Energia elétrica mais barata deve aliviar IPCA-15 de outubro; alimentos seguem pressionando
Fonte: timesbrasil.com.br | Data: 22/10/2026 14:09:04
A redução dos custos de energia elétrica deve contribuir para a desaceleração da inflação em outubro. A Warren Investimentos projeta alta de 0,41% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), abaixo dos 0,70% registrados em setembro. Os preços dos alimentos e combustíveis, porém, continuam pressionando o indicador.
A expectativa de alívio está relacionada à adoção da bandeira tarifária verde, que eliminou a cobrança adicional nas contas de luz em outubro. A mudança ocorre após um mês em que a energia elétrica residencial subiu 7,42% e foi o item de maior impacto individual no IPCA-15 de setembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Outras instituições financeiras também esperam uma desaceleração. O Bradesco projeta alta de 0,45% para o IPCA-15 de outubro, enquanto o ASA estima 0,49% e o Itaú prevê 0,51%, conforme levantamentos publicados pelo InfoMoney e pelo BPMoney. Todas as projeções ficam abaixo dos 0,70% registrados em setembro.
A Warren também estima que a inflação acumulada em 12 meses alcance 4,71% em outubro. A instituição prevê desaceleração dos preços administrados e dos serviços, enquanto o grupo Alimentação e Bebidas deve voltar a acelerar. O resultado oficial será divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (23).
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Bandeira verde deve aliviar inflação da energia elétrica
A Warren projeta queda de 1,10% no preço da energia elétrica residencial em outubro, enquanto o grupo Habitação deve registrar recuo de 0,12%. Em setembro, esse grupo havia subido 2,07%, pressionado principalmente pela eletricidade.
A expectativa de alívio também aparece nas análises do Bradesco e do ASA. As duas instituições apontam a redução dos custos de energia elétrica como um dos principais fatores de desaceleração do índice, embora alimentos e combustíveis continuem pressionando os preços.
Em setembro, vigorava a bandeira amarela, que acrescentava R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. A mudança para a bandeira verde eliminou esse adicional em outubro, mas não alterou automaticamente as tarifas-base das distribuidoras.
Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o aumento das chuvas nas regiões Sul e Sudeste contribuiu para estabilizar os reservatórios das hidrelétricas e reduzir a necessidade de acionar usinas termelétricas, que têm custos mais elevados.
O cenário também foi detalhado pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Em comunicado de 7 de outubro, a pasta informou que o Sistema Interligado Nacional encerrou o período seco com armazenamento de 61%, ante 56% no mesmo período de 2025.
Segundo o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), as condições mais favoráveis de geração permitiram manter a bandeira verde, mesmo com a intensificação do fenômeno climático El Niño.
O impacto sobre o IPCA-15 também depende do período de coleta do indicador, que considera preços pesquisados entre meados de setembro e outubro.

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Alimentos e combustíveis continuam pressionando preços
Enquanto a eletricidade deve contribuir para conter a inflação, a Warren estima alta de 0,96% no grupo Alimentação e Bebidas, com pressão dos alimentos in natura.
O cenário ocorre em meio aos efeitos do El Niño sobre as condições climáticas no Brasil. Mudanças no regime de chuvas podem prejudicar a produção e o transporte de alimentos frescos, afetando os preços ao consumidor. A dimensão desse impacto, porém, depende das condições de oferta de cada produto.
No grupo Transportes, a Warren projeta alta de 0,44%, influenciada pelos preços dos combustíveis e das passagens aéreas.
As estimativas apontam aumentos de 3,50% nas passagens aéreas, 0,35% na gasolina, 3,80% no etanol e 4,89% no diesel.
Os combustíveis também permanecem sujeitos às oscilações do petróleo no mercado internacional, em meio às tensões no Oriente Médio.
Inflação segue acima da meta do Banco Central
Apesar da desaceleração esperada para outubro, as projeções de inflação para 2026 continuam acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%.
No boletim Focus divulgado na segunda-feira (19), a mediana das estimativas do mercado para o IPCA de 2026 ficou em 5,22%, enquanto a projeção para 2027 subiu de 4,30% para 4,32%.
A meta contínua de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
A persistência de pressões sobre os preços de alimentos, combustíveis e serviços segue entre os fatores acompanhados pelo Banco Central nas decisões de política monetária. A taxa básica de juros, a Selic, está em 13,75% ao ano.
O IPCA-15 utiliza metodologia semelhante à do IPCA, mas considera um período diferente de coleta de preços. Por isso, funciona como uma prévia da inflação oficial
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