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Grupo Amigos da Terra realiza imersão ao Paraguai

Fonte: folhapopular.info | Data: 21/10/2026 08:28:36

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Grupo Amigos da Terra visita a Lactolanda e acompanham a industrialização do produto mais conhecido dos agricultores, o leite / Crédito: Anderson Lopes

O Grupo Popular realiza cobertura especial sobre a experiência internacional com grupo de produtores rurais no Paraguai. A ideia foi conhecer novas culturas e trazer conhecimentos para aplicá-los na terra gaúcha, no Vale do Taquari.

A ida ao Paraguai iniciou às 14h de sábado (17/10), com uma saída discreta do Centro Administrativo em Teutônia. O veículo de dois andares, proporcionava expectativas diferentes. O grupo já se conhecia de outras viagens e pela própria profissão, afinal eram produtores rurais, em sua maioria na produção de leite.

Cruzaram a fronteira às 6h30, por uma nova entrada na Ponte da Integração. O primeiro lugar a ser visitado foi a Usina Hidrelétrica de Itaipu. O empreendimento gigantesco que impressiona pelo tamanho e grande força das águas. O grupo pôde observar de forma inédita a abertura de três vertedouros, pois o Rio Paraná estava acima do nível e a água não utilizada na geração de energia foi liberada, proporcionando um grande espetáculo tanto da natureza e da engenharia.

A geração de energia que abastece o país, torna as contas de luz elétrica quase inexistentes ou muito mais baratas. A pernoite no Aylin Hotel, no Campo 9, uma colônia menonita de Sommerfeld, uma das comunidades mais prósperas e influentes da região oriental do Paraguai, que fica no departamento de Caaguazú. O hotel era praticamente um resort. Foi possível encontrar trabalhadores empreendedores do agronegócio, no ramo de leite, como Randel e Pedro Hildebrand que trabalham em uma propriedade em Estigarribia, uma colônia com maioria de origem germânica.

Eles têm vacas de leite em cerca de 120 hectares de terras e produzem em torno de 5 mil litros de leite por dia. A conversa entre os produtores de países distintos demonstrou semelhanças no trato animal, porém com rendimento acima da média para o paraguaios.

Lactolanda e a prosperidade dos produtores

A visita posterior foi na Lactolanda, a maior indústria de laticínios do país. Processam mais de 1,7 milhão de litros de leite por dia, empregando mais de 12 mil funcionários. Exporta manteiga e leite em pó para mais de 30 países, incluindo o Brasil. Entre os fornecedores está a Agropecuária Reiland, em Caaguazú, e o proprietário Heinrich Heinrichs afirma que há visitas tanto do Brasil quanto da Argentina. Possuem 180 vacas que produzem cerca de 44 litros de leite, por vaca, por dia. Esta é a média, sendo que muita delas dão cerca de 60 litros.

O manejo e o trato animal são facilitados pelo clima, com pouca umidade. Quando faz frio, não há geada e quando faz muito calor, o vento refresca, sendo uma vantagem sobremaneira para o bem-estar animal, o que assegura a ampliação da produção do leite.

A garantia de venda do produto se dá pela parceria consolidada com a cooperativa de produtores de leite La Holanda Ltda, mais conhecida como a marca Lactolanda. Esta cooperativa foi outro ponto visitado pelo grupo e um dos pontos altos das visitações até agora. Ela industrializa o leite e o transforma em marca forte, que chega ao mercado local como Lactolanda. Iniciou com famílias oriundas da Holanda, que migraram ao Canadá e em 1948 chegaram na região do campo 9, no Paraguai. Hoje reúnem cerca de 1.300 produtores.

Conforme o encarregado pelas visitas e também produtor, Carl Heinrich, a cooperativa está bem posicionada. “No Brasil eu vejo que o governo atrapalha a autonomia dos produtores e isto limita a produção”, expõe.

A regulação do governo paraguaio, que incide em um imposto de 5% ao produtor e 10% à indústria, facilita a prosperidade do negócio. Mas não é só isso. “A indústria, no caso a cooperativa, não visa o lucro e isso faz com que o preço seja mais justo ao produtor, mesmo que varie, sempre tem como foco o lucro de quem produz.” Além disso, a cooperativa gera lucro e não concentra tudo na própria entidade, que na verdade é a indústria, mas devolve as sobras ao produtor, em forma de dinheiro.

Carl pondera, entretanto, que os grandes produtores, aqueles que rendem cerca de 100 mil litros de leite por dia, ampliam ainda mais o seu lucro e reduzem o seu custo em detrimento aos produtores menores, com até 5 mil litros. E fazem como que o microprodutor, aquele de até 500 litros, praticamente desapareça. “Mas isso é um processo que encaramos com naturalidade e é preciso se adaptar às condições, pois o que torna a região mais forte é este balanço.”

A imersão ao Paraguai está apenas no terceiro dia, mas já é possível ver saídas para os produtores do Brasil, principalmente do Vale do Taquari. O longo do percurso, mais propriedades serão visitadas e a experiência adquirida deverá ser latente no Clube Amigos da Terra.