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Mãe relata infecção hospitalar e cobra respostas após morte de bebê em unidade da zona leste de SP

Fonte: diarioesp.com.br | Data: 23/10/2026 02:25:12

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A Polícia Civil de São Paulo instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte de bebês que passaram pelo Hospital Salvalus, na Mooca, zona leste da capital. Entre os casos está o de Alice Vitória de Andrade Reis, que faleceu em 3 de abril deste ano, quatro dias após completar 1 ano de idade.

A mãe da criança, a assistente social Leticia Ferreira, de 29 anos, afirma que a filha contraiu a bactéria KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase) no ambiente hospitalar. Segundo ela, a contaminação ocorreu durante a internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da unidade, onde a bebê permaneceu por cerca de seis meses.

Alice tinha condições de saúde graves, como a síndrome de Dandy-Walker, que afeta o sistema nervoso central, hidrocefalia e comunicação interventricular (CIV), uma cardiopatia congênita. De acordo com Leticia, no entanto, a criança não estava doente quando foi levada ao hospital, em novembro do ano passado, apenas para a troca de uma sonda de alimentação.

«Ela nunca teve uma sentença, não era incompatível com a vida», declarou a mãe ao Metrópoles. Segundo ela, a filha deu entrada para a implantação de uma gastrostomia (GTT), procedimento para administração de alimentos e medicamentos, e foi encaminhada à UTI no mesmo dia, como é habitual nesses casos.

Durante a internação, conforme relato da mãe, Alice sofreu o rompimento da sutura cirúrgica, uma parada cardiorrespiratória e edema pulmonar. Três meses após a entrada no hospital, apresentou sinais de infecção bacteriana no cérebro, o que, segundo Leticia, comprometeu a eficácia dos antibióticos. A certidão de óbito aponta como causas insuficiência respiratória aguda, ventriculite infecciosa, sepse de foco pulmonar, hidrocefalia e síndrome de Dandy-Walker.

A mãe suspeita de contaminação cruzada no ambiente hospitalar e cobra explicações sobre os cuidados prestados à filha. «Eu sequer tinha entendido as violências que minha filha tinha sofrido. Na hora você não vai assimilando», desabafou. «Fomos para uma cirurgia simples e achei que ela voltaria para casa», completou.

Procurada, a rede HapVida, responsável pelo Hospital Salvalus, informou que os pacientes receberam assistência contínua e que as condutas terapêuticas foram individualizadas conforme cada quadro clínico. A empresa não comentou especificamente o caso de Alice, citando o sigilo médico e a investigação em curso.

O inquérito policial busca esclarecer se houve falhas no atendimento e na prevenção de infecções hospitalares na unidade. A reportagem procurou a Secretaria de Segurança Pública e o Conselho Regional de Medicina para obter mais informações sobre as apurações, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

Casos de infecção por bactérias resistentes em ambientes hospitalares acendem alerta para a importância de protocolos rigorosos de higiene e controle de infecção. Especialistas recomendam que familiares de pacientes internados acompanhem de perto os procedimentos e busquem orientação médica diante de sintomas incomuns.

A morte de Alice Vitória segue sob investigação. A família aguarda respostas e pede que outras situações semelhantes sejam apuradas com transparência. «Nunca mais sai com ela de lá», disse a mãe, referindo-se ao hospital, ao relatar a dor de não ter podido levar a filha para casa.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/nunca-mais-sai-com-ela-de-la-diz-mae-de-bebe-morto-em-hospital-em-sp

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