O NASCIMENTO DE ANTÍGONA – UMA HISTÓRIA SOBRE O COLETIVO DE MAGISTRADAS PARANAENSES
Fonte: tjpr.jus.br | Data: 17/10/2026 05:13:44
O Nascimento de Antígona – Uma História Sobre o Coletivo de Magistradas Paranaenses
O NASCIMENTO DE ANTÍGONA – UMA HISTÓRIA SOBRE O COLETIVO DE MAGISTRADAS PARANAENSES
Por desembargador Robson Cury
17/10/2026
Atualizado hoje
O Coletivo Antígona nasceu em julho de 2022 a partir de uma decisão coletiva das magistradas do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR), tendo por objetivo auxiliar, de maneira colaborativa e não violenta, na implementação de políticas que visem à paridade de gênero e à ocupação de espaços de poder.
O artigo demonstrará o caminho percorrido até o momento, bem como apresentará as principais ações que o grupo vem desenvolvendo desde sua criação. Também será abordada a Resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que trata da paridade de gênero em 2º grau de jurisdição e de como o Coletivo está fortalecendo candidaturas de mulheres para esses cargos. (Laryssa Angelica Copack Muniz)
Como bem vaticinou o filósofo alemão Nietzsche: “É preciso ter o caos dentro de si para gerar uma estrela brilhante”. É assim, em meio ao caos coletivo, que Antígona nasce. O grupo tem suas bases no período pandêmico. (Cintia Graeff)
Diante do cenário da Covid-19, em Londrina, surgiu a ideia de criar um grupo para a troca de experiências, ainda que on-line. A juíza Claudia Catafesta e sua colega Danielle Marie de Farias Serigati conversaram e, como a primeira já tinha experiência como facilitadora de círculos de construção de paz, surgiu a ideia de tentar adaptar a metodologia da Justiça Restaurativa, na qual se prioriza a escuta ativa e a contação de histórias, para o mundo digital. Assim, elas deram os primeiros passos.
O nome surgiu da tragédia grega escrita por Sófocles, no século V a. C., que relata, em síntese, a história, ambientada no reino de Tebas, de quatro irmãos, dois homens (Etéocles e Polinice) e duas mulheres (Antígona e Ismênia), filhos de Édipo e Jocasta.
O grupo adotou a postura de Antígona de integridade e de reconhecimento de leis que são eternas, muito mais viçosas do que aquelas pensadas por homens para a manutenção de seu poder, custe o que custar. (Heloisa Helena Avi Ramos)
É o que resume o artigo publicado na Gralha Azul, periódico científico da Ejud-PR, na edição de agosto e setembro de 2024.
Hoje, o Antígona constitui o maior coletivo do Brasil, formado unicamente por juízas da magistratura estadual, e reúne 233 magistradas, das 358 do TJPR. Na primeira coordenação, estavam as seguintes magistradas: Heloisa Helena Avi Ramos, Cintia Graeff, Priscila Crocetti, Laryssa Angelica Copack Muniz, Liliane Graciele Breitwisser Monteiro, Patrícia Lan e Luciene Oliveira Vizzotto Zanetti.
O Coletivo Antígona acredita na equidade em espaços de decisão, que possibilita que as mulheres tenham seu lugar à mesa. Essa não é uma causa exclusiva das mulheres, mas uma pauta civilizatória.
Na página “Antígona TJPR” no Instagram, é possível conferir o conteúdo voltado ao combate a toda forma de discriminação. O Coletivo é composto por magistradas ativas e inativas do Tribunal de Justiça do Paraná e é orientado pelos princípios da lealdade, sororidade, respeito à diversidade, pluralidade, horizontalidade, comunicação não violenta, diálogo, transparência, igualdade e valorização da perspectiva de gênero nos espaços institucionais de fala e no exercício do poder. Sua finalidade é impulsionar a transformação das estruturas institucionais e sociais para o alcance de uma sociedade livre, justa, solidária e sem preconceito de qualquer natureza.
O Coletivo também conta com trabalhos científicos publicados nas obras Olhares de Antígona, volumes I e II, estando o volume III no prelo, pela Thoth Editora.
(Com a colaboração da magistrada Laryssa Angelica Copack Muniz)