Correio americano já transportou crianças como encomendas no início do século 20
Fonte: saobentoemfoco.com.br | Data: 11/10/2026 16:49:04
Em 1913, uma reestruturação no sistema postal dos Estados Unidos, que passou a permitir o envio de encomendas pesadas, gerou uma consequência inesperada e bizarra. Sem uma regulamentação clara que proibisse explicitamente o transporte de seres vivos, famílias americanas começaram a utilizar o serviço para despachar seus próprios filhos pelo correio, tratando menores de idade como cargas comuns.
A prática surgiu como uma solução econômica para o deslocamento de crianças entre residências de parentes, aproveitando a confiança depositada nos funcionários dos correios da época. O que começou como uma alternativa logística em áreas rurais logo se tornou um fenômeno curioso, desafiando os limites da segurança e da ética no transporte de passageiros.
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A logística do envio de crianças pelo correio americano
O pioneirismo dessa prática é atribuído ao casal Jesse Beauge, de Glen Este, em Ohio. Em 1913, eles enviaram seu filho de dez meses, pesando 4,5 quilos, até a casa da avó, situada a 1,6 quilômetro de distância. O custo total da operação foi de apenas 15 centavos de dólar em selos, complementado por um seguro postal de 50 dólares.
Diferente do que se possa imaginar, as crianças não eram enviadas em caixas fechadas. Elas viajavam em vagões postais de trens, sob a supervisão direta de funcionários que, em muitos casos, mantinham laços de proximidade com as famílias locais. Em 1914, o caso de May Pierstorff, de 4 anos, tornou-se emblemático ao ser enviada de trem para a casa dos avós, no Idaho, com selos colados diretamente em seu casaco.
Expansão geográfica e a proibição definitiva
Com o passar do tempo, a prática ganhou escala e passou a cobrir distâncias significativas. A menina Edna Neff, de 6 anos, percorreu mais de 1.100 quilômetros ao ser despachada de Pensacola, na Flórida, até Christiansburg, na Virgínia. A popularidade do método, no entanto, forçou uma intervenção urgente das autoridades federais.
Diante dos riscos operacionais e de segurança, o diretor-geral do Serviço Postal emitiu um alerta em 1914, declarando que seres humanos não eram mercadorias. A proibição oficial e definitiva foi estabelecida em junho de 1915, encerrando o período em que o correio funcionou, de forma não convencional, como um meio de transporte para crianças.
Tentativas de burlar o sistema de carga
Mesmo após o banimento, a estrutura de frete continuou a despertar tentativas audaciosas de uso indevido. Em 1980, o americano William DeLucia protagonizou um caso cinematográfico ao despachar a si mesmo em um voo comercial dentro de um baú de madeira, rotulado como “Instrumentos Musicais”.
O objetivo de DeLucia era furtar encomendas de alto valor durante o voo, utilizando um cilindro de oxigênio e mantimentos para sobreviver no compartimento de carga. O plano foi frustrado no aeroporto de Atlanta, quando o baú cedeu durante o desembarque, levando à sua prisão em flagrante. O caso, detalhado em registros históricos, reforça a vulnerabilidade histórica dos sistemas de transporte de carga, conforme aponta o histórico de logística postal.