A Santa Casa e o futuro da saúde
Fonte: gauchazh.clicrbs.com.br | Data: 18/10/2026 18:54:22
Por Jader Pires, diretor-geral da Santa Casa de Porto Alegre
Poucas instituições acompanharam tão de perto a trajetória do Rio Grande do Sul quanto a Santa Casa de Porto Alegre. Em mais de dois séculos, o desenvolvimento da instituição caminhou lado a lado com o do Estado, em meio a mudanças econômicas, sociais, demográficas e tecnológicas que transformaram a vida dos gaúchos. Essa experiência ajuda a compreender um dos maiores desafios do nosso tempo.
Segundo o IBGE, o RS está entre os primeiros Estados brasileiros que verão sua população diminuir, e já tem mais idosos do que crianças. O gaúcho vive em média 79,6 anos, três a mais que a média nacional.
Essa condição, além de um desafio econômico, é também uma oportunidade para o RS criar um modelo de cuidado capaz de inspirar o país.
Viver mais é uma conquista, mas exige repensar a assistência. IA, medicina de precisão e novos tratamentos, como os medicamentos GLP-1, conhecidos pelas chamadas canetas emagrecedoras, ampliam as possibilidades na saúde. Outras terapias virão, exigindo que as organizações combinem tecnologia, conhecimento científico e corpo clínico qualificado.
Nenhuma instituição fará isso sozinha. Nosso Estado reúne hospitais de excelência, universidades de referência e profissionais reconhecidos, que fazem do RS um polo de destaque em saúde. Essa força, construída pelo SUS, pela saúde suplementar e pela dedicação de tantas instituições, é motivo de orgulho e uma base sólida para avançar. Aproximar essas competências pode ampliar nossa contribuição para o futuro da saúde no país.
Que sejamos também os primeiros a mostrar ao Brasil como se cuida de quem vive mais
Hoje, a Santa Casa completa 223 anos, construídos por gerações de cuidadores e pela confiança dos gaúchos. Poucos sabem tanto sobre longevidade quanto uma instituição com essa idade. E a principal lição é simples: só dura quem se reinventa sem perder o propósito. Foi assim que a Santa Casa atravessou dois séculos, e é assim que pretende ajudar o Estado a enfrentar o envelhecimento da nossa gente. Se seremos os primeiros a envelhecer, que sejamos também os primeiros a mostrar ao Brasil como se cuida de quem vive mais.