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CNN ameaça voltar à Justiça após Trump manter seus jornalistas fora do Air Force One

Fonte: mediatalks.uol.com.br | Data: 21/10/2026 06:49:47

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Emissora foi excluída de pelo menos quatro viagens presidenciais, apesar de decisão judicial favorável, e exige o fim das restrições até quinta-feira.

A CNN ameaçou voltar à Justiça contra o governo de Donald Trump depois de ter sido impedida pelo menos quatro vezes de acompanhar viagens do presidente americano no Air Force One.

A restrição continua mesmo após uma decisão judicial que obrigou a Casa Branca a devolver as credenciais dos jornalistas da emissora, anteriormente proibidos de cobrir o governo.

Segundo reportagem publicada pela própria CNN nesta terça-feira (20), a emissora enviou uma carta ao Departamento de Justiça americano exigindo o fim das restrições e dando prazo até quinta-feira (22) para receber uma resposta por escrito.

Caso contrário, poderá apresentar um novo pedido judicial no processo que já move contra a Casa Branca.

Na carta, o advogado Theodore Boutrous acusa o governo de discriminar a CNN em represália ao conteúdo de sua cobertura jornalística. Segundo ele, a conduta é ilegal.

CNN continua excluída após decisão judicial

A disputa começou em setembro, quando Trump proibiu jornalistas da CNN, da MS NOW e do Politico de entrar na Casa Branca, acusando os três veículos de publicar notícias falsas.

As organizações recorreram à Justiça e conseguiram recuperar suas credenciais. Em 13 de outubro, o juiz federal Timothy Kelly manteve a suspensão da proibição enquanto o processo continua.

Para o magistrado, a medida de Trump provavelmente violou a Primeira Emenda da Constituição americana, que protege a liberdade de expressão e de imprensa.

A decisão, porém, não assegurou expressamente o acesso a locais com espaço limitado para jornalistas, como o Salão Oval e o Air Force One. O governo passou a usar essa distinção para continuar impedindo a CNN de participar de determinadas coberturas.

De acordo com a emissora, seus profissionais foram retirados da escala de viagens presidenciais em diversas ocasiões, embora fosse a vez da CNN de acompanhar Trump.

O caso mais recente ocorreu no último fim de semana, durante uma viagem do presidente à Geórgia e à Flórida.

Outras emissoras se recusam a substituir a CNN

As principais redes de televisão americanas participam de um sistema de rodízio para acompanhar o presidente em compromissos nos quais não há espaço para todos os jornalistas.

A emissora escalada produz imagens e informações que são compartilhadas com os demais veículos.

Segundo a CNN, as outras grandes redes de televisão se recusaram a ocupar seu lugar nas ocasiões em que foi excluída pela Casa Branca.

Na carta, o advogado lembra que a CNN participa desse sistema há 45 anos, acompanhando presidentes americanos de diferentes partidos.

Ele argumenta que o Air Force One e o Salão Oval são espaços públicos e que os jornalistas representam o direito dos cidadãos de saber o que acontece no governo.

A emissora exige que a Casa Branca confirme, até as 17h de quinta-feira (22), no horário de Washington, que deixará de impedir sua participação na cobertura das viagens e de outros compromissos presidenciais.

Conflito com a imprensa se estende a outros veículos

A exclusão da CNN faz parte de uma disputa mais ampla entre Trump e organizações jornalísticas que ele acusa de produzir notícias falsas ou manter uma cobertura desfavorável ao governo.

A Associated Press também recorreu à Justiça depois de ter seu acesso restringido em 2025, por se recusar a adotar integralmente o nome Golfo da América, escolhido por Trump para substituir Golfo do México.

O governo sustenta que os veículos não têm direito automático de acompanhar o presidente em todos os ambientes, especialmente naqueles com espaço limitado.

CNN sob nova gestão

A disputa acontece em um momento sensível para a CNN, que desde o início de outubro pertence ao grupo Skydance, comandado por David Ellison, um dos empresários de mídia mais próximos de Trump.

Ainda não se sabe como a batalha judicial com a Casa Branca vai se desenrolar sob a nova gestão, que prometeu preservar a independência editorial da emissora.

Por enquanto, porém, a CNN mantém o confronto com o presidente e se mostra disposta a levá-lo novamente aos tribunais.