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A jovem Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, morreu nesta sexta-feira (16), durante uma cirurgia plástica no Hospital Geral e Maternidade, em Cuiabá. Ela sofreu uma parada cardiorrespiratória enquanto passava por uma lipoescultura e colocação de próteses mamárias. O procedimento era conduzido pelo médico Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza, que não possui Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em cirurgia plástica. Segundo a defesa do profissional, a equipe interrompeu a cirurgia assim que identificou a complicação e tentou reanimar a paciente por cerca de duas horas, sem sucesso. Lurdes era casada e deixa dois filhos.

O médico atende em Cuiabá e na Bahia. A defesa, representada pelo advogado Alex Cardoso, confirma que ele não possui RQE em cirurgia plástica, mas sustenta que todo profissional regularmente inscrito no Conselho Regional de Medicina (CRM) está autorizado por lei a realizar atos médicos, inclusive cirurgias, e que o registro de especialista não é condição para isso.

Pelas regras dos conselhos de medicina, o RQE não é exigido para o exercício da profissão por quem tem inscrição regular no CRM, mas é obrigatório para que o médico se apresente ou se anuncie como especialista. O registro é concedido a quem concluiu residência médica ou foi aprovado na prova de título da Associação Médica Brasileira (AMB). Desde 2023, resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) obriga médicos sem RQE que divulgam pós-graduação a acrescentar a expressão “não especialista”.

Em nota, a defesa afirma que Lurdes passou pelas avaliações pré-operatórias e que a cirurgia ocorreu em ambiente hospitalar adequado, com equipe habilitada. “Tudo indica tratar-se de uma complicação súbita, descrita na literatura médica”, diz o texto, que também atribui ao médico mais de 25 anos de experiência nesse tipo de procedimento. A causa da morte será apurada pelo Serviço de Verificação de Óbito (SVO), que funciona no Hospital Universitário Júlio Müller.

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