O voto esotérico
Fonte: opresente.com.br | Data: 10/10/2026 08:02:13
O argumento do veterano que antecipou a vitória de Sergio Moro dois anos atrás

Quem conversasse 12 meses atrás com um dos decanos do jornalismo de Cascavel e editor sênior do Pitoco, Heinz Schmidt, consultando-o sobre a eleição para governador do Paraná, iria ouvi-lo repetir que Sergio Moro estava eleito. “Faz dois anos que o Moro está eleito governador. O voto nele tem algo de místico, trata-se de um voto esotérico”, prescrevia o veterano que já frequentava redações de jornais nos anos 1970 e viu de tudo no mundo das urnas.
E qual era, afinal, a mística do vencedor? Na cabeça do eleitor paranaense, colégio eleitoral em que a maior força política é o antipetismo que se mescla ao antilulismo, Moro encarna a figura do “salvador da pátria”, que transformou a toga em capa de herói.
Na campanha de desconstrução que enfrentou na campanha, o ex-juiz parecia munido de um escudo impenetrável, em que a munição oriunda do Iguaçu ricocheteava.
“VORCARIANOS”
A demora de Ratinho Junior na definição do sucessor e a escolha do ungido também contribuíram para a derrota já no primeiro turno, mas outro fator se somou à aura mística do “herói”: as estripulias da “bancada vorcariana” no STF.
Moro, na visão de seus eleitores, é a antítese do Supremo. É o cara que combateu a corrupção e pôs Lula na cadeia. Em razão disso, sempre segundo seus seguidores, Moro foi perseguido pelos ministros supremos.
O DESAFIANTE
Agora resta ao cara da capa convertida em escudo dar conta do recado no governo do Paraná. Pois, certamente, quando as urnas de 2030 se aproximarem, Ratinho Junior não irá designar alguém para enfrentar Moro nas urnas.
Irá ele próprio, Ratinho, para o embate – em uma espécie de tira-teima. Embora derrotado nessa eleição por procuração, Ratinho deixa o governo com elevado índice de aprovação popular.
O eleitor morista não votou contra o Ratinho. Ele votou no “herói”.
Embora distante, desenha-se no cenário um embate épico pelo comando político do território paranaense.
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Horas de agonia
Veto da “bancada dos padres” e promessas de Renato salvaram Batatinha da frigideira

O apresentador e dublê de deputado Oziel Luiz viveu horas de elevada tensão na apuração dos votos. Não é exagero dizer que a batata estava assando na panela de pressão das urnas.
Ele disputava voto a voto a 14ª e última vaga do PSD com a ex-secretária de Saúde de Curitiba, Marcia Huculak. Pra se ter uma ideia do sufoco, com 96% das urnas apuradas, ele estava fora do jogo.
Ao fim, Batatinha cravou 0,75% dos votos válidos para deputado estadual, contra 0,74% de Márcia. Ou seja, o Batata pulou da frigideira por exíguos 0,01% de diferença para a concorrente.
A votação de Oziel ficou aquém do esperado em Cascavel, onde recebeu pouco mais de 20 mil sufrágios, quando se projetava algo na casa dos 40 mil.
Uma parte da derrocada se deve ao desempenho de Fão do Bolsonaro, o mais votado na cidade, com 35,7 mil eleitores aqui, e de Gugu Bueno, com 26,4 mil.
Batatinha foi salvo pelo ex-patrão Renato Silva, que segurou a candidatura a estadual de Thiago Almeida, e por contingências da vida pessoal do presidente da Câmara, desaconselhado a disputar pela “bancada de padres” da paróquia Cascavel.
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Estreantes no Congresso
Paranhos e Mecabô terão R$ 86 milhões em emendas por ano

