação em relação à culpa de três dos oito réus, o general Paulo Sérgio Nogueira, o general Augusto Heleno e Alexandre Ramagem, por considerar que tiveram uma participação menor nos eventos. Alexandre Ramagem, lembrou Dino, já tinha deixado o cargo em março de 2022 para se candidatar, o general Heleno não participou das reuniões com os comandantes militares no segundo semestre e por isso o ministro considera que teve uma presença menor. Eu tenho dúvidas, afinal o gabinete de crise, previsto na minuta de golpe, seria presidido pelo general Heleno. Sobre o general Paulo Sérgio, Dino ponderou que, apesar de ele ter participado de vários eventos de adesão ao golpe, após o dia 14 de dezembro, ele teria feito movimentos que parecem confirmar a ideia de que ele tentou demover o presidente de qualquer ato de exceção.