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Avanço da IA, envelhecimento populacional e questões geopolíticas e climáticas devem remodelar a indústria global de seguros até 2035

Fonte: insurancecorp.com.br | Data: 20/10/2026 10:42:35

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Fatores como envelhecimento da população, mudanças climáticas e avanços da inteligência artificial e nos ecossistemas conectados estão transformando o setor de seguros. De acordo com o relatório “The Future of Insurance 2035”, da Deloitte, projeta-se que o volume global de prêmios de seguros cresça 150% até 2035, impulsionado pela maior demanda por proteção, pela expansão da cobertura securitária em mercados ainda pouco atendidos e pelo surgimento de novas necessidades de proteção associadas ao envelhecimento da população, às mudanças climáticas e aos avanços tecnológicos.

O estudo aponta oito tendências que devem impactar o setor pela próxima década. Entre elas estão as mudanças demográficas associadas ao envelhecimento da população e o aumento do déficit de cobertura securitária. O levantamento também aponta transformações nos padrões de consumo e moradia, com menos pessoas comprando imóveis, além da evolução dos modelos de mobilidade urbana.

Outro destaque é o avanço da digitalização, da inteligência artificial e de tecnologias que ampliam a integração entre diferentes ecossistemas. O cenário global mais volátil e incerto, marcado por tensões macroeconômicas e geopolíticas, também figura entre os fatores de impacto, assim como os efeitos sobre questões climáticas. O material também ressalta a necessidade de uma evolução dos papéis dos setores público e privado para ampliar o acesso à proteção, considerando que cerca de 48% da população mundial ainda não conta com proteção social básica.

“De forma geral, os mercados de seguros devem apresentar um crescimento contínuo, embora em ritmos diferentes, até 2035. Nas economias mais desenvolvidas, a tendência é de estabilização desse crescimento, enquanto os mercados emergentes devem ganhar força, impulsionados pelo envelhecimento da população e pela expansão da classe média“, analisa Rodrigo Tabarez, sócio-líder da indústria de seguros da Deloitte.

Essas transformações devem afetar tanto os segmentos de seguros patrimoniais e de responsabilidade (P&C) quanto os de vida e saúde (L&H), embora em intensidades diferentes. Em conjunto, elas apontam para um cenário em que o seguro deixa de ser um produto isolado e passa a fazer parte de uma solução integrada e dinâmica, favorecendo as seguradoras que se anteciparem às mudanças e desenvolverem os modelos de negócio e as parcerias certas.

“A tecnologia será o principal vetor para o crescimento do setor de seguros, uma vez que os consumidores exigem soluções cada vez mais personalizadas. As coberturas poderão ser ajustadas de forma mais dinâmica, com base no comportamento dos clientes e em riscos iminentes, como pandemias, eventos climáticos ou tensões sociopolíticas, e os processos serão mais ágeis“, afirma Anselmo Bonservizzi, sócio-líder de Serviços Financeiros na Deloitte.

Brasil lidera potencial de expansão do mercado de seguros na América Latina

O estudo projeta que a América Latina vai continuar sendo um mercado de alto potencial de crescimento para o setor de seguros, especialmente nos segmentos de vida e saúde (L&H), com o Brasil liderando a expansão regional. A ainda baixa penetração dos seguros como produto entre a população de modo geral, aliada ao rápido crescimento da classe média, cria um cenário favorável para a expansão do mercado.

Ao mesmo tempo, modelos de microsseguros vêm ganhando espaço como forma de ampliar o acesso à proteção para populações ainda pouco atendidas. Já nos segmentos de seguros patrimoniais e de responsabilidade (P&C), a rápida urbanização e os investimentos em infraestrutura impulsionam a demanda por seguros corporativos, sustentando o crescimento do mercado mesmo diante da volatilidade econômica.

Cinco transformações que vão redefinir o modelo de negócios das seguradoras

Com base nesse cenário e nessas transformações em curso, o estudo também aponta cinco grandes mudanças no modelo de negócios das seguradoras, que precisam reformular suas propostas de valor e expandir suas ofertas para além da proteção para conseguir melhorar a experiência dos consumidores e chegar a um crescimento sustentável da rentabilidade.

A primeira delas é o sistema de distribuição e vendas de produtos, que deixam de ser transacionais e passam a ser contínuas e baseadas em dados. Ainda que a presença humana e as habilidades dos corretores continuem importantes, a IA e os canais digitais ajudarão a criar ofertas altamente personalizadas.

A segunda grande mudança envolve a oferta de produtos. As soluções ofertadas deixam de ser estáticas e voltadas para proteção financeira, passando a combinar soluções integradas de prevenção, bem-estar, saúde e segurança, especialmente considerando as mudanças no estilo de vida e padrão de consumo da população.

Outra transformação apontada pelo estudo está no relacionamento e engajamento com clientes. Essa relação deixa de ser somente reativa e passa a ser proativa, personalizada e centrada em experiências. Para entender e atender as necessidades dos consumidores, o uso de dados será fundamental, assim como a integração entre tecnologia inteligente e empatia humana vai criar interações significativas, que ajudam a gerar valor, diferenciação e lealdade ao produto.

A quarta mudança envolve as operações das seguradoras. Com a disseminação da IA, o sucesso pode depender do quanto seguradoras e corretoras conseguem conectar seus dados, tecnologia e talentos para entregar impacto, decisões mais rápidas e melhor experiência. A IA passa a ser elemento central das operações, e serviços como atendimento e sinistros tornam-se muito mais automatizados e, por consequência, ágeis.

Por fim, a última grande mudança identificada pelo estudo é o ecossistema de colaborações estratégicas, fusões e aquisições, que vai acelerar a inovação e a expansão de valor. Nesse contexto, cresce a colaboração entre seguradoras, empresas de tecnologia, saúde, mobilidade e serviços financeiros, enquanto operações de M&A e parcerias tornam-se instrumentos estratégicos de crescimento.

“Para o futuro, as seguradoras precisarão evoluir de um modelo predominantemente passivo de proteção para uma atuação mais proativa, baseada em dados em tempo real, engajamento personalizado e parcerias estratégicas. A capacidade de antecipar riscos, apoiar a prevenção e ampliar a resiliência dos clientes será determinante para sustentar crescimento e relevância em um mercado cada vez mais dinâmico“, conclui Tabarez.

Assessoria de Comunicação da Deloitte