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Dia Mundial da Menopausa reforça a importância de cuidados individualizados para a mulher

Fonte: otempo.com.br | Data: 17/10/2026 07:19:04

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Izabelle Gindri* _ Por muito tempo associada apenas ao fim da menstruação e às ondas de calor, a menopausa passou a ocupar um espaço mais amplo nas discussões sobre saúde da mulher. Celebrado em 18 de outubro, o Dia Mundial da Menopausa busca ampliar a informação sobre essa fase, combater estigmas e estimular o debate sobre qualidade de vida, prevenção e acesso ao cuidado adequado. Sintomas como insônia, irritabilidade, ressecamento vaginal e queda da libido não precisam ser simplesmente suportados.

No Brasil, o tema também ganhou espaço nas políticas públicas. Em abril deste ano, o Ministério da Saúde publicou uma nota técnica com orientações para qualificar o atendimento pelo SUS às mulheres na transição para a menopausa, na menopausa e na pós-menopausa. Projeções do IBGE indicam que o país terá cerca de 37 milhões de mulheres entre 40 e 65 anos até o fim de 2026. Menopausa não é doença. É a última menstruação, confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruar. Já o climatério é uma fase mais ampla de transição, que pode começar anos antes. Nesse período, as mudanças na produção de hormônios, especialmente o estrogênio, podem provocar diferentes sintomas.

Ondas de calor, suor noturno, alterações do sono e do humor, ressecamento vaginal, redução da libido, dores musculares e articulares e mudanças na composição corporal estão entre as manifestações possíveis. A intensidade varia de mulher para mulher. Segundo o Ministério da Saúde, entre 20% e 30% apresentam sintomas moderados ou graves, capazes de afetar a rotina, o trabalho, os relacionamentos e o bem-estar.

Nesse contexto, a terapia hormonal pode ser uma opção importante. Considerada uma das alternativas mais eficazes contra os sintomas vasomotores, como os fogachos, também pode beneficiar sintomas geniturinários e a saúde óssea em determinadas situações. O tratamento pode utilizar estrogênio isolado ou combinado a um progestagênio, conforme a presença do útero e as características clínicas da paciente.

A indicação, porém, não é automática. Idade, tempo transcorrido desde a menopausa, histórico pessoal e familiar, riscos cardiovasculares, doenças prévias e intensidade dos sintomas devem ser avaliados individualmente. A decisão precisa considerar benefícios, riscos e preferências da mulher, com acompanhamento profissional e respaldo científico. Para algumas pacientes, tratamentos não hormonais e mudanças no estilo de vida também podem contribuir para o bem-estar.

É importante evitar tanto a prescrição indiscriminada quanto o medo generalizado da terapia hormonal. A menopausa é uma transição biológica natural, mas isso não significa que seus sintomas devam ser ignorados ou que todas as mulheres precisem de tratamento. Também merece atenção a insuficiência ovariana primária, caracterizada pela perda da função ovariana antes dos 40 anos. A condição pode afetar cerca de 1% das mulheres nessa faixa etária e exige investigação diante de alterações persistentes do ciclo menstrual.

Embora a menopausa geralmente ocorra entre os 45 e os 55 anos, não existe uma idade única para todas. Mulheres com sintomas não precisam esperar a menstruação desaparecer completamente para procurar atendimento. A avaliação adequada ajuda a identificar as causas das alterações e a definir as opções de cuidado.

Mais do que classificar a reposição hormonal como “boa” ou “ruim”, é necessário reconhecer que cada mulher vivencia essa etapa de maneira diferente. Informação de qualidade, acolhimento e acesso a profissionais capacitados são essenciais para escolhas conscientes e individualizadas. Ao romper o silêncio em torno da menopausa, o Dia Mundial da Menopausa reforça que essa fase merece atenção, respeito e cuidado. Falar sobre o tema é promover autonomia, saúde, dignidade e qualidade de vida para as mulheres.

* Izabelle Gindri é cientista, farmacêutica, PhD em engenharia biomédica, co-fundadora e CEO da bio meds Brasil