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16 mulheres no comando de um novo capítulo da navegação brasileira

Fonte: portalmulheramazonica.com.br | Data: 14/10/2026 19:07:22

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Tripulação 100% feminina conduziu o Starnav Elektra de Santa Catarina ao Rio de Janeiro; embarcação híbrida une inovação naval e um marco para a presença das mulheres em um setor ainda predominantemente masculino. De Santa Catarina ao Rio de Janeiro, uma viagem marítima colocou 16 mulheres no centro de uma mudança que vai além da tecnologia.

A embarcação Starnav Elektra, construída em Itajaí (SC), realizou a travessia com uma tripulação integralmente feminina, sob o comando de Isabela Teixeira Ponce de Leon. O feito chamou a atenção para a presença de mulheres em funções técnicas e operacionais da navegação brasileira.O navio foi batizado em 17 de setembro de 2026, no Píer Mauá, no Rio de Janeiro, e é a primeira entrega do Programa Mar Aberto, iniciativa voltada à renovação e à ampliação da frota da Petrobras.

Construído pelo Estaleiro Detroit, em Santa Catarina, o projeto recebeu investimento de aproximadamente R$ 450 milhões.A conquista tem dois aspectos que merecem atenção: a incorporação de tecnologia híbrida à indústria naval brasileira e a atuação de mulheres em uma operação que exige formação, preparo técnico, responsabilidade e trabalho em equipe.

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Mulheres em todas as funções a bordo

Foto: Reprodução/Google

A tripulação reuniu profissionais de diferentes áreas da operação marítima, incluindo navegação, máquinas, sistemas elétricos, segurança e logística. À frente da equipe, a comandante Isabela Teixeira Ponce de Leon liderou a travessia entre os dois estados.

A presença feminina não se restringiu ao comando. As profissionais participaram de atividades essenciais para a operação da embarcação, demonstrando que mulheres podem atuar em diferentes funções da Marinha Mercante quando têm acesso à formação e às oportunidades de trabalho.

O marco ganha importância em um setor no qual a participação feminina ainda é reduzida. De acordo com a segunda Pesquisa sobre Equidade de Gênero no Setor Aquaviário, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), as mulheres representavam 17,8% dos empregos do setor em 2024. Nos cargos operacionais, a participação era de 10%, enquanto nas posições de direção chegava a 15%.

Os números ajudam a dimensionar o significado da viagem. Ter 16 mulheres reunidas em uma mesma tripulação não elimina as barreiras existentes no mercado de trabalho, mas amplia a visibilidade de profissionais que já atuam em funções fundamentais para a navegação.

Tecnologia híbrida desenvolvida no Brasil

Foto: Reprodução/Google

Além da tripulação, o Starnav Elektra representa um avanço para a construção naval nacional. A embarcação é apontada como a primeira com propulsão híbrida construída no Brasil e foi projetada para atuar no apoio a plataformas de petróleo nas bacias brasileiras.

O sistema combina geração convencional de energia com armazenamento em baterias, permitindo administrar a demanda energética conforme as condições de operação. A tecnologia pode contribuir para reduzir o consumo de combustível e as emissões, embora os resultados dependam do funcionamento do sistema e das condições de uso da embarcação.

O navio integra a estratégia de renovação da frota de apoio marítimo e opera a serviço da Petrobras. A combinação entre tecnologia e qualificação profissional mostra como a modernização do setor também depende das pessoas que conduzem as operações.

O desafio é fazer a conquista abrir caminhos

Foto: Reprodução/Google

A viagem das 16 mulheres representa uma referência para meninas e jovens que consideram seguir carreira na área marítima. Ver mulheres no comando, na navegação e nas atividades técnicas ajuda a ampliar as possibilidades que costumam ser associadas a essas profissões.

Mas a transformação não termina com uma travessia histórica. Para que a presença feminina deixe de ser tratada como exceção, é necessário ampliar o acesso à formação, às oportunidades de contratação, à progressão profissional e aos cargos de liderança.

A participação das mulheres precisa ser reconhecida pela competência e pela experiência, sem que o gênero se transforme em obstáculo adicional. Isso também exige ambientes de trabalho seguros, condições adequadas para a permanência na carreira e políticas que favoreçam a igualdade de oportunidades.

A história do Starnav Elektra mostra que a mudança já está em curso, mas sua continuidade dependerá de oportunidades concretas para que mais mulheres possam ingressar, permanecer e crescer no setor aquaviário.

O mar também é lugar de liderança feminina

Foto: Reprodução/Google

A navegação exige conhecimento, disciplina e decisões que envolvem a segurança de toda a tripulação. Nesse ambiente, a presença de 16 mulheres em uma mesma operação é mais do que uma imagem simbólica: é o registro de profissionais exercendo funções para as quais foram preparadas.

A tecnologia híbrida coloca o Starnav Elektra em uma nova etapa da indústria naval brasileira. A tripulação feminina, por sua vez, amplia a discussão sobre quem tem acesso aos espaços de comando e às carreiras técnicas.

O mar não muda suas exigências de acordo com quem está no comando. O que precisa mudar são as barreiras que, durante muito tempo, limitaram as oportunidades das mulheres.

Posicionamento do Portal Mulher Amazônica

O Portal Mulher Amazônica reconhece a importância de iniciativas que ampliam a participação feminina em setores estratégicos, especialmente aqueles em que as mulheres ainda enfrentam obstáculos para ocupar funções técnicas e posições de liderança.

A trajetória das 16 profissionais do Starnav Elektra reforça a importância da qualificação, da igualdade de oportunidades e da valorização do trabalho feminino. Dar visibilidade a essas conquistas também significa ampliar as referências disponíveis para meninas e jovens que desejam construir caminhos profissionais em áreas diversas.

Quando mulheres ocupam espaços de liderança, não muda apenas quem está no comando. Muda também o horizonte de possibilidades para quem vem depois.

Reportagem especial do Portal Mulher Amazônica, com informações da Agência Brasil, do Ministério de Portos e Aeroportos, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e de entidades do setor naval.