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O que é o mexilhão-dourado, espécie invasora que tem infestado rios brasileiros

Fonte: otempo.com.br | Data: 22/10/2026 10:53:39

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O mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei) tem ampliado a presença em rios e reservatórios brasileiros, preocupando especialistas pelis impactos sobre a biodiversidade e riscos para estruturas de abastecimento de água, o que inclui a geração de energia. Capaz de formar grandes colônias em superfícies submersas, o molusco já foi identificado em diferentes regiões do país, incluindo áreas da Amazônia, do Nordeste e no Rio São Francisco, no Norte de Minas Gerais.

O que é o mexilhão-dourado e por que ele preocupa?

Originário da Ásia, especialmente da China, o mexilhão-dourado é um molusco bivalve capaz de formar grandes colônias em superfícies submersas. O animal se alimenta filtrando a água e pode alterar a disponibilidade de nutrientes e alimentos nos ambientes em que se estabelece.

Segundo a revista Science, a filtragem intensa de plâncton pelo molusco pode deixar a água mais transparente e pobre em nutrientes, reduzindo a oferta de recursos para espécies nativas. Além disso, o invasor compete por espaço e alimento com organismos locais e pode interferir nas cadeias alimentares.

O problema também afeta estruturas construídas pelo ser humano. Ao se fixar em tubulações, turbinas, boias e cascos de embarcações, o mexilhão-dourado forma incrustações que podem obstruir sistemas, exigir interrupções para limpeza e elevar os custos de manutenção.

De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a elevada capacidade de reprodução e a escassez de predadores naturais contribuem para a proliferação da espécie.

Estudo foi conduzido por professores da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), com base em expedições de campo realizadas entre julho de 2024 e abril de 2025, alerta para a expansão do animal e os riscos para ecossistemas aquáticos, hidrelétricas e sistemas de abastecimento de água. Ao todo, foram coletados 113 exemplares em pontos dos municípios de São Francisco e São Romão. 

O Rio São Francisco não é o único local onde a presença do invasor preocupa pesquisadores. A primeira detecção da espécie na Amazônia ocorreu em agosto de 2023, quando 32 exemplares foram encontrados presos a pedras no Rio Tocantins.

Um ano depois, pesquisadores do Instituto Evandro Chagas retornaram ao local e constataram o crescimento expressivo das colônias. Resultados publicados em dezembro de 2025 na revista Acta Limnologica Brasiliensia apontaram que a densidade do mexilhão-dourado no trecho estudado passou de 88 indivíduos por metro quadrado para mais de 15.849 por metro quadrado em um ano.

No Nordeste, um levantamento publicado em 2026 na revista Biota Neotropica documentou a presença do mexilhão-dourado na bacia do Rio Pajeú, em Pernambuco, no reservatório Barra do Juá. Os animais foram encontrados presos a embarcações em 2023 e, dois anos depois, estavam presentes em cinco pontos de amostragem do reservatório.

Como o mexilhão-dourado chegou ao Brasil?

O molusco chegou à América do Sul de forma acidental na água de lastro de navios cargueiros que atracaram no Rio da Prata, na Argentina, na década de 1990. Utilizada para garantir a estabilidade das embarcações, essa água pode transportar pequenos organismos entre continentes. A espécie foi identificada pela primeira vez na América do Sul em 1991 e chegou ao Brasil ainda no fim daquela década.

Desde então, o mexilhão-dourado se espalhou por rios e reservatórios. Na fase larval, os organismos são microscópicos e podem ser transportados pelas correntes aquáticas. Na fase adulta, fixam-se em pedras, tubulações e cascos de barcos, o que favorece a formação de colônias e a dispersão para novos ambientes.

É possível eliminar o mexilhão-dourado?

A eliminação completa do mexilhão-dourado de ambientes já invadidos é considerada inviável com os recursos atualmente disponíveis. Por isso, as estratégias de enfrentamento se concentram na prevenção, no monitoramento e na redução dos danos.

Em instalações industriais, podem ser utilizados métodos de limpeza, filtração e tratamento das estruturas afetadas. Em rios e reservatórios, o acompanhamento da presença da espécie ajuda a identificar novos focos de invasão e orientar medidas preventivas.

Nas hidrelétricas, as incrustações podem reduzir a passagem de água por tubulações, filtros e sistemas de captação, além de provocar interrupções para manutenção e aumentar os custos operacionais. Os impactos também atingem sistemas de abastecimento, irrigação, navegação, pesca e aquicultura.

No ambiente natural, a competição com espécies nativas e as alterações na disponibilidade de nutrientes e alimentos representam riscos à biodiversidade. A expansão do mexilhão-dourado pelo São Francisco, pela Amazônia e pelo Nordeste reforça a importância do monitoramento e de medidas que dificultem o transporte acidental do molusco entre diferentes bacias hidrográficas.