Nick Paley transforma medos de infância em suspense na série ‘Fingida’
Fonte: opovo.com.br | Data: 21/10/2026 12:49:31
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Publicado às 12:42, 21/10/2026
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Um adolescente acorda após um acidente de trânsito convencido de que sua mãe foi substituída por uma impostora, mas quase ninguém acredita nele.
A trama “Fingida” é uma série que estreou nesta semana no Disney+, tendo origem em um medo de infância de seu criador e roterista, Nick Paley, carregado durante anos.
“Quando era criança, tinha um medo muito profundo de perder a minha mãe”, contou à AFP. “Eu era obcecado com a possibilidade de coisas ruins acontecerem com ela e com a ideia de me separar dela.”
“Havia algo emocional que eu queria explorar”, acrescentou Paley, que também dirige a série.
“Fingida” é protagonizada por Sam Nivola, que interpreta Sonny, um adolescente que mantém uma relação muito próxima com sua mãe solo, Ellen (Connie Britton).
Ao recobrar a consciência após o acidente, Sonny não reconhece a mulher que afirma ser Ellen. Não apenas porque ela está diferente, mas também porque não parece conhecer os códigos e as referências que compartilhavam.
Paley, corroteirista de “Marcel, a Concha de Sapatos” (2021), curta-metragem de animação narrado em formato de falso documentário e indicado ao Oscar, não enquadra “Fingida” em um único gênero.
“É uma trama que parece muito próximo da vida real. Para mim, a vida real mistura momentos engraçados, inquietantes e dramáticos, e todos esses elementos acabam funcionando juntos”, explicou.
Paley afirmou que Britton foi fundamental para interpretar uma suposta impostora com uma ternura que desconcerta tanto Sonny quanto o público.
“Conversamos muito sobre como abordar essa dualidade. Como fazer com que pareça uma mãe preocupada que tenta ajudar o filho que está perdendo a razão, ou uma impostora que esconde algo muito sombrio e verdadeiramente perturbador”, ressaltou o cineasta.
– Realidades alternativas –
Para Paley, Britton, que atuou em séries como “Friday Night Lights” e “The White Lotus”, era uma escolha óbvia para o elenco.
“Ela encarna, de certa forma, a mãe ideal do imaginário americano”, comentou.
A série se passa em uma pequena comunidade fictícia no Oregon, no noroeste dos Estados Unidos. A região se destaca por suas montanhas imponentes e suas paisagens florestais, “um bom complemento” para a história, segundo Paley.
“Há tanto drama nas montanhas e na neblina que logo surge a sensação de que há algo mágico e estranho no ar”, disse.
A produção aborda, ainda que de forma indireta, as teorias da conspiração e as versões alternativas da verdade que podem surgir nas redes sociais.
“Estamos vivendo em um mundo que se parece muito com aquele que conhecemos, mas que na realidade, é bastante diferente”, afirmou Paley.
“E muitas vezes, devido aos algoritmos e aos fluxos de informação que cada pessoa recebe, vemos a realidade de uma forma ligeiramente diferente daquela como os outros a veem, e acaba sendo difícil identificar quais mecanismos nos separam”, acrescentou.
“Assim, a experiência do protagonista funciona como uma alegoria muito boa”.
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