Embora tenha elegido dois “novatos”, Cascavel dobrou o número de cadeiras no Congresso Nacional. Ano que vem, sai Nelsinho Padovani (PP) e assumem Leonaldo Paranhos (PSD) e Henrique Mecabô (Novo).
Dobra também a disponibilidade de recursos federais. A partir de fevereiro de 2027, Paranhos e Mecabô terão, conforme a previsão do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), cerca de R$ 43 milhões cada um em emendas individuais, o que representa aproximadamente R$ 86 milhões por ano.
O valor, porém, não significa que Cascavel receberá automaticamente esses recursos. As emendas fazem parte do Orçamento da União e podem ser indicadas pelos parlamentares para municípios, entidades e projetos, dentro das regras orçamentárias. Pelo menos metade das emendas individuais deve ser destinada à saúde. Por isso, mais do que o volume de dinheiro, uma das primeiras tarefas dos novos deputados será definir quais demandas de Cascavel e do Oeste devem chegar a Brasília.
OUVINDO ENTIDADES
Paranhos já começou a construir essa pauta. O deputado eleito conta que está visitando entidades e conversando com representantes de diferentes setores. Entre os encontros, cita Uopeccan, Acic, Amic e o POD, além de uma reunião com o prefeito Renato Silva, tudo nesta primeira semana pós-eleições.
“Estou visitando entidades civis organizadas, já estive com o prefeito Renato Silva, semana que vem visitarei entidades filantrópicas, para que me passem o que é prioridade. Em cima dessa pauta é que vou trabalhar. E, claro, com a população de forma geral por meio da prefeitura”, acrescentou.
ALÉM DAS EMENDAS
Mecabô também afirma que os recursos serão tratados com responsabilidade, mas ressalta que considera a indicação de emendas apenas uma parte das atribuições de um deputado federal: “Pretendo fazer um mandato que vá além de mandar nosso próprio dinheiro de volta. Enviar emendas é muito pouco, é obrigação mínima”.
Sua pretensão é atuar, também, na defesa de pautas consideradas estratégicas para a região. “Estou comprometido em ser um deputado combativo, que luta as lutas que precisam ser lutadas, com o preparo que tenho e com a coragem que me acompanha sempre. Vamos de fato fazer um mandato representativo e que defenda as pautas que precisam ser defendidas.”
Dentre os temas que pretende levar para Brasília, Mecabô cita a infraestrutura do Oeste e mudanças nas regras da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). “Temos as bandeiras de infraestrutura do Oeste e a necessidade de mudanças de regras da ANEEL para frear o descaso da Copel, por exemplo.”
Sobre as emendas, Mecabô afirma que não pretende estabelecer previamente uma lista de áreas prioritárias. A escolha, segundo ele, deverá considerar a qualidade dos projetos e o potencial de impacto.
“Em vez de prometer prioridades em áreas específicas, quero prometer prioridades para projetos de qualidade, sem populismo barato. Então, vamos decidir o envio de emendas a partir de critérios técnicos e sempre tentando fazer o máximo possível com cada centavo que tivermos direito de mandar de volta para a população”, assegura.
E completa: “Cascavel pode ter certeza que o dinheiro que sai daqui e vai pra Brasília retornará e esse retorno será com qualidade, atendendo o que for prioritário no momento da definição das emendas e o que tiver mais condições de impactar o máximo possível de pessoas.”

Desafio aos novatos
Embora já tenham percorrido diferentes disputas eleitorais – e conquistado vitórias pelo caminho -, Paranhos e Mecabô farão, a partir de 2027, sua estreia no Congresso Nacional. Paranhos chega a Brasília com a experiência de deputado estadual e de prefeito de Cascavel.
Mecabô, por sua vez, acaba de deixar o cargo de vice-prefeito e ainda nem teve tempo de “esquentar a cadeira”, mas já carrega um feito histórico: foi o prefeito mais jovem a ocupar o comando do Município, ainda que por apenas uma semana. Agora, os dois deixam a Capital do Oeste rumo à Capital Federal.
Apesar da experiência acumulada em outros cargos, Paranhos reconhece que a chegada à Câmara dos Deputados representa um novo desafio: “Estou animado! É um desafio grande, porque o Congresso é um lugar de gente muito experiente. Mas eu disse que estava preparado, então vou enfrentar”.
Mecabô também chega a Brasília com disposição para estrear no Legislativo federal e promete um mandato alinhado às demandas que considera importantes para a região: “Vamos, de fato, fazer um mandato representativo e que defenda as pautas que precisam ser defendidas”, afirma.
Os cerca de R$ 86 milhões anuais em emendas individuais, portanto, serão apenas uma das ferramentas à disposição dos dois parlamentares para representar Cascavel e o Oeste em Brasília. Mais do que indicar recursos, o desafio será transformar a força eleitoral conquistada nas urnas em articulação política, defesa de pautas regionais e resultados concretos para a população.
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Do Alto Alegre ao Palácio Iguaçu
Cascavelense eleito vice-governador do PR afirma que Oeste vai ganhar mais atenção

