Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Estudo encontra mosquito que transmite arboviroses a mais de 10 metros de altura em Manaus

Fonte: acritica.com | Data: 13/10/2026 15:22:21

🔗 Ler matéria original

descoberta

Pesquisa identificou mais de 35 mil ovos de Aedes albopictus em diferentes andares de uma torre; espécie pode transmitir dengue, zika, chikungunya e febre amarela

acritica.com

13/10/2026 às 14:09.

Atualizado em 13/10/2026 às 14:09

Um estudo realizado em Manaus identificou ovos do Aedes albopictus em diferentes níveis de uma torre, inclusive a mais de 10 metros do solo. A descoberta indica que moradores de apartamentos também podem estar expostos à presença do mosquito, conhecido por sua capacidade de transmitir arboviroses como dengue, zika, chikungunya e febre amarela.

O levantamento foi publicado na última sexta-feira (9) na revista científica EntomoBrasilis e reuniu pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Mais de 35 mil ovos encontrados

Para investigar até que altura o mosquito consegue realizar a postura de ovos, os pesquisadores instalaram 30 armadilhas em diferentes níveis de uma torre de seis andares, localizada em um fragmento de floresta urbana de Manaus.

Durante dez semanas, entre os períodos seco e chuvoso de 2015, foram encontrados mais de 35 mil ovos.

A maior concentração ocorreu nos níveis mais próximos do solo, principalmente até cerca de quatro metros de altura. No entanto, ovos foram registrados em todos os níveis avaliados, chegando a 10,8 metros acima do solo.

Para o pesquisador do Inpa Adriano Nobre Arcos, um dos autores do estudo, a presença do mosquito em andares elevados mostra que apartamentos não estão necessariamente livres da exposição aos vetores.

Vasos, calhas e outros criadouros

Segundo o pesquisador, edifícios podem oferecer condições favoráveis à presença do mosquito, principalmente quando existem recipientes capazes de acumular água, como vasos de plantas e calhas, além de locais de abrigo e a presença de pessoas e animais que podem servir como fonte de sangue.

Apesar de o Aedes albopictus estar amplamente disseminado no Brasil, especialmente em áreas rurais e periurbanas, não há registro de transmissão de dengue por essa espécie no país.

O pesquisador explica, porém, que já foi identificada infecção natural do mosquito pelo vírus da dengue e que populações brasileiras demonstraram capacidade de transmitir o vírus em testes laboratoriais. Por isso, a espécie continua sendo acompanhada pela comunidade científica.

Vigilância também precisa chegar aos andares altos

Para os pesquisadores, os resultados apontam a necessidade de ampliar as ações de vigilância em áreas urbanas verticalizadas.

Tradicionalmente, as inspeções para identificação de criadouros concentram-se principalmente em quintais e áreas próximas ao solo. A presença do Aedes albopictus em níveis elevados indica que apartamentos, varandas, áreas comuns, calhas e outros espaços em andares superiores também precisam ser considerados nas ações de prevenção.

O estudo também encontrou relação entre a umidade do ar e a quantidade de ovos durante a estação seca. Nesse período, a umidade explicou 34% da variação na abundância registrada.

Como o mosquito chega aos andares superiores?

Uma das questões que ainda precisam ser esclarecidas pelos pesquisadores é como o mosquito consegue alcançar os níveis mais altos dos edifícios.

A dispersão pode ocorrer pelo próprio voo do inseto, mas os cientistas também investigam a possibilidade de transporte passivo, por exemplo, por meio de elevadores e do deslocamento de pessoas.

Entre os próximos passos está o monitoramento contínuo da espécie para avaliar a influência das mudanças climáticas e da sazonalidade. Os pesquisadores também pretendem investigar a presença de arbovírus em mosquitos capturados em diferentes andares, para estimar com maior precisão o risco de transmissão nas áreas urbanas.

Assuntos
Compartilhar