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Polícia investiga possível falsificação em remédio contra o câncer importado identificado como “bala” na embalagem em chinês

Fonte: gauchazh.clicrbs.com.br | Data: 10/10/2026 08:51:32

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Polícia Civil / Divulgação
Paciente desconfiou da eficácia de medicamento importado, enquanto cartela despertou suspeitas do médico e de policiais.

A Polícia Civil investiga a suspeita de falsificação de um medicamento importado utilizado por um paciente de Nova Esperança do Sul, na região central do Rio Grande do Sul.

As informações são do g1.

O caso veio à tona depois que o homem, que fazia um tratamento oncológico, desconfiou da eficácia do remédio e decidiu procurar o médico que o acompanha há anos.

Segundo a investigação, o paciente utilizava a medicação havia cerca de 20 dias quando percebeu que algo não parecia normal.

— Na opinião dele, (o remédio) não estaria respondendo ao tratamento e por isso ele procurou um médico. Nesse atendimento, eles perceberam que a cartela de uma dessas medicações não seria compatível com o medicamento original — aponta o delegado Paulo de Abreu.

De acordo com o delegado Abreu, diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), um dos indícios observados estava na cartela do medicamento. Embora a embalagem não apresentasse irregularidades aparentes, a cartela continha inscrições em chinês, o que levantou suspeitas sobre a origem do produto.

A medicação fazia parte de um novo tratamento contra o câncer. Como o remédio não é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o paciente obteve o fornecimento por meio de uma decisão judicial. O fabricante informado é um laboratório alemão com atuação no Brasil.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Nova Esperança do Sul informou que não adquiriu o medicamento. Segundo o município, os remédios foram enviados pela empresa importadora diretamente para a residência do paciente.

A importação foi realizada por uma empresa sediada em Itajaí (SC). Conforme a polícia, as inscrições encontradas remetiam a um produto de origem chinesa e até mesmo a um doce, o que aumentou as suspeitas sobre a procedência do material.

O medicamento

O oncologista Vinícius Lorandi, do Hospital São Lucas da PUCRS, analisou fotografias do medicamento divulgadas durante a investigação. Segundo ele, a apresentação do produto chamou atenção por diversos aspectos, como a presença de um idioma que aparenta ser chinês, diferenças na identidade visual da embalagem e a forma de acondicionamento do remédio.

O médico também destacou que a medicação em questão costuma ser comercializada em frasco, enquanto as imagens mostravam comprimidos acondicionados em uma embalagem de alumínio.

Os medicamentos recolhidos serão submetidos a exames pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP), em Porto Alegre. Paralelamente, a Polícia Civil realiza diligências sob sigilo para apurar a origem do produto e verificar se houve algum crime.

Na quarta-feira (7), agentes cumpriram medidas na sede da importadora, em Santa Catarina, onde foram apreendidos documentos e equipamentos eletrônicos. Os investigadores buscam esclarecer se a empresa teve participação em eventual irregularidade ou se também pode ter sido alvo de um esquema de falsificação.

Por se tratar de um medicamento vindo do Exterior, a apuração poderá envolver uma investigação de alcance internacional, com possível atuação da Polícia Federal.

O delegado Paulo de Abreu ressaltou que, neste momento, não há conclusão sobre a responsabilidade da empresa. Segundo ele, todo o material apreendido passará por análise antes de qualquer definição sobre o caso.

A falsificação de medicamentos é considerada um crime contra a saúde pública. Conforme a Polícia Civil, a infração está entre as mais severamente punidas pela legislação penal brasileira e pode resultar em penas superiores a 15 anos de prisão.

O que diz a Secretaria de Nova Esperança do Sul

“NOTA DE ESCLARECIMENTO

A Secretaria Municipal de Saúde de Nova Esperança do Sul confirma que o paciente mencionado na reportagem é morador do município.

Esclarece, porém, que a aquisição do medicamento ocorreu por meio de bloqueio judicial de valores, não tendo sido realizada compra diretamente pela Prefeitura, nem utilizados recursos próprios do Município.

O medicamento foi fornecido por uma empresa localizada em Itajaí (SC) e entregue diretamente na residência do paciente.”