Mortos em queda de avião da PM de Minas são identificados; piloto havia voltado da licença-maternidade
Fonte: oglobo.globo.com | Data: 09/10/2026 18:39:28
Tenente Gabriela Emília Soares Lacerda Resende foi a primeira mulher da corporação habilitada a pilotar aeronaves de asas fixas; tenente-coronel Luis Silvestre e tenente Alice Almeida também morreram no acidente
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/1/d/LvH1BkTsWzemaVjztkAQ/arte-globo-2026-10-09t183608.333.png)
Os três militares que morreram na queda de uma aeronave da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), nesta sexta-feira (9), nas proximidades do Aeroporto Regional do Vale do Aço, em Santana do Paraíso, foram identificados como a primeira-tenente Gabriela Emília Soares Lacerda Resende, o tenente-coronel Luis Silvestre e a tenente Alice Almeida. Gabriela havia acabado de retornar da licença-maternidade e foi homenageada pela corporação nas redes sociais um dia antes do acidente.
A publicação do Comando de Aviação do Estado da PMMG (Comave PMMG), feita nesta quinta-feira, mostrava a piloto se despedindo do filho antes de decolar em uma aeronave da corporação. No vídeo, Gabriela se emociona ao deixar seus dois filhos.
— Depois de uma pausa para viver um dos momentos mais importantes de sua vida, a Tenente Emília retorna aos céus. Ser mãe. Ser piloto. Ser policial militar. Três papéis, uma só mulher — e uma coragem que vai muito além do voo. Bem-vinda de volta, Tenente Emília! — escreveu a corporação.
Gabriela foi a primeira mulher da Polícia Militar de Minas Gerais habilitada como piloto de aeronaves de asas fixas do Comando de Aviação do Estado (ComAvE). Ela ingressou na corporação em fevereiro de 2017 e foi declarada oficial em 2019. Ao longo da carreira, trabalhou como comandante de setor no 34º Batalhão de Polícia Militar (BPM), em Belo Horizonte, e atuou por dois anos no Comando Tático Móvel do 41º BPM, também na capital mineira, além de desempenhar funções administrativas. Em 23 de fevereiro deste ano, foi declarada piloto da PMMG.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/z/d/ZmNZ2JTmCSKQ2sATkjQA/imagens-portal-itatiaia-1-29.webp)
A tenente Alice Almeida, que também morreu no acidente, serviu por sete anos no Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) antes de ingressar na Polícia Militar. Após entrar no oficialato da PMMG, foi aprovada no processo seletivo do Comando de Aviação do Estado e passou a atuar como piloto da corporação. Natural de Governador Valadares, ela cresceu em Caratinga, também no interior mineiro. Ela não deixa filhos.
O terceiro policial identificado entre as vítimas é o tenente-coronel Luis Silvestre, de Belo Horizonte. Ele integrava a Polícia Militar de Minas Gerais desde 2004 e era comandante do Esquadrão de Aviões do Comando de Aviação do Estado. Ao longo da carreira, atuou em operações aéreas especiais, ensino e treinamento, manutenção de aeronaves e logística de abastecimento, além de exercer funções de liderança de equipes.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/W/y/g6qk3uQKqhAvbBLAankA/arte-globo-2026-10-09t183017.709.png)
Acidente ocorreu perto do aeroporto
A aeronave caiu na tarde desta sexta-feira, nas proximidades do Aeroporto Regional do Vale do Aço, em Santana do Paraíso, no Vale do Aço. O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 16h20 para atender à ocorrência na BR-458, na altura do quilômetro 43. Duas equipes foram mobilizadas para verificar o acidente.
Segundo o site especializado em aviação AeroIn, dados preliminares da plataforma AirNavRadar indicam que a aeronave teria realizado uma arremetida com curva à esquerda antes de cair. As circunstâncias do acidente ainda não foram esclarecidas.
O avião, de matrícula PP-EJO, era um bimotor turboélice da fabricante Beech Aircraft, modelo 300, também conhecido pelo código ICAO BE30. A aeronave era utilizada pela Polícia Militar em diferentes operações, inclusive no transporte de órgãos para transplantes.
Fabricado em 1986, o modelo tem capacidade original para nove passageiros, além do piloto. A documentação da aeronave estava válida até abril de 2027.
Aeronave estava com manutenção em dia, diz PM
Em coletiva de imprensa, o coronel Flávio Santiago, diretor de Comunicação Organizacional e porta-voz oficial da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), afirmou que a aeronave havia passado por retrofit e estava com a manutenção em dia. Segundo ele, as habilitações dos pilotos também estavam regulares. O voo era de rechecagem de habilitação, procedimento realizado anualmente como requisito aeronáutico para os profissionais. As tenentes Gabriela Emília e Alice Almeida tinham mais de 300 horas de voo cada uma.
O tenente-coronel Luis Silvestre, que comandava o Esquadrão de Aviões do Comando de Aviação do Estado, acumulava mais de 5 mil horas de voo e era, segundo Santiago, o instrutor mais capacitado da corporação. As causas do acidente serão investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
— Agora, o Cenipa fará os trabalhos de praxe para entender o que ocorrera para que tivéssemos este desfecho negativo — afirmou o porta-voz.
Santiago também informou que a PMMG mobilizou uma força-tarefa de acolhimento psicológico para os familiares das vítimas, que já haviam sido comunicados sobre as mortes.
— A nossa corporação está em luto. Perdemos três asas indomáveis — declarou.
Sequência de acidentes aéreos em MG
Na manhã desta sexta-feira, um outro acidente envolvendo uma aeronave foi registrado em Minas Gerais. O piloto de um avião monomotor morreu carbonizado após colidir contra uma estrutura do galpão do Metrô de BH e atingir a fiação elétrica do pátio de manutenção, de acordo com o Corpo de Bombeiros.
De acordo com relatos, o avião estaria voando baixo pela região quando foi possível ouvir explosões partindo da aeronave e, em seguida, de um rastro de fumaça. O galpão não foi atingido pelo fogo. Vagões também não foram atingidos.
Mais recente
Próxima
‘Estamos sendo defumados vivos’: moradores de Manaus sofrem nova onda de fumaça por queimadas e Defesa Civil emite alerta