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Câncer colorretal já matou mais de 15 mil pessoas em MG desde 2020; especialista faz alerta

Fonte: otempo.com.br | Data: 17/10/2026 07:11:24

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Mateus Pena

Graduado em jornalismo pelo Uni-BH, atuou como estagiário por dois anos na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e também por dois anos na Hipertexto Comunicação Empresarial. Atualmente, é repórter de conteúdo multiplataforma da editoria de Cidades em O TEMPO. Anteriormente, foi repórter da editoria de Economia e Atualidades.

O que alimentação inadequada, sedentarismo, obesidade, tabagismo e consumo de álcool têm em comum? Todos esses fatores podem contribuir para o desenvolvimento de uma das doenças que mais mataram em Minas Gerais entre 2020 e 2026: o câncer colorretal, responsável por 15.900 óbitos no período, segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). O cenário de mortes pela doença no Estado é considerado preocupante pela oncologista Thaís Passarini, do Instituto Oncoclínicas. A especialista ressalta que o dado é ainda mais alarmante porque “se trata de uma doença com grande potencial de cura quando diagnosticada precocemente”.

A mortalidade apresenta oscilações ao longo dos anos, com tendência de crescimento até 2024: foram 2.040 mortes em 2020, 2.119 em 2021, 2.299 em 2022, 2.504 em 2023 e 2.658 em 2024, o maior número da série. Em 2025, foram registrados 2.610 óbitos e, em 2026, até o momento, 1.670. Para a especialista, o volume de mortes aponta para problemas no sistema de saúde. “Uma mortalidade acumulada dessa magnitude sugere não apenas alta incidência, mas principalmente diagnóstico tardio e limitações no acesso ao cuidado oportuno”, explica.

Entre os tipos de câncer, o colorretal é o segundo com maior número de mortes em Minas Gerais, atrás apenas dos tumores de traqueia, brônquios e pulmões, que somaram 17.593 óbitos. Na sequência, aparecem os cânceres de mama, com 11.080 mortes, e de próstata, com 10.425.

Pandemia ainda impacta cenário atual

O comportamento dos dados pode estar relacionado aos efeitos da pandemia de Covid-19. “O mais provável é um efeito combinado, com forte influência da pandemia. Durante esse período, houve interrupção de exames eletivos, redução do rastreamento e menor procura por serviços de saúde”, explica a oncologista.

Thaís aponta que, entre os principais fatores de risco para o câncer colorretal, estão a alimentação inadequada, o sedentarismo, a obesidade, o tabagismo e o consumo de álcool.

“Entre os fatores modificáveis, destacam-se a dieta rica em carnes vermelhas e ultraprocessados, o baixo consumo de fibras, além do sedentarismo e da obesidade. Minas Gerais apresenta elevada prevalência desses fatores, o que contribui diretamente para o número de casos”, afirma.

Para a especialista, o diagnóstico precoce enfrenta entraves importantes no Brasil. “No SUS, há ausência de um programa organizado de rastreamento populacional, o que limita a detecção de casos assintomáticos, além de dificuldades no acesso à colonoscopia. Soma-se a isso a baixa percepção de risco da população, que muitas vezes ignora os sintomas iniciais e procura atendimento apenas em fases mais avançadas da doença”, completa.

Sinais de alerta e prevenção

Entre os principais sinais e sintomas do câncer colorretal estão:

  • Sangue nas fezes;
  • Alteração persistente do hábito intestinal;
  • Dor abdominal;
  • Perda de peso sem causa aparente;
  • Anemia.

“A população deve estar atenta a esses sinais, mas é importante destacar que o câncer colorretal pode ser assintomático nas fases iniciais, o que reforça a importância do rastreamento”, alerta a oncologista.

A especialista recomenda a realização de exames a partir dos 45 anos. “A colonoscopia é uma estratégia essencial, pois permite identificar e remover lesões precursoras antes que evoluem para câncer, sendo uma das formas mais eficazes de prevenção”, complementa Thaís.

SES-MG reforça prevenção

Diante desse cenário, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) reforça a importância da adoção de hábitos de vida saudáveis, da atenção aos sinais e sintomas da doença e do diagnóstico precoce.

Segundo a pasta, pessoas com sangramento nas fezes, alterações persistentes do hábito intestinal, dor ou inchaço abdominal, perda de peso sem causa aparente ou histórico familiar da doença devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação. Quando indicado, o paciente pode ser encaminhado para exames, como o teste imunoquímico fecal (FIT) e a colonoscopia.

A SES-MG também destaca que Minas Gerais conta com um Protocolo Clínico de Alta Suspeição em Oncologia, publicado em 2019, que orienta o encaminhamento de pacientes com suspeita de câncer para confirmação diagnóstica e tratamento em unidades especializadas.

Atualmente, o Estado dispõe de 44 serviços habilitados para prestar assistência de alta complexidade em oncologia, entre Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) e Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon).