Ernestina de Champourcín, escritora espanhola da Geração de 27: “A satisfação só vem de ousar fazer duas coisas: i
Fonte: correiobraziliense.com.br | Data: 21/10/2026 19:30:00
Ernestina de Champourcín foi uma das escritoras mais importantes da Geração de 27, movimento literário espanhol que reuniu nomes como Federico García Lorca e Rafael Alberti. Apesar de seu reconhecimento entre os intelectuais da época, sua trajetória acabou recebendo menos atenção do que a de seus colegas homens, situação que começou a mudar com a recuperação da obra de escritoras historicamente esquecidas.
Nascida em 10 de julho de 1905, em Vitória, na Espanha, Ernestina cresceu em uma família de origem aristocrática e recebeu uma educação marcada pelo contato com diferentes idiomas e obras literárias. Ainda jovem, mudou-se para Madri, onde desenvolveu seu interesse pela poesia e passou a frequentar ambientes intelectuais.
Em 1926, aos 21 anos, publicou seu primeiro livro, En silencio. A escritora encontrou inspiração em autores como Juan Ramón Jiménez, que exerceu grande influência sobre sua produção inicial. Segundo a Biblioteca Nacional da Espanha, ela também participou do Lyceum Club Femenino, espaço de encontro e atuação de mulheres intelectuais.

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A escritora conquistou espaço entre grandes poetas espanhóis
Durante as décadas de 1920 e 1930, Ernestina participou de círculos literários frequentados por alguns dos escritores mais conhecidos da Espanha. Sua produção chamou atenção pela sensibilidade e pelo tratamento de temas ligados ao amor, à identidade e à experiência interior. Em 1934, seus poemas foram incluídos na antologia organizada por Gerardo Diego, importante referência da Geração de 27.
Apesar desse reconhecimento, a presença feminina no movimento recebeu menos destaque durante décadas. Ernestina também é associada às Las Sinsombrero, grupo de artistas e intelectuais espanholas cujas contribuições passaram por um processo de recuperação histórica. Sua trajetória ajuda a mostrar que a literatura espanhola do período foi construída também por mulheres que enfrentaram limitações sociais e culturais.
A Guerra Civil mudou completamente sua trajetória
Em 1936, com o início da Guerra Civil Espanhola, a vida de Ernestina sofreu uma transformação. Naquele ano, ela se casou com o poeta Juan José Domenchina e participou de atividades de assistência durante o conflito. A instabilidade política acabou levando o casal a deixar a Espanha.
Em 1939, os dois chegaram ao México, país que recebeu numerosos exilados espanhóis. Ernestina passou a trabalhar como tradutora e continuou escrevendo, embora sua produção poética tenha assumido novos caminhos. Conforme o Ministério da Cultura da Espanha, o exílio mexicano foi uma etapa decisiva de sua vida pessoal e profissional.

Seus poemas passaram a explorar espiritualidade e memória
Durante o exílio, a poesia de Ernestina ganhou características mais introspectivas e religiosas. Obras como Presencia a oscuras, publicada em 1952, revelam uma mudança em relação aos temas predominantes em seus primeiros livros. A busca espiritual passou a ocupar um espaço significativo em sua escrita.
Após a morte do marido, em 1959, a escritora continuou sua produção literária. Em 1972, regressou à Espanha, onde enfrentou dificuldades de readaptação depois de mais de três décadas no exterior. Essa experiência também apareceu em seus textos, especialmente na maneira como abordava memória, solidão e pertencimento.
Por que a obra de Ernestina voltou a despertar interesse?
Ernestina morreu em 27 de março de 1999, em Madri, deixando uma produção literária desenvolvida ao longo de aproximadamente sete décadas. Sua trajetória reúne poesia, tradução e participação ativa na vida cultural espanhola. A Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes reúne informações sobre sua produção e destaca a personalidade própria de sua escrita.
Hoje, conhecer Ernestina de Champourcín permite compreender melhor a participação das mulheres na literatura espanhola do século XX. Para começar a explorar seus poemas, En silencio, de 1926, e Presencia a oscuras, de 1952, oferecem perspectivas de duas fases distintas de sua carreira. São obras que ajudam a acompanhar as mudanças de uma escritora marcada pelo reconhecimento literário, pelo exílio e pela constante transformação de sua poesia.