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Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja setores da Bolsa favorecidos em cada cenário

Fonte: tv7.com.br | Data: 24/10/2026 09:31:29

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Daycoval Corretora analisa impactos de vitória de Flávio Bolsonaro ou reeleição de Lula sobre setores da Bolsa brasileira

A Daycoval Corretora divulgou um relatório que avalia como diferentes setores da Bolsa brasileira podem reagir a dois cenários da eleição presidencial de 2026: a reeleição do presidente Lula ou uma vitória do deputado Flávio Bolsonaro. Segundo a corretora, o resultado das urnas deve influenciar diretamente a política fiscal, os juros e o comportamento do câmbio, afetando a atratividade dos ativos de renda variável.

De acordo com a análise, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro tende a ser recebida com otimismo pelos mercados, diante da expectativa de uma política econômica mais liberal e de maior disciplina fiscal. Essa percepção, conforme a corretora, poderia reduzir o prêmio de risco do país, favorecer a queda dos juros futuros e valorizar o real.

Nesse cenário, os setores domésticos mais sensíveis ao custo de capital apareceriam entre os principais beneficiados. A Daycoval cita varejo, construção civil de média e alta renda, locação de veículos e mercado de capitais como segmentos com maior potencial de recuperação, caso o crédito se torne mais acessível e o consumo seja estimulado.

Entre as empresas citadas no varejo estão Magazine Luiza, C&A, Assaí e Vivara. Já na construção civil, a corretora destaca Cyrela, Even e EZTEC, que teriam exposição à eventual redução dos juros de longo prazo. No mercado de capitais, B3, BTG Pactual e XP poderiam ser favorecidas por uma retomada das negociações e das emissões de valores mobiliários.

A análise também menciona empresas de locação e infraestrutura, como Localiza, Simpar, EcoRodovias e Equatorial, embora ressalte que o benefício dependerá da estrutura de capital e da geração de caixa de cada companhia. Segundo a corretora, o principal risco desse cenário é o mercado antecipar uma melhora fiscal maior do que aquela que o governo conseguiria efetivamente implementar.

Por outro lado, a reeleição de Lula tende a manter a atual orientação econômica, com maior participação do Estado e continuidade de programas sociais, conforme aponta a Daycoval. Nesse caso, a atenção dos investidores deve permanecer concentrada na trajetória das contas públicas e na capacidade do governo de apresentar um plano fiscal capaz de estabilizar o endividamento.

Caso prevaleçam dúvidas sobre essa sustentabilidade, os juros de longo prazo poderão seguir elevados, segundo a corretora, limitando a expansão dos múltiplos das empresas listadas. Diante disso, a análise sugere uma postura mais seletiva na Bolsa, com maior atenção à geração de caixa e ao nível de endividamento de cada companhia.

No câmbio, uma percepção de deterioração fiscal poderia pressionar o real, elevando custos de importação. Em contrapartida, empresas exportadoras tenderiam a apresentar resiliência relativa, de acordo com o relatório. Embraer, Suzano e Gerdau são citadas como exemplos de companhias cuja exposição internacional pode favorecer os resultados em reais diante de uma eventual desvalorização cambial.

Na construção civil, a continuidade das políticas habitacionais poderia sustentar a demanda por imóveis populares, beneficiando empresas como Cury e Direcional, segundo a corretora. Já entre os setores considerados defensivos, a análise cita Caixa Seguridade e TIM, além de Petrobras, BB Seguridade e Telefônica Brasil, avaliadas pela geração de caixa e pela capacidade de remunerar acionistas.

No caso específico da Petrobras, a Daycoval pondera que decisões de investimento e a influência do controlador seguem como fatores relevantes, o que impede que a estatal seja considerada uma proteção automática contra o risco fiscal.

Segundo a corretora, o principal risco da reeleição de Lula seria a ausência de medidas suficientes para conter o crescimento da dívida pública, prolongando a pressão sobre juros e câmbio. Por outro lado, uma equipe econômica bem recebida pelo mercado poderia reduzir o prêmio de risco e favorecer uma recuperação mais ampla dos ativos brasileiros.

Em conclusão, a Daycoval Corretora avalia que a eleição presidencial representa um fator relevante de reprecificação para a Bolsa, especialmente em um ambiente de juros elevados e incertezas fiscais. Conforme a corretora, a variável determinante para o desempenho dos ativos será a condução da política econômica nos meses seguintes, independentemente do resultado eleitoral.