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Nariz torto, silicone saindo: médico que operou jovem que morreu em cirurgia acumula processos

Fonte: reportermt.com | Data: 17/10/2026 18:15:39

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O médico Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza é alvo de ações judiciais movidas por pacientes que relatam complicações após procedimentos estéticos

O médico Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza é alvo de ações judiciais movidas por pacientes que relatam complicações após procedimentos estéticos

O médico Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza, responsável pela lipoescultura e pelo implante de próteses de silicone realizados em Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, que morreu na mesa de cirurgia nessa sexta-feira (16), em Cuiabá, é alvo de ações judiciais movidas por pacientes que relatam complicações após procedimentos estéticos.

Os processos incluem relatos de rinoplastia que teria deformado o nariz, abertura de pontos com exposição de prótese de silicone, infecções, cicatrizes e implantes que teriam ficado deformados. Há ainda relatos de pacientes submetidas a várias cirurgias reparadoras e de uma mulher que acusa o médico de agressão verbal e humilhação durante uma consulta.

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De cinco processos consultados pela reportagem, três continuam em andamento. Um foi encerrado após a desistência da paciente, e outro terminou com a Justiça negando o pedido de indenização. As ações são públicas e não tramitam sob sigilo judicial.

Uma das ações trata de uma rinoplastia realizada em 8 de janeiro de 2015, na clínica do médico. A paciente afirma que sentiu dores intensas durante o procedimento, mesmo após tentativas de sedação, e que a cirurgia ocorreu sem anestesista ou outro profissional habilitado para atender emergências.

Após a operação, ela relata dores, sangramentos e dificuldades para respirar. Também afirma que o nariz ficou assimétrico, com uma das narinas excessivamente reduzida e a ponta caída. Uma segunda intervenção, com retirada de parte da narina direita, teria agravado a deformidade.

Posteriormente, outra médica identificou a necessidade de reconstrução funcional com enxerto de cartilagem. A cirurgia reparadora foi realizada em 3 de fevereiro de 2016, durou cerca de sete horas e utilizou cartilagem da orelha direita da paciente. Ela também pagou duas sessões de laser, de R$ 350 cada, para amenizar as cicatrizes.

O processo tramita na 4ª Vara Cível de Várzea Grande e aguarda perícia para esclarecer se houve erro médico. Ainda não há conclusão judicial sobre a responsabilidade do profissional.

Outro processo envolve implantes mamários colocados em 26 de janeiro de 2015. Segundo a paciente, poucos dias depois, ela começou a sentir fortes dores, apresentou inchaço e percebeu a saída de líquido com odor forte. Apesar dos curativos, a infecção persistiu até que os pontos se abriram e a prótese da mama direita começou a sair pela abertura.

Após uma intervenção sem sucesso, o médico teria retirado os dois implantes, inclusive o da mama esquerda, que, segundo a mulher, não apresentava problemas. Ela ficou seis meses sem as próteses e, após recolocá-las, precisou de novas intervenções. Em novembro de 2016, passou por outro procedimento para drenar uma infecção e suturar a região.

A paciente afirma ter enfrentado mais de quatro cirurgias e cerca de 18 meses de limitações, com dificuldades para trabalhar e realizar tarefas cotidianas sem ajuda. Também relatou cicatrizes, insatisfação com a aparência das mamas e depressão.

A 10ª Vara Cível de Cuiabá negou o pedido de justiça gratuita. Após a decisão, a paciente desistiu da ação.

O terceiro caso envolve uma cirurgia de correção e troca de próteses mamárias realizada em 26 de agosto de 2013, no Hospital Santa Helena, em Cuiabá. O procedimento custou R$ 15.817,12, incluindo os encargos do parcelamento.

A paciente relata cicatrizes que considerou inadequadas, incluindo uma marca em formato de cruz, infecção, dores intensas e cobranças extras de R$ 1.015. Ela também afirmou que precisava de uma nova cirurgia reparadora, orçada em R$ 16 mil apenas em honorários médicos, sem despesas hospitalares, anestesista e medicamentos.

Segundo a ação, os problemas a impediram de retomar normalmente o trabalho em um salão de beleza, além de levá-la a buscar acompanhamento psiquiátrico e utilizar medicamentos.

A 6ª Vara Cível de Cuiabá negou o pedido de indenização contra o médico e sua clínica por entender que não ficou comprovado erro médico na cirurgia realizada em 2013.

Outro processo envolve uma profissional da área da saúde submetida a cirurgias estéticas mamárias e corporais em 2016. Ela afirma que os procedimentos deixaram assimetrias, deformidades e desconfortos. Anos depois, voltou a procurar o médico para corrigir os problemas.

A nova cirurgia previa retoques nas mamas e flancoplastia bilateral. A paciente afirma ter pago R$ 23 mil antecipadamente, de um contrato inicialmente estimado em R$ 24,3 mil.