Nascido e criado em Cascavel, Edson Vasconcelos, eleito vice-governador do Paraná na chapa com o ex-juiz Sergio Moro (PL), chega ao Palácio Iguaçu defendendo uma futura gestão de perfil técnico, focada em resultados e com maior atenção às demandas do Oeste. A posse está prevista para janeiro de 2027.
Edson cresceu no pacato Bairro Alto Alegre e estudou em escola pública da região antes de seguir para Curitiba, onde ingressou na Universidade Federal do Paraná. Formado em Engenharia Civil, retornou a Cascavel, abriu uma construtora e construiu uma trajetória de liderança no setor produtivo.
Presidiu a Associação Comercial e Industrial de Cascavel (Acic), o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Oeste do Paraná e, mais recentemente, a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). Também ganhou projeção na defesa de pautas de interesse regional, incluindo críticas aos contratos de pedágio.
Agora, prestes a assumir o segundo posto mais importante do Executivo estadual, Vasconcelos fala em reorganizar a máquina pública. Dentre as ideias apresentadas está a possibilidade de reunir áreas em “supersecretarias”, dar maior autonomia aos titulares e reduzir a criação de cargos por critérios políticos.
GARGALOS NA MIRA
No Oeste, preterido historicamente pelos governos estaduais, a promessa é de colocar antigos gargalos no centro das decisões. Vasconcelos cita os problemas de energia e transporte ferroviário, além da BR-277, e afirma que a presença de um cascavelense no núcleo do governo pode aproximar as demandas regionais do Palácio Iguaçu.
A chegada de Vasconcelos ao governo estadual representa a passagem de uma trajetória construída no setor produtivo para o centro das decisões políticas do Paraná. E, para Cascavel, a expectativa colocada pelo vice-governador eleito é transformar essa proximidade com o poder estadual em articulação para projetos e soluções que há anos fazem parte da pauta regional.
DO INTERIOR
Assim como Vasconcelos repete o feito de ser o segundo oestino no Palácio Iguaçu, o governador eleito Sergio Moro leva Maringá ao centro do poder também pela segunda vez. Moro é o primeiro governador eleito nascido na Cidade Canção, que já foi representada por Cida Borghetti, a qual, embora seja catarinense de nascença, tem seu legado político em Maringá.
Com o vice pé vermelho, Moro e Vasconcelos constituem o primeiro governo paranaense oriundo do interior do Estado, distante da capital e região metropolitana, onde o poder costumava se concentrar.
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Recados palacianos
Segundo o vereador Edson Souza, o xará dele, Edson Vasconcelos (vice–governador eleito), e o federal eleito Henrique Mecabô articularam para evitar a reeleição de Thiago Almeida para a presidência do Legislativo de Cascavel.
“Foi uma tentativa de golpe”, exagerou Souza em um vídeo. Com sólida maioria no Legislativo, os vereadores alinhados ao Paço garantiram a recondução de Almeida na última terça (6).
Na lista de exigências que o presidente da Câmara colocou para não concorrer à Assembleia (disputando votos com Batatinha e Gugu), estava justamente o Paço garantir sua reeleição para a presidência.
Outro aceno do prefeito: Thiago Almeida na vice de Renato Silva em 2028.
Do episódio “golpista”, ficaram três recados:
a) Vice-prefeito até meados de 2027, Mecabô se desconecta explicitamente do grupo palaciano.
b) O governo Moro, por meio de Vasconcelos, terá papel ativo aqui na oposição ao projeto reeleitoral de Renato Silva.
c) O Iguaçu sob Moro vai jogar pesado para garantir o controle da mesa diretora da Assembleia Legislativa.
Medalha de bronze
Apesar do empenho da turma da Prefeitura, as urnas de Cascavel deram quase 60% dos votos a Sergio Moro. A “medalha de prata” foi para Requiãozinho, bem à frente de Sandro Alex, relegado a um terceiro lugar.
A modesta medalha de bronze para Alex foi entendida no “mercado eleitoral” como evidência de fragilidade política do Paço Municipal, em especial do prefeito, que se licenciou para garimpar votos ao candidato do Ratinho.
O Iguaçu esperava mais entrega de seus aliados em Cascavel, afinal, com seus 50,10% de votos válidos colhidos nas urnas paranaenses, Moro impediu o segundo tempo do jogo por pouco mais de 6 mil votos.
Rápidas
Alfredo Kaefer, prejudicado também pela insegurança jurídica, fez pouco mais de 14 mil votos.
Mas continua sendo o federal mais votado da história da cidade (em 2006), já que Paranhos não superou, aqui, a marca de 55 mil votos.
Claramente, o desempenho do ex-prefeito foi eclipsado pela votação de Mecabô, que colheu em Cascavel nada menos que 35.677 sufrágios.
TELEFONE MUDO
Em vídeo gravado no estúdio da rádio Massa, o radialista Valdomiro Cantini disse que o governador Ratinho o bloqueou no Whats e nas rede sociais.
O motivo, segundo Cantini, foram alertas que ele fez sobre as escolhas do governador na chapa majoritária ao Palácio Iguaçu.
Em analogia aérea, Cantini classificou o avião eleitoral pilotado por Alex como “jumbo carregado de chumbo”.
Por Jairo Eduardo. Ele é jornalista, editor do Pitoco e assina essa coluna semanalmente no Jornal O Presente