Segundo o relato, após a nova operação, ela apresentou abertura de pontos, lesões, inflamações e cicatrização irregular, principalmente nos flancos. A mulher sustenta que o procedimento não corrigiu as deformidades anteriores e que enfrentou dificuldades para conseguir consultas de retorno, além de ter despesas com medicamentos e exames.

O processo continua na 6ª Vara Cível de Cuiabá. Até o momento, conforme as informações levantadas, não há manifestação do médico nos autos.

O quinto caso envolve uma mulher que contratou abdominoplastia, flancoplastia, lipoaspiração do dorso, correção de diástase abdominal e mastopexia, com possibilidade de troca das próteses mamárias. O contrato previa R$ 40 mil, dos quais ela afirma ter antecipado R$ 30 mil.

Após os procedimentos, a paciente alegou que parte das cirurgias não foi realizada. Segundo a ação, não havia incisões nas regiões em que deveriam ter sido feitos os cortes para a abdominoplastia, a correção da diástase e a flancoplastia. Ela também relata reações alérgicas graves e dificuldades para conseguir acompanhamento médico após sucessivos cancelamentos de consultas.

A mulher acusa ainda o médico de agressão verbal e humilhação. Segundo ela, durante uma consulta, teria sido trancada em uma sala e destratada pelo profissional, situação que provocou medo e a levou a desistir dos demais procedimentos contratados.

A autora também questiona a qualificação do médico. Afirma que consultas aos conselhos regionais de medicina de Mato Grosso e da Bahia indicaram ausência de registro de especialidade em cirurgia plástica e que a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica informou que ele não era membro da entidade.

O processo tramita na 2ª Vara Cível de Várzea Grande e ainda não tem sentença. O médico pediu que os autos fossem colocados sob sigilo, mas o pedido ainda não havia sido analisado pelo juízo. Até o momento, o processo permanece público.

O profissional não tem Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em cirurgia plástica no cadastro público do Conselho Federal de Medicina (CFM).

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Euller Gustavo é inscrito no Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) sob o número 4711 desde 2 de fevereiro de 2005 e está com a situação regular. Ele também possui registro regular no Conselho Regional de Medicina da Bahia, sob o número 47767.

No cadastro do CFM, entretanto, consta a informação “Médico sem especialidade registrada”. Isso significa que não há RQE de cirurgia plástica registrado em seu nome.

Outro lado

Em vídeo publicado nas redes sociais, o advogado Alex Cardoso, que representa o médico, afirmou que Euller Gustavo tem mais de 25 anos de experiência e já realizou milhares de procedimentos. Segundo ele, o número de complicações registradas ao longo da carreira do profissional é ínfimo.

“O número de complicações de pacientes em suas mãos é ínfimo. É muito aquém dos indicadores previstos na literatura para qualquer tipo de procedimento”, disse o advogado.

Sobre a ausência de Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em cirurgia plástica, Alex Cardoso afirmou que a falta do registro não significa, necessariamente, ausência de experiência na área. Segundo ele, Euller não utiliza o título de especialista, mas teria adquirido conhecimento por meio da prática profissional, de cursos e de pós-graduação.

“É preciso deixar claro que a ausência de RQE, o registro de especialidade, diz respeito àqueles médicos que não passaram pela residência médica para cirurgia. No caso do Euller, trata-se de um profissional que, ainda que a legislação o impeça de usar o termo ‘especialista’, e ele não o faz, é especializado pela prática, pela experiência, pelos cursos e pela pós-graduação”, declarou.

A defesa também argumentou que o médico está regularmente inscrito no CRM e que a ausência de RQE não o impede de realizar atos médicos, inclusive cirúrgicos.

Morte durante cirurgia

Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, morreu na sexta-feira (16), durante procedimentos de lipoescultura e colocação de próteses mamárias no Hospital Geral e Maternidade de Cuiabá. A jovem sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu após aproximadamente duas horas de tentativas de reanimação. Ela era casada e deixa dois filhos.

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Após receberem a notícia da morte, familiares teriam confrontado o médico. Euller relatou ter levado um soco no rosto e registrou boletim de ocorrência por agressão e ameaça de morte, segundo sua assessoria jurídica.

Em nota, a defesa afirmou que o procedimento ocorreu em ambiente hospitalar, após avaliações pré-operatórias. Segundo o comunicado, a equipe identificou uma intercorrência súbita, interrompeu a cirurgia e iniciou imediatamente as manobras de reanimação. A assessoria declarou que a causa da morte será esclarecida pelos órgãos oficiais competentes.

O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) anunciou neste sábado (17) que instaurará uma sindicância de ofício para apurar as circunstâncias do atendimento e da morte de Lurdes. O conselho informou que o procedimento tramitará sob sigilo e ressaltou que a investigação não representa condenação prévia do profissional.

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A Polícia Civil também investigará o caso.

Lurdes será velada a partir das 18h deste sábado, na Capela Jardins, em Cuiabá. A saída para o sepultamento está prevista para as 15h de domingo (18